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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Cygnet

por Zé Pedro Silva, em 27.02.11

 

Parece que já está em Lisboa o Aston Martin com o tamanho certo para a Baixa.

Grande surpresa, grande segredo, grande escândalo

por Zé Pedro Silva, em 26.02.11

Mas que grande escândalo. A malta da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa diz o que todos os portugueses dizem sobre imensa coisa. Venderam-nos segredos, revelaram lana caprina.


Já se sabe que imagem de Portugal no exterior é péssima e tem vindo a piorar. A culpa é dos políticos e das suas opções.

Recentemente, uma semana longe deste encantador território foi suficiente para perceber que, sobre a crise em Portugal, o que se dizia lá fora era «mas o que é que aqueles malucos estão a fazer, pá!?». Esta leitura era relativamente consensual. Não foi possível encontrar uma única pessoa que concordasse com a nossa estratégia. Isto deve dar que pensar, ou não!?

Entretanto, cá dentro ouvia-se «vamos vencer», «olhem esta procura pela nossa dívida», «já nos sáfamos», «queriam comer-nos, mas não se metam connosco», etc..

Ora, nestas condições, não é difícil passarmos por parvos. E não é surpresa se o escarrapacharem em telegramas confidenciais. 

Não é o desporto-rei. É o rei.

por Zé Pedro Silva, em 26.02.11

Setecentos e quarenta quilómetros depois, chego a casa e procuro saber notícias sobre a Líbia, num canal de notícias português. Em vez de notícias, lá estava um palerma a dizer que “o Futebol Clube do Porto conseguiu” qualquer coisa que eu não ouvi porque mudei antes de beber da sabedoria do palerma sobre o aquilo que o Futebol Clube do Porto terá conseguido.

Os canais de notícias portugueses passam a maioria do tempo a discutir política partidária nacional e futebol. Pode haver programação mais deprimente? Não conheço.

Vissi d'arte

por Zé Pedro Silva, em 26.02.11

Um processo kadafdiano

por Zé Pedro Silva, em 26.02.11

 

A CNN e a Sky News, que até o resgate de um gatinho de uma árvore transmitem em directo, com grande aparato, num especial breaking news, estão completamente às escuras na Líbia. Vão passando as mesmas reportagens. Devem ter pouco mais de quinze minutos de vídeo, catorze deles amadores e não confirmados.

O regime decadente fechou-se bem. A escuridão é total. E assim se mede a relevância da imprensa nestes casos. A verdade é que não sabemos - não se sabe - o que se está a passar na Líbia. Imagens não há e a contra-informação é grande.

Os insurrectos estão completamente sozinhos. Boa sorte.

Falar com muita propriedade... intelectual

por Zé Pedro Silva, em 25.02.11

No Governo Sombra, que passa na TSF, fui dar com Ricardo Araújo Pereira a falar da fuga aos impostos, dos capitalistas, dos banqueiros e dos paraísos fiscais. Foi também possível perceber, pelos comentários de outro “ministro sombra”, que é costume o gato Ricardo levar esses assuntos para o programa.

Não deixa de ser curioso, Ricardo Araújo Pereira, que declarará os seus rendimentos ao abrigo da “propriedade intelectual”, acusar os empresários, os banqueiros e os capitalistas de todos estes crimes fiscais e sociais.

Por que raio um artista, por ser artista, paga menos impostos que o público que diverte? A ideia é que a vida artística é frágil e incerta, como se as outras não fossem. Polícias, funcionários públicos, bancários, electricistas, advogados, carpinteiros, canalizadores, arquitectos, técnicos de gás, motoristas, relojoeiros, secretárias e empregados de mesa... todos pagam mais impostos que os “artistas”. Porquê? Será que a vida de toda esta gente não é incerta e dura como a dos grandes artistas?

Ricardo Araújo Pereira devia pensar duas vezes antes de criticar os regimes de excepção e os paraísos fiscais, porque é nesse mundo que vivem os artistas. Sobretudo Ricardo Araújo Pereira, cujo sucesso - merecido, de resto - não faz adivinhar uma situação difícil ou semelhante àquela que justificou a borla fiscal concedida à arte.

Saberá o gato Ricardo que a razão para os regimes de excepção dos bancos é o risco, justamente a mesma que deu origem ao regime de excepção dos artistas? Então? Nos bancos é pecado, nos artistas é solidariedade? Porquê? Porque os bancos facturam milhões e os artistas tostões? Tem graça, mas conheço muitos artistas que estão muito longe de se ficarem por tostões. Quanto perde o Orçamento de Estado com o regime de propriedade intelectual? Quanto custa ao grande público - a quem os artistas tantas vezes agradecem e deviam agradecer muito mais - a atençãozinha?

Pois é. Os banqueiros e os empresários lá fazem os seus negócios e procuram sempre pagar menos impostos. Mas não são os únicos, pois não? 

Una furtiva lagrima

por Zé Pedro Silva, em 25.02.11

Não há trabalho grátis

por Zé Pedro Silva, em 25.02.11

 

O primeiro-ministro anunciou hoje no Parlamento a intenção de proibição dos estágios profissionais não remunerados. Muito bom. Excelente. Mas depois também anunciou que a medida não abrangerá estágios de muito curta duração ou estágios curriculares. E pronto, está tudo estragado.

Porquê? Trabalho é trabalho e deve ser sempre remunerado, melhor ou pior. O que é isso da “muito curta duração”? Só se for mais um esquema para se poder fugir à regra de remunerar os estágios. “Se os estágios prolongados são remunerados, faço aqui cinco de curta duração e ninguém leva um tostão.”

Relativamente aos estágios curriculares, também é trabalho e deve ser remunerado. Os estudantes ganham experiência e currículo, é verdade, mas as empresas também ganham uma pessoa para tirar cafés e cópias. Logo, devem pagar, como pagam a todas as pessoas que lhes entram pela porta, sejam estudantes, estafetas ou directores.

Por que não grita, o primeiro-ministro, no Parlamento: “No meu país ninguém trabalha sem receber, a não ser os voluntários!”? Era logo, sem rodeios: "No meu país ninguém trabalha sem receber, a não ser os voluntários! E quem não gosta, desnacionalize a chafarica para o raio que a parta, porque quem pensa assim não interessa a nenhuma economia! Quanto mais desnacionalizados, melhor! Vão lá criar pobreza para os famosos "novos mercados"!"

[Imagem via Google Images.]

Vamos lá ver, de que concorrência falam?

por Zé Pedro Silva, em 25.02.11

 

Vamos lá ver uma coisa. Em tempos - em tempos do engenheiro Guterres, creio eu - liberalizaram-se os preços dos combustíveis. Havia muita gente que acreditava que isso ia resultar em melhores preços para o consumidor. É aquela ideia - não se riam - de que o mercado, qualquer mercado, funciona sempre.

A história, como se sabe, foi outra. E agora, verificando-se uma concertação de preços, ainda por cima altos, os que defendiam a liberalização dos preços chamam nomes à Autoridade da Concorrência, porque dizem que ela não regula bem.

Para mim, regular como agora se pretende, é fixar. É o Estado dizer “tu vendes por tanto, aquele vende por x e o outro por y, depois trocam para ninguém ficar a perder”.

Para além disto, não vejo, muito sinceramente, outra regulação possível para o que se passa nos combustíveis. Numa aldeia como é Portugal, como é que se pode praticar preços muito diferentes, sobretudo quando o produto vem quase sempre do mesmo sítio e às vezes até no mesmo barco?

A Galp, vá lá, a Galp podia eventualmente praticar preços mais baixos. Bom, mas isso seria o fim das outras marcas e a petrolífera nacional acabaria, muito provavelmente, acusada de dumping.

O que é que eu quero dizer com isto? É que temos um país pequeno - isto não é propriamente um continente - e não sei que grande variação de preços procuram. Podemos comprar gasolina mais pobre, talvez até com água, e pronto, seguimos sorridentes. Mas querer concorrência nos preços das principais distribuidoras é que parece, salvo melhor opinião, lunático.

Quando inventaram essa coisa maravilhosamente estúpida que são os painéis com os preços nas auto-estradas, alguém acreditou noutra coisa que não fosse o que se verificou? Que concorrência querem numa distância de 50 quilómetros? Menos quinze cêntimos por litro? Menos vinte? Menos cinco? Menos trinta? Isso só se consegue na fronteira entre Portugal e Espanha, sendo que a diferença, nesse caso, está nos impostos. De resto, com diferenças destas, o melhor é fechar uma das bombas.

Neste cenário, bater na Autoridade da Concorrência é puramente sádico. Quem defende a “regulação”, defenda logo, mas é, a fixação do preço. Não tenham medo! Digam: fixação! Não batam mais no homem da concorrência, porque ele não pode fazer nada: os mercados são como são e o dos combustíveis, em Portugal, é assim. Sempre foi e tem mesmo de ser. Houve um tempo em que o preço era fixado pelo Estado. Agora é fixado pelas distribuidoras. E amanhã até pode ser fixado pelo tal regulador, mas esqueçam a concorrência, porque se pudesse haver, havia. O mercado não funciona sempre? Então...

O amor, o amor

por Zé Pedro Silva, em 24.02.11

 

Estava aqui a ler que o Ronaldo ofereceu uma jóia à sua noiva no valor de cento e cinquenta mil euros e assaltou-me a seguinte questão, no valor de um milhão: Se Cristiano Ronaldo não fosse o grande futebolista que é - o melhor e provavelmente o mais rico do mundo - se fosse apenas um chavalo pobre da ilha da Madeira, teria ele conquistado Irina?


Que se tinha apaixonado por ela, imagino que sim, porque todo o mundo da idade dele está caído por Irina e até aqueles que são um pouco mais vetustos eram capazes de se perder pela russa, mas será que ela se apaixonaria por ele?

Imaginem o Cristiano na rua, com os amigos, vindo do estaleiro onde é aprendiz de soldador, e a encantadora Irina, esplendorosa, a sair do hotel debaixo de flashes. Cristiano gritava «és linda, miúda, queres ir comigo ver as Levadas?».

Qual seria a resposta de Irina? Provavelmente nem olhava para o "marginal". Mas eu não condeno Ronaldo. Teve muita sorte e está a aproveitar tudo aquilo que um chavalo da Madeira não tem: casas, carros, dinheiro e top models russas.


[Imagem via Google Images. Podem imaginar a dificuldade que tive em ilustrar este post. Estou há mais de 48 horas a ver imagens desta rapariga. Ela fica mal em quase todas.]

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