Domingo, 29.01.12

Cuidadinho com a Europa, está!?

Mais uma prova de que não se brinca com a Europa. Nós não somos nenhuns tontinhos. Anunciámos um embargo ao petróleo do Irão. Tomem. Julgavam que eram mais espertos que nós?

 

Entretanto, o Irão já disse que está muito bem, não há problema, provavelmente eles até cortam o fornecimento antes. Entretanto, estimam o barril a 120 e 150 dólares.

ZP às 19:31 | link do post | comentar | partilhar

A força de Merkel

Leio que a senhora Merkel apoia a campanha de Sarkozy. Com um apoio destes, o senhor Hollande nem precisa de fazer campanha.

ZP às 12:41 | link do post | comentar | partilhar
Sábado, 28.01.12

Acho que não tem estrela Michelin

 

ZP às 09:40 | link do post | comentar | partilhar
Sexta-feira, 27.01.12

Lisboa do Costa

António Costa, que nem comemora o Natal em Lisboa, garante que vai comemorar o 5 de Outubro. Este cavalheiro só trabalha para a fotografia. Como estamos em crise, ficava-lhe bem não gastar dinheiro em iluminações de Natal e isso agradaria à classe média que está sem dinheiro para pagar o cartão, logo também não compreende a bela da iluminação. Agora o 5 de Outubro... ele com este discurso tenta dar ares de grande republicano que mesmo sem um tostão recusa-se a não celebrar a ocasião. Isso e faz-se a Belém como ninguém.

ZP às 22:36 | link do post | comentar | partilhar
Quinta-feira, 26.01.12

Efeito Gaspar

Parece que Alberto João Jardim lá assinou o inevitável castigo para a Madeira. Mas não podemos esquecer que Jardim esteve reunido com Vítor Gaspar, o ministro pausado. A determinada altura, qualquer pessoa assina qualquer coisa.

Quarta-feira, 25.01.12

O que é que ela toma?

A Merkel só acordou agora.
Terça-feira, 24.01.12

As respostas tortas de Cavaco

Soube-se que Cavaco tinha "negócios" com a maior burla financeira do país. O que fez ele? Fez um comunicado a dizer que não tinha dívidas ao BPN, que nem ele nem a sua mulher deviam um cêntimo aos bancos. Não respondeu, não explicou. Nem devolveu o lucro que terá realizado com a burla, que era o mínimo que o Chefe do Estado que pagou o buraco devia fazer. Cavaco não era obrigado a saber o que se passava no BPN, mas quando soube devia ter tido outra atitude.

 

Também se soube que a Presidência da República combinou com um jornal uma notícia mentirosa que tinha o objectivo mais do que evidente de atacar o Governo e influenciar uma campanha eleitoral próxima. O que fez ele? Fez um comunicado a dizer que lhe tinham dito que havia vulnerabilidades nos computadores. Não respondeu, não explicou. Limitou-se a transferir o assessor de imprensa para outro cargo.

 

E agora, isto. Queixou-se da reforma. Depois, o que fez ele? Um comunicado a dizer que não se explicou bem, queria só ilustrar que acompanha os portugueses. Não soube pedir desculpa nem assumir o erro, porque Cavaco nunca se engana e raramente tem dúvidas.

 

Está obviamente na hora de Cavaco se demitir, porque os portugueses não podem confiar num Presidente da República que não sabe fazer contas à reforma, embora não se engane quando compra acções do banco dos amigos, e que tenta manipular campanhas eleitorais através de notícias plantadas.

 

Cavaco já não tem condições para exercer o cargo de Presidente da República. Sucedem-se os escândalos. Permanecem as dúvidas. Agravam-se os silêncios.

A inversão do ónus da austeridade

Num relatório agora publicado, o Fundo Monetário Internacional defende que os países devem começar a pensar no crescimento e a estabilizar a austeridade - the most immediate policy challenge is to restore confidence and put an end to the crisis in the euro area by supporting growth, while sustaining fiscal adjustment.


Começa por ser muito irónico ver o Fundo Monetário Internacional a defender esta estratégia. Em teoria, o FMI é a organização que pede austeridade quando os países querem ajuda. Aqui está a dar-se um caso muito interessante, que é o FMI a pedir ajuda quando alguns países querem austeridade.


No documento, o FMI não se refere directamente a Portugal. Não se refere directamente a nenhum país. Mas nós sabemos qual tem sido a estratégia do Governo português: Quanto mais austeridade melhor, porque isso é que nos devolve a credibilidade, isso é que salva o país da bancarrota. Não temos, porém, um único sinal de nos estarmos a desviar desse caminho da bancarrota. Aliás, a credibilidade do país voltou a cair numa altura em que a austeridade já segue em velocidade de cruzeiro e mesmo depois de o Governo admitir ainda mais austeridade, caso fosse necessário.


Por que não temos, então, um único sinal de inversão da rota? Um único, por mais pequeno que seja.


Talvez porque o FMI tem razão e antes dele todos os políticos e economistas que se bateram contra o excesso de austeridade no combate à crise das dívidas soberanas. O imprescindível saneamento das contas públicas não pode ser feito à custa economia, porque um país sem uma economia activa ainda é mais assustador que um país com uma grande dívida ou mesmo com as contas públicas descontroladas.


Em Portugal, houve também quem contrariasse a ideia de que se salvava a Europa por via da austeridade. No plano político, o Partido Socialista combateu esta política, numa estratégia que foi entendida como expediente para safar o Governo das eventuais responsabilidades pela crise, mesmo numa altura em que já era clara a dimensão europeia da mesma.


A verdade é que a austeridade sem reservas e a ausência de políticas de crescimento económico não são solução. Já não é o Partido Socialista, dois ou três políticos e quatro ou cinco economistas que o dizem, é o próprio FMI, a autoridade máxima em matéria de austeridade.


Mesmo com as certezas que temos nesta crise que já nos ensinou algumas coisas, o Governo português pode - é legítimo - continuar a sua política de mais e mais austeridade, de número um da austeridade no mundo, sempre à espera de alguém que reconheça – de fora do Governo e dos partidos que o apoiam – o mérito deste incrível esforço. Se deixarmos que isso aconteça, então talvez seja mesmo melhor assistirmos a tudo de fora. De Angola ou do Brasil, como já foi sugerido. Ou da Holanda... 


Termino com duas perguntas: Quantas empresas fecharam hoje? Quantas pessoas foram hoje para o desemprego?

Até onde vamos recuar? (II)

Até onde vamos recuar se se confirmar que um jornalista é despedido com a "justa causa" de ter emitido uma opinião que não vai ao encontro da estratégia de um Governo?

ZP às 11:48 | link do post | comentar | partilhar

Até onde vamos recuar?

Nos Correios, enquanto preenchia um daqueles papéis que a tecnologia já devia ter feito desaparecer, sinto o aproximar acelerado de uma senhora para o meu balcão, justamente quando eu estava quase a terminar de preencher um daqueles papéis que a tecnologia - não sei se já disse isto - já devia ter feito desaparecer.

 

A primeira coisa que me ocorreu foi "vaca", porque a verdade é que a senhora acabara de me roubar o lugar quando eu estava mesmo quase quase a terminar de preencher um daqueles papéis que a tecnologia - por pouco esquecia-me de vos dizer isto - já devia ter feito desaparecer.

 

Acabei então de preencher um daqueles papéis... - está bem, eu paro com isto - já não com tanta pressa porque entretanto tinha chegado a senhora.  O próximo passo era então perceber o que vinha a senhora tratar aos correios; se vinha só mandar uma cartinha ou se vinha tratar de imensas coisas. Pelo menos não era um daqueles simpáticos cavalheiros que leva uma caixa cheia de cartas para enviar com aviso de recepção.

 

Ora, ponho-me naturalmente a ouvir a conversa, embora mesmo que não quisesse, teria de a ouvir na mesma, porque uma estação de correios não é propriamente um local discreto.

 

«Olhe, eu vinha aqui... isto até me dá vontade de rir» - disse a senhora, para meu ódio profundo, porque se adivinhava uma temporada só a explicar o que vinha ali fazer que até lhe dava vontade de rir. - «Eu venho do centro de saúde, porque me disseram que era aqui que eu pedia aquilo do...» - Começou a explicar-se ela, enquanto eu começava a pôr de lado o meu ódio e a relativizar as coisas, imaginando que a senhora podia estar a pedir aquilo do... - «É a prova de insuficiência económica, não é?» - Disse então o funcionário dos CTT, em alto e bom som, não fosse alguém estar a ouvir música. - «É isso mesmo.» - assumiu a senhora, rindo mais um bocado, naturalmente "do nervoso", e afirmando estar estupefacta por se tratar daquilo nos correios. - «Quando me disseram, nem estava a perceber.»

 

Nem eu estou a perceber. A imagem foi absolutamente degradante. Eu não tinha de saber que aquela senhora precisava de um atestado do senhor dos correios, que lhe pediu imediatamente o cartão do cidadão dela e das pessoas do agregado. A frieza do senhor dos correios nem comento porque admito que também seja uma defesa sua para aquele triste ofício. «Agregado não tenho. Sou só eu.» - respondeu a senhora, continuando com os mesmos curtos esgares de nervosismo, e acrescentando mais um pedaço de drama ao momento. 

 

Até onde será que vamos recuar com esta filha da puta desta crise? O que poupa o Estado com estas cenas de pessoas a pedir nos correios para confirmarem a sua pobreza? Será que com toda a tecnologia que nós já pagámos para a tal "modernização", não é possível as Finanças identificarem logo as pessoas que estão em situação de insuficiência económica, enviando depois esses dados para os cartões, que uma vez lidos no Centro de Saúde piscam logo no computador da menina a preciosa informação "não cobrar taxas moderadoras"?

 

A crise é grande e há muito que fazer para a ultrapassarmos, mas não é preciso recuarmos nos mais elementares critérios de dignidade humana, porque ela, feitas as contas, até pode ser economicamente mais vantajosa. Proteger as pessoas pode sair mais barato que atirá-las para a pilha de pobres que se avoluma na praça central, para todos verem. Não há nada mais caro que uma sociedade espezinhada.

 

E eu nem quero imaginar que esta chancela de insuficiência económica passada pelos CTT possa ter saído da cabeça de um desses cabrões pagos para concluírem que a necessidade de ir aos correios afasta muitas pessoas desse pedido, justamente por causa da vergonha, e que assim se poupam uns dinheiros. Neste caso, a quem pensou nisto e a quem decidiu, gostava de oferecer dois bilhetes para o próximo cruzeiro do comandante Schettino.

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