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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Dos cumprimentos (inclui ensaio sobre o réveillon)

por Zé Pedro Silva, em 31.12.09

Razão tem quem diz logo “tudo de bom”. Isto porque, quem não tem coragem de o dizer é obrigado a cumprimentar permanentemente as pessoas com “bom dia” de manhã, “boa tarde” à tarde, “boa noite” à noite e “bom ano” no 31 de Dezembro, entre muitos outros “bons”.


Daqui resulta que quem consegue dizer “tudo de bom” arruma logo com o universo de cumprimentos, seja manhã, tarde ou noite, fim de ano ou Carnaval.


É incrível este trabalho de eficiência social e cultural, que poderá ter influência no aquecimento global, é só esperar que tal estudo ocupe as páginas da imprensa mundial – passe a rima, porque isto de falar em rima também é típico de quem diz “tudo de bom”. E devagarinho vamos entrando no espírito e adoptando uma postura mais fofa, onde rimamos, desejamos tudo de bom e mandamos muitos beijinhos.


Bom, mas a passagem de ano é um fenómeno de calendário menos frequente e por isso merece um tratamento especial. O resumo de tudo a um só cumprimento geral e abstracto funciona melhor no quotidiano, apesar da evidente sobrevalorização da passagem de ano.


Quem é que inventou isto dos anos, dos dias e das horas? Um tarado pela arrumação, está claro. Um tecnocrata. Um indivíduo monótono e rotineiro. Alguém sem a mínima noção de tempo.


Prefiro, por isso, entender a passagem de ano como o único dia em que se pode ir às compras e gastar mais dinheiro em bebida do que em peixe. Olhar de esguelha a dourada, por causa do seu quilo a quase um conto de réis, com o carrinho cheio de champanhe e vinho, é luxo a que só nos podemos dar quando estamos perante um acontecimento universal que não tenha origem terrorista. É evidente que não podemos correr ao champanhe e ao vinho quando dois aviões de passageiros embateram numas torres no coração da América. A não ser que estejamos nos andares mais altos.


Bom ano.

É umas atrás das outras

por Zé Pedro Silva, em 31.12.09
Acabo de ouvir falar na "crise dos vegetais". Diz que foi do tempo.

Não há electricidade aí? Olhe, temos pena

por Zé Pedro Silva, em 30.12.09

A EDP, mais barragem menos barragem, é uma empresa pública e deve comportar-se como tal. A EDP não pode aparecer no mercado como se fosse uma participada do grupo Sonae ou um investimento do comendador Berardo.


A EDP é uma empresa pública que explora um bem essencial, em ambiente de agradável monopólio – só abalado por esse pujante mercado das velas de cheiro, que acaba por afectar mais o negócio dos ambientadores.


Assim, não me parece admissível que a EDP apareça no Oeste a dizer que não tem nada a ver com aquilo. Tem a ver com aquilo, claro que tem, mesmo não tendo. Explico: a responsabilidade até pode ser do senhor São Pedro ou da REN, mas aquelas pessoas ficaram sem energia e a EDP é a prestadora de serviço.


Como pode não ter a ver com aquilo? Se aquelas pessoas tivessem ficado sem água, nesse caso sim, a EDP podia dizer que não tinha nada a ver com aquilo, embora não lhe ficasse mal passar a chamada. Mas a partir do momento em que alguém fica sem energia neste país, o problema é da EDP.


Se depois a EDP pode ir pedir contas a outra entidade, sobrenatural ou comercial, isso é lá entre elas, não é com certeza problema dos seus clientes, que legitimamente reclamam uma compensação pelo período em que ficaram sem energia.


Será que custa assim tanto ter outra atitude no mercado? Será que a gestão tem de ser sempre igual, avarenta e gananciosa, fitada exclusivamente em brilhar na apresentação de resultados? Então não precisamos de gestores, precisamos de criar um algoritmo.

Ordem do dia

por Zé Pedro Silva, em 29.12.09

Professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores, professores.


Os professores até podem conseguir a melhor revisão do estatuto da carreira docente e o modelo de avaliação mais favorável, mas duvido que depois deste regateio consigam ter a simpatia do país. Já se sabe que das mais variadas lutas dos sindicatos, não consta o prestígio.

Enorme, senhor Pongolle, enorme

por Zé Pedro Silva, em 28.12.09

Pobre daquele rapaz que chegou hoje a Lisboa para jogar no Sporting, porque ainda não sabe falar Português. Disse que “o Sporting é um clube muito grande”, mas claro que queria dizer que “o Sporting é um clube enorme”.

Tempo de se falar do assunto, agora sem ondas

por Zé Pedro Silva, em 28.12.09

Chegou-me mais um relato, feito na primeira pessoa, de um assalto violento. Não estamos a falar de carteiristas de gorro, que com isso podemos nós muito bem. Estamos a falar de assaltos muito mais violentos e premeditados.


Há alguns meses, o país discutiu com intensidade a segurança interna. Foi quando dois meliantes assaltaram um balcão do banco Espírito Santo e sequestraram, durante longas horas, clientes e funcionários. A este acontecimento juntaram-se o sumiço de caixas multibanco com a ajuda de automóveis surripiados e uma catadupa de roubos a bancos e correios.


Essa discussão viria a ser absorvida pela certeza inabalável de pessoas que defenderam estar-se perante uma campanha da comunicação social. Segundo eles, não havia qualquer onda de violência, havia apenas mais notícias.


Calou-se então a discussão como se calam todas neste país e o país ficou sem saber, como fica sempre, se havia ou não motivos para preocupação. Crime ou fumaça, ninguém sabe. Ninguém se entendeu, como é costume. Uns diziam que eram outros. Outros diziam que eram uns.


Mas a verdade é que, com ou sem ondas, com ou sem notícias fabricadas, encontramos vítimas de uma criminalidade muito mais violenta – que o ministro admitiu existir, gabe-se-lhe a coragem de não ter culpado a imaginação policial de quem manifestou preocupação.


Interessa agora, por isso, e sem ruído político-partidário – antes, com rigor técnico e responsabilidade cívica – saber o que se está a fazer em matéria de segurança interna. Interessa saber qual o rumo do Governo nesta área, quais as opções que tomámos e de quais abdicámos. Mais uma vez – sublinhe-se – sem ruído político-partidário, porque o país já sabe que a oposição tem sempre as melhores propostas e que o Governo faz sempre o que é possível fazer.


Certo, isso já o país sabe. Importa agora discutir seriamente o assunto, porque falta pouco para ser tarde. Já nem é preciso ler notícias ou analisar gráficos, basta olharmos à volta.

Sei de quem também pediu isto

por Zé Pedro Silva, em 27.12.09

[Fotografia: Reuters]

Chasing rabbits

por Zé Pedro Silva, em 26.12.09

A paranóia à volta do blogue Câmara Corporativa é das coisas mais cómicas da blogosfera portuguesa. E aquilo até podia ser um malévolo instrumento do Governo, que nem isso salvava os seus “admiradores” do ridículo.

Senhor Acnur

por Zé Pedro Silva, em 26.12.09

Seguir o país pelos jornais e o rigor

por Zé Pedro Silva, em 26.12.09

“Segundo soubemos ontem pelo Expresso” – foi assim que alguém do Bloco de Esquerda se referiu à quebra no investimento público em Portugal, na última década, que ontem “soube pelo Expresso”.


Isto é muito extraordinário. “Segundo soubemos ontem pelo Expresso” é um sinal claro do rigor a toda à prova que se reconhece à classe política.


Tenho para mim que os partidos e os políticos deviam conhecer melhor o país que qualquer trabalho jornalístico, mas parece que também o seguem pelos jornais.


Talvez por isso, quando chegam ao poder, começam sempre por bradar aos céus a balbúrdia que encontram, três vezes pior que a que algum dia tinham imaginado. Podem sempre dizer que andavam a ler o jornal errado.

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