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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Combatendo a retórica

por Zé Pedro Silva, em 31.08.09

Alguns intelectuais com tempo livre defendem que os eleitores devem ler os programas dos partidos. Mas os eleitores devem ler os programas dos partidos, o tanas é que os eleitores devem ler os programas dos partidos.


É como votar, que também parece que é um dever. O dever é as pessoas votarem se quiserem; se lhes aprouver. Não querem votar, não votam. A ideia de que as pessoas têm mesmo de votar é fascista - embora os fascistas não gostem de ver as pessoas a votar. Digo que é fascista nos seus princípios fundadores: tens de votar!


Mas não tens nada de votar. Só votas se quiseres. O mesmo se passa com o programa dos partidos, esse monumento à retórica erguido por assessores que são tão bons a escrever discursos como a dar nós de gravata. Ledes se quiserdes.


Não vou ao ponto, confesso, de dizer que os programas só servem para limpar o cu, mas ando lá muito perto. O que importa é ver os candidatos, olhos nos olhos. Importa conhecê-los. Bem sei que em Portugal temos a mania de pôr tudo por escrito - à conta disso o Queiroz Pereira teve de comprar uma máquina para fazer papel com duzentos metros. Mas mais importante que o documento, o eleitor deve ter confiança no governante. Tem de acreditar na sua capacidade de governar. Não tem de saber se ele quer três ou quatro linhas de TGV, nem tem de se preocupar com a política fiscal, porque quando acreditamos numa pessoa, sabemos que ela fará, tanto na política fiscal como na ferroviária, o que for preciso.


O que acontece neste país, e que é aliás o que o torna ingovernável, é que todos querem opinar. Eu quero duas linhas de TGV, o outro quer cinco. Há quem queira o aeroporto em Lisboa, outros querem nas Berlengas. De repente, todos os portugueses são entendidos em aeroportos e comboios. Como já são, há muito tempo, especialistas em Justiça e Fiscalidade. Que alma lusa não resolve o mais intrincado processo judicial entre duas dentadas na sande?


O problema está, portanto, na falta de confiança do povo no seu Estado. Aceito que em Portugal há sólidas razões para tal, mas o país tem de se deixar governar. O futuro desta patética anarquia, que promove o populismo e a demagogia, não é risonho. Está até à vista de todos que é muito sombrio.


O eleitor deve por isso - regressando ao tema - conhecer os candidatos e as linhas gerais do seu pensamento político. Não deve perder tempo a discutir temas que não pode discutir por manifesta falta de informação. É mais útil conhecer os livros preferidos de um candidato do que a sua estratégia para a agricultura. Eu lamento, mas por mais opiniões que oiça, por mais propostas que leia, não consigo dizer o que é melhor para a agricultura portuguesa. Por uma razão simples: eu não pesco rigorosamente nada de agricultura.


Partindo deste exemplo, o que interessa o meu voto nesta área? Nada, rigorosamente nada. A parte do meu voto que está consignada à agricultura é de uma inutilidade sem paralelo. E qualquer tentativa de avaliar o que é melhor para Portugal em matéria de agricultura ofenderá quem da poda percebe.


Posso, contudo, confiar numa pessoa. Confiar na sua capacidade de reconhecer que também não percebe um boi da lavoura, mas que vai buscar quem perceba. Devo sobretudo confiar numa pessoa que não me ilude com programas para inglês ver, cheios de vivas aos nossos produtos e aos fundos comunitários. Eu não li um único programa de Governo, mas querem apostar que em todos está a referência aos fundos comunitários?


Aposto o que quiserem, porque é isso que está a dar. Como o país acredita que o Partido Socialista desperdiçou fundos, todos os partidos dizem que não se pode desperdiçar fundos. E são eles, supostamente, programas para quatro anos, quando se fundamentam na intriga dos últimos quinze dias.


Com efeito, os eleitores devem perder menos tempo com os programas e com os discursos. Devem procurar confiança na política e nos candidatos. Devem procurar os candidatos que pensam como eles. Pelo menos, o mais próximo deles. Quando não encontram, não são obrigados a votar. Nem branco nem nulo. Isso é outro disparate. É como entrar num restaurante para dizer não venho cá jantar porque não gosto da comida, boa noite.


Votar não deve ser uma obrigação. Votar é a maior manifestação de liberdade de um povo. Quem não quer votar, não vota. Pode sempre ir para a praia ler um livro, que também é cidadania.


Do Fanatismo - O verdadeiro crente e a natureza dos movimentos de massas

por Zé Pedro Silva, em 30.08.09


Publicado em 1951, numa altura em que as referências do fanatismo eram ainda o Nazismo e o Comunismo, Eric Hoffer, nesta aclamada obra, vem contextualizar o aparecimento e principais características dos movimentos prosélitos de massas de uma forma que lhe confere uma surpreendente actualidade.


A não perder!

Um país que vive de erosões

por Zé Pedro Silva, em 30.08.09




Podemos ver, nesta fotografia, um aviso da câmara de Cascais sobre, justamente, arribas instáveis. Ao lado, já a meio das escadas, segue uma família indiferente à placa e à instabilidade das arribas.


A fotografia é pobre, bem sei, mas observem, mesmo em frente, um calhau do tamanho do Brasil que ameaça dar razão à câmara de Cascais.


O que é isso para esta gente temerária? Bom, bom seria um cabo de alta tensão a serpentear junto à água.


Se algum respeito este país podia mostrar pelas vítimas da desgraça na praia Maria Luísa, despertar para os perigos da nossa costa e respeitar os avisos das autoridades já seria notável. Mas nem isso. Está-se tudo a cagar - perdoem-me o português.

A Reentré - Estudo Monográfico

por Zé Pedro Silva, em 29.08.09

A Rentrée...perdão, já estou a iniciar o meu contributo com uma terrível gaffe. Por momentos esqueci-me que a nomenclatura atribuída à tradição partidária nacional que marca o início  do ano político denomina-se de Reentré. Vocês não me conhecem mas eu cá não sou de intrigas e, jamais, seria minha intenção colocar em cheque a bondade de anos e anos de Reentrés que ao longo dos tempos têm vindo a ser realizadas e a alimentar a fome política de milhares e milhares de portugueses.


A questão que, por ora, se impõe é a de saber qual a melhor forma de alimentar esta fome que refiro e perceber a que critérios obedece uma decisão que distinga uma boa Reentré de uma má Reentré. Procurei resolver esta questão com recurso a todos os manuais de Ciência Política de que disponho...o problema é omitido. E agora? O que fazer? Será que gerações de politólogos foram incapazes de se debruçar sobre isto?!


Após profunda reflexão e uma deslocação à cozinha para me hidratar, eis que vivo o meu banho de Arquimedes (mais uma gaffe tremenda que estava prestes a cometer, já vai em duas...e logo no primeiro post...mau de mais para ser verdade), a resposta encontrava-se ali diante de mim. Manuais de Ciência Política para quê!? A fome política é alimentada exactamente da mesma forma que a outra...folheio o livro da Maria de Lurdes Modesto e imediatamente vejo que de política percebe ela.


Porco no Espeto ou Sardinhada?


Bem, continuo sem conseguir dar uma resposta cabal...intuo que a resposta também dependa da fome...política, claro....e agora vou consultar o guia de Reentrés para ver se também mato a minha...


Enganei-me ou está bem?

Ena tantos

por Zé Pedro Silva, em 28.08.09

Há novidades neste blogue. Para além de mim e do António Baptista – cuja raridade de posts faz do seu único trabalho uma peça valiosíssima – passará a colaborar com o Lóbi do Chá o meu amigo Filipe Bacelar.


Aproveito também para dizer que o alargamento vai continuar. Haverá, em breve, mais novidades.

Era da informação e da estupidificação

por Zé Pedro Silva, em 28.08.09

A notícia do Expresso sobre um camelo de 19 anos que chateia a sua avó para depois colocar os vídeos no You Tube – vídeos esses que são vistos e apreciados por milhares de pessoas – é mais uma prova de que a estupidez se está a banalizar.


Noutros tempos, quando não havia computadores, também havia estúpidos deste calibre, mas ficavam lá na vida deles, a importunar cobardemente as avós que, de tão boazinhas, não encontram coragem para lhes racharem a tola com um tacho.


Agora não. Agora estes camelos não só existem como são seguidos por outros camelos, formando assim um exército de camelos que já quase pode ser visto da lua.


Pode ser visto da lua, mas também no Expresso, que é outra coisa que eu não compreendo. Como é que o nosso mais influente semanário tem a lata de publicar uma anormalidade destas?


De resto, o Expresso, como o camelo, está a usar a imagem de uma pessoa que não autorizou este espectáculo degradante nem tão-pouco sabe que representa o papel principal no triste filme que é a adolescência do seu neto.


Para mim é evidente que o Expresso não pode fazer isto. O camelo também não, mas casos perdidos é outro departamento. Agora, o Expresso não pode fazer isto. Isto não é liberdade de informação, não é coisa nenhuma. Será apenas um patrocínio ao camelo, que vá lá alguém compreender.

Um metro e cinquenta e sete

por Zé Pedro Silva, em 27.08.09


Na verdade, o presidente russo não precisava de se agachar.


[Fotografia: Reuters]

Política de verdade com o rabo de fora

por Zé Pedro Silva, em 27.08.09

A madame que há uns anos assinava, em nome de Portugal, o compromisso de construir um TGV com cinco linhas, disse hoje, na apresentação do seu programa:


- … suspenderemos de imediato o megaprojecto do TGV…


A sala rompeu em aplausos, mas a líder ainda não tinha acabado.


- … sujeitando-o a uma reavaliação…


Ah. E calcula-se que, em ganhando a madame, depois da reavaliação lá virá o TGV. E a mesma sala romperá com os mesmos aplausos. É o que temos.



[O vídeo deste pedaço de magia está disponível no Arrastão.]

A varanda podia esconder espiões

por Zé Pedro Silva, em 27.08.09

Acabar com as marquises é uma ideia poética. Em Portugal, até o presidente da República ganhou uns metros quadrados com a caixilharia. Foi aí, aliás, que as televisões conseguiram a primeira imagem de Cavaco depois de conhecer os resultados das eleições: estava então na marquise presidencial.

Governo hole-in-one

por Zé Pedro Silva, em 27.08.09


Deus Pinheiro acredita que «seria muito benéfico uma coligação PS-PSD». Se Deus Pinheiro não quisesse dominar o Estado – com o conforto de um bloco central coeso que pudesse proteger o seu swing das agruras de uma governação minoritária – é que a gente se admirava.


Ele lá dirá que é a bem da estabilidade política, do desenvolvimento do país e da segurança das instituições democráticas, mas ninguém acredita que não seja a bem do seu handicap.

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