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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Dos arcaboiços para cumprir obrigações

por Zé Pedro Silva, em 31.03.11

Amanhã mesmo, vou apresentar à minha gerente de conta um pedido de financiamento para aquisição a 48 meses do meu merecido Bentley. A resposta chegará, para a semana, com a recusa da parte do banco em financiar-me, facto que obrigará a ilustre bancária a comunicar-me que não tenho “arcaboiço” financeiro para uma coisa daquelas.

«Então e o banco da menina, que vale “lixo”, segundo todas as agências de rating deste mundo?» - é o que tenciono dizer-lhe.

And then a hero comes along

por Zé Pedro Silva, em 31.03.11

Há variadíssimas razões para eu ter um profundo apreço por Sílvio Berlusconi. Politicamente não me pronuncio, porque nós portugueses, com a classe política que arranjámos, não podemos falar mal de ninguém neste mundo, nem da Al-Qaeda.

Mas como pessoa, Berlusconi é um ser humano quase perfeito, eu diria. Sobre os escândalos sexuais de que é acusado e por estes dias julgado, o chefe de Governo italiano disse, durante uma conferência de imprensa sobre imigrantes ilegais vindos do norte de África, o seguinte: «De acordo com um inquérito, quando questionadas se gostariam de ter sexo comigo, 30% responderam que sim e as restantes 70% perguntaram "O quê? Outra vez!"».

Nossa, como eu gostava de pagar os meus impostos a este homem!

Porquê nuclear?

por Zé Pedro Silva, em 30.03.11

Artigo de Carlos Serradas

 

A conversa do nuclear em Portugal já chateia e ao fim de tanto tempo ainda ninguém conseguiu explicar o porquê (ou o “porque não”) da aposta no nuclear…


Depois de ler mais uma entrevista do Dr. Patrick Monteiro de Barros (Diário Económico, 23/03/2011) fiquei tão irritado que, ou partia o computador, ou escrevia qualquer coisa sobre o assunto. Felizmente para o meu computador, optei pela segunda.


Antes de mais, façamos um pequeno resumo do nuclear.


O princípio de funcionamento de uma central nuclear é relativamente simples. A electricidade produzida numa central nuclear é, basicamente, resultante de vapor. A “água” é aquecida, torna-se vapor, passa por uma turbina onde se expande e o movimento da turbina gera electricidade. Este é, aliás, o princípio de funcionamento das centrais térmicas. A diferença está, portanto, no modo como a “água” é aquecida. Numa central a carvão, o calor para tornar a “água” em vapor é fornecido pela combustão do carvão. Numa central nuclear o calor é obtido através da fissão do núcleo do átomo de urânio.


Um átomo é composto por 3 partículas: os electrões, os protões e os neutrões, com cargas negativas, positivas e neutras, respectivamente. Os protões e os neutrões estão juntos, formando o núcleo do átomo, e os electrões giram loucamente à volta deste. Dito isto, passemos à culinária:


Pegue num neutrão, acelere-o a grande velocidade e atire-o contra um núcleo (composto por neutrões e protões) do átomo de urânio. Com o choque, acontecem duas coisas; 1) o núcleo divide-se em dois núcleos mais pequenos e; 2) liberta-se uma grande quantidade de energia (os protões e os neutrões estão agarrados no núcleo à conta de uma energia brutal) e mais neutrões. Como há muita energia e mais neutrões soltos, o que vai acontecer? Mais neutrões vão chocar com mais núcleos e tudo se vai repetir, originando uma reacção em cadeia que liberta uma quantidade brutal de energia (na forma de calor) que, em “contacto” com a “água”, vai gerar o vapor… Um pequeno pormenor: neste processo, e pelos materiais utilizados, liberta-se radiação nuclear, coisa que com café e bolinhos não vai bem…

 

Quando se quer parar a reacção o que se faz? Não faz… É a diferença para as outras centrais térmicas. Numa central a carvão, se quiser parar de produzir calor basta deixar de meter carvão. Claro que é possível parar uma central nuclear, mas é bicho que demora a parar. Como é libertada muita energia, é necessária uma grande quantidade de água para ir arrefecendo a criança (por isso estão sempre perto ou do oceano ou de grandes massas de água). Se aquilo aquece muito, as coisas começam a derreter e a reacção fica descontrolada até que… Chernobyl!

 

O que aconteceu agora no Japão foi que, com o terramoto e o tsunami, os equipamentos que serviam para arrefecer a central avariaram e portanto não havia como arrefecer…

 

Passemos então à entrevista… Logo na primeira pergunta, o Dr. Patrick Monteiro de Barros (PMB) diz que num congresso de petróleos foi apelidado de traidor porque disse que «era indispensável que o nuclear tomasse uma parte importante [na discussão do problema energético global]». Não podia estar mais de acordo. Começo já por dizer que acho que faz todo o sentido utilizar electricidade de origem nuclear! Há países, principalmente os grandes, que precisam mesmo de uma fonte de energia como o nuclear. Estamos a falar de uma fonte de energia relativamente barata (já lá vamos), que não depende sempre dos mesmos (Médio Oriente), muito constante e relativamente segura. Agora, se Portugal precisa de energia nuclear é que são outros quinhentos…

 

Depois, PMB continua: «Venderam ao público a ideia de que uma central nuclear era uma potencial bomba atómica». E é mentira? Muitos países desenvolveram bombas atómicas encobertos por programas pacíficos de centrais nucleares (Israel, África do Sul, Paquistão, etc.). E como conseguiram fazer isso? É fácil, é que o princípio é o mesmo! Só que num caso o processo é relativamente controlado e a energia libertada é usada para aquecer “água”, enquanto no outro é uma reacção limitada no tempo e a energia é utilizada para fazer um cogumelo no céu…

 

Mais à frente diz, aparentemente irritado, «Mas quais riscos? Tudo tem riscos! Uma refinaria tem riscos, uma barragem tem riscos. São dezenas de milhares de mortes que se verificaram no mundo ocidental com barragens que ruíram, quase sempre na sequência de terramotos». Outra grande verdade, tudo tem riscos. Há é uns maiores que outros… Uma barragem pode ruir com um terramoto? Pode, tal como uma central nuclear pode ir de vela. A diferença é que, apesar das vítimas (não vou entrar em contabilidade mortuária), depois da barragem ruir a malta seca a roupa e no ano seguinte ou no outro está a reconstruir tudo e a seguir com a vida; já se uma central nuclear for à vida…

 

Logo para começar, uma área com alguns km2 fica restrita para sempre. Depois, a radiação passa para o oceano, mar ou rio que era utilizado para a arrefecer, continua pela nuvem radioactiva que “infecta” as pessoas, culturas, etc.. Pessoas que, em contacto com altos níveis de radiação nuclear, tem uma tendência enorme para desenvolver todo o tipo de cancros e de malformações, coisa que passa muitas vezes às gerações vindouras. Resumindo, é coisa para incomodar um pouco, ainda mais num país com uma área tão diminuta como Portugal…

 

O argumento geralmente utilizado de que já corremos esse perigo à custa das centrais espanholas é verdadeiro, mas ao mesmo tempo muito estúpido. Ou seja, é verdade que se uma central espanhola for à vida podemos ser afectados, mas é estúpido dizer que, já que seríamos afectados, então vamos construir outra que, se correr mal, ainda nos afecta mais. É um bocado como dizer que andar de mota é perigoso mas há muita gente que anda de mota, conclusão, vou comprar uma moto. Não passo a correr mais perigo?

 

Continuando. Referindo-se às centrais do Japão e à maioria das actuais centrais europeias, diz: «Estamos a falar de centrais nucleares de segunda geração (as tais que têm 40 anos)». É natural que estejamos a falar destas centrais, até porque as EPR (de terceira geração) são recentes e têm dado muitos problemas a construir, que o diga a Finlândia e a França, em que o valor de construção derrapou 100%, ou seja, uns milhares de milhões de euros a mais (era para ser 3.300 milhões de euro e já vai em 6.000)… coisa pouca. E aqui entramos numa das grandes vantagens do nuclear, o custo da energia produzida.

 

A grande razão para os pró-nuclear (e eu não sou de todo anti-nuclear, apenas anti-nuclear em Portugal, como vou explicar mais à frente) e para PMB é o custo da energia produzida. A energia de origem nuclear é realmente relativamente barata. Mas como se fazem essas contas? Então, à merceeiro, pega-se no valor de investimento, soma-se os custos de combustível, operação, manutenção e todos os custos associados ao funcionamento de uma central nuclear, divide-se pela energia produzida na sua vida útil e obtém-se o custo por kWh, que, segundo dizem, deve rondar os 3,5 cEUR/kWh. O problema é que, nesta conta, os pró-nuclear esquecem-se de somar valores que ninguém sabe bem quanto valem… Como por exemplo, ao construir uma central nuclear é necessário ter um centro especializado para controlar, medir, prever e controlar tudo o que acontece naquela central, e isto representa muito, mas muito dinheiro. É preciso, como em todas as centrais de produção de energia, ter alguém que segure a central em caso de risco. Qual é a empresa no mundo que se responsabiliza por uma central nuclear? Nenhuma. Quem assume esses custos é o Estado e isso tem um custo muito, mas mesmo muito elevado. Basta pensar em quanto vai sair ao Estado japonês arranjar, indemnizar e, eventualmente, reconstruir aquilo. Por outro lado, uma central nuclear, por ser o alvo terrorista mais apetecido pelos estragos que causaria a uma país, tem de estar guardada 24 horas por dia. E não é pelos senhores da Prosegur, é por militares, exército, marinha e força aérea. Quando há uns anos visitei uma central nuclear no Norte de França o responsável dizia que tinham dois jactos de prevenção constantemente, caso algum aparelho tivesse a veleidade de voar mais próximo do que devia da central. Esta prevenção, como se imagina, tem custos enormes.

 

E qual o custo de eliminação dos lixos radioactivos? Ninguém sabe… Só para se ter uma ideia da persistência do raio nos lixos radioactivos, um dos estudos que o Estado francês fez para decidir o que fazer àquilo foi: que linguagem escrever nos contentores de depósitos para explicar que não é suposto mexer? É que aquele lixo pode continuar radioactivo durante muitos anos. Então, que símbolo ou linguagem se utiliza para explicar que “é melhor não abrir a tampa”, a uma pessoa que, daqui a 1000 anos, dê de caras com o contentor? Se se juntarem estes custos ao custo de uma central que já não é barata em si, então duvido que a electricidade fique assim tão em conta…


Nuclear em Portugal

 

Para terminar, que isto já vai longo, vamos à questão do nuclear em Portugal. O nuclear é o relógio suíço das fontes de produção de electricidade. Aquilo não pára e não falha. Está sempre a produzir! Até porque não pode parar… Das 8760 horas que há num ano, uma central funciona mais de 8000, sendo as paragens programadas para manutenções. É esta constância que os defensores do nuclear vangloriam. O problema de que às vezes se esquecem é: na electricidade, a produção deve igualar o consumo, a todo o instante. A electricidade não se armazena, pelo menos eficientemente, portanto quando eu quero ligar o PC para ver mais uma vez a conferência de imprensa do Futre, tem de estar uma central a funcionar para me dar essa electricidade que eu decidi utilizar. Tudo o que se produzir a mais do que o consumido vai ou para exportação ou para aquecer os passarinhos. Tudo o que se produzir a menos do que o consumo, a linha cai imediatamente. Por isso, o gestor da rede tem de fazer previsões para o consumo, o que, apesar de individualmente ser difícil, globalmente, para um país, pode ser relativamente previsível, e portanto o gestor da rede tem já uma ideia de quais as centrais que vão estar a funcionar, deixando umas quantas de prevenção para, caso apareça algum imprevisto, telefonar e gritar “liga!”.

 

O perfil de consumo diário de Portugal para um dia de Março de 2010 é o seguinte:


 

Neste diagrama repara-se que, durante o dia, o consumo é muito maior que à noite, depois há uma ligeira diminuição durante a hora de almoço, e o pico dá-se quando a malta chega a casa à noite e liga as luzes, aquecedores e a TV para ver o Preço Certo.

 

Lembram-se da grande maravilha do nuclear e do seu funcionamento ininterrupto? Ora essa grande maravilha é que mata a utilidade do nuclear em Portugal… Se uma central vai estar a produzir sempre, então não pode produzir mais do que o mínimo do consumo diário, porque senão chega à noite e o nuclear está a produzir para aquecer os passarinhos. Em Portugal, esse consumo mínimo, chamado base, é muito baixo, porque nós somos relativamente poucos. Ainda por cima, e por azar, como estamos na ponta, não podemos naquelas horas da noite vender aquilo a ninguém, porque a nossa interligação é só com Espanha, que também não precisa de muito àquela hora…

 

A central nuclear que o PMB preconizava para Portugal tinha uma potência de 1.600 MW, ou seja, do consumo base de aproximadamente 3.500, só esta central representaria quase 50%. Então, se se construísse uma central nuclear, o que se fazia às outras centrais que hoje fazem o nosso consumo base? Vamos supor que se deitavam fora, o que seria muito estúpido. Então, se se deitassem fora, o que se fazia nas 760 horas anuais em que a central ia para manutenção? Acendia-se uma vela? Isto é que irrita na conversa do nuclear em Portugal… Não faz sentido ter nuclear em Portugal, nem é por ser perigoso, caro, barato ou o que quer que seja, é simplesmente porque nós não temos ainda dimensão para isso. Há de facto países mais pequenos que nós, ou semelhantes, com centrais nucleares, como a Bélgica, por exemplo. A diferença é que eles fazem fronteira com muitos países e a política energética é concertada com os seus vizinhos, portanto, quando chega a hora de despachar electricidade à noite, é só mandar para França. É isso ou inventar consumos à noite para justificar uma central… podíamos sempre iluminar os milhares de km de auto-estradas que temos…

 

Assumam que querem o nuclear em Portugal para fazer negócio e não venham dizer que é para o bem do país. Não faz mal venderem uma coisa má, o álcool também não faz bem e eu contínuo a comprar. Mas se me tentassem vender cerveja a dizer que emagrecia, aumentava a esperança de vida e regenerava o fígado, era capaz de estranhar…

 

carlos.serradas@gmail.com

Optimismo

por Zé Pedro Silva, em 29.03.11

Vamos lá ver uma coisa. Há algo de muito positivo se o rating da República passar a “lixo”. Não podem baixar mais! Já imaginaram? Não nos baixam mais o rating! Até podemos fazer nha nha nha nha nha às agências...

Se o nuclear não nos liquidar, seremos nós mesmos

por Zé Pedro Silva, em 29.03.11

Numa altura em que o futuro assoma sombrio, em que a Humanidade definha, em que os valores se perdem e a natureza se mostra... o que nos faltava mesmo era a imagem de Gandhi enrolado com um arquitecto alemão.

Ao biógrafo que escreveu esta nova biografia do carismático líder indiano, e que descobriu as juras de amor eterno entre Gandhi e o tal Kallenbach, só me ocorre perguntar: e tu, com quem dormes fofoqueira?

Vou ali destruir umas ilhas, com uma notícia, e já venho

por Zé Pedro Silva, em 28.03.11

Será que quem escreve e publica a notícia de que a radioactividade chegou aos Açores avaliou as consequências do seu “furo”? Isto porque, na verdade, não há radioactividade nenhuma nos Açores. Lá que um cientista tenha mandado um balão para o ar, que lhe trouxe micro coisinhas que tinham lá outras micro coisinhas levemente radioactivas, isso não justifica o anúncio de “radioactividade nos Açores”. Até o flato de um boi é mais grave e ameaçador.

Bom, mas a inutilidade da notícia podia ser inconsequente. Mas não é o caso. Esta notícia pode prejudicar a economia dos Açores, sobretudo no que ao turismo e à agricultura diz respeito. Como é evidente, nos próximos mil e quinhentos anos, os histéricos dos centros urbano-depressivos que buscam a assepsia na imundície vão fugir de tudo o que seja açoriano. Nem viagens, nem queijo, nem leite. Nada! Os Açores têm radioactividade!

Com a breca, isto está cada vez mais estúpido. Está-se bem é nos Açores, está-se, está-se.

Se as eleições fossem hoje...

por Zé Pedro Silva, em 28.03.11

Nas sondagens que andam a fazer... ponham lá o FMI como opção, que é para verem quem é que ganhava com maioria absoluta.

Teleconfiança

por Zé Pedro Silva, em 27.03.11

Os militantes do PSD em Paris reafirmaram a sua "confiança" num governo liderado por Pedro Passos Coelho como "única solução para salvar o país", afirmou hoje à Lusa o deputado Carlos Gonçalves.

 

Pois, em Paris eu também confiava num governo liderado por Pedro Passos Coelho. Por muitas asneiras que faça, dificilmente chega lá. Bom, e daí não sei.

Uma cartinha para cada um

por Zé Pedro Silva, em 25.03.11

Parece que, mesmo sem dinheiro para mandar cantar o Vítor Constâncio, o Estado vai enviar uma cartinha a cada cidadão, com o respectivo número de eleitor. Tudo isto porque, nas eleições anteriores, as pessoas não sabiam, ninguém explicou, o portal estava lento, e portanto deve ter havido duas a três pessoas que não conseguiram votar.

A oposição, no cumprimento da sua missão, atirou-se ao ar, porque compete à oposição atirar-se ao ar sempre que vê um trampolim. - O quê? Os portugueses não conseguiram votar? - Pensaram os líderes da oposição e pronto, os partidos lá enviaram os seus apaniguados para a frente das câmaras, com ar pesaroso, uns a lamentar, outros revoltados.

No que à democracia diz respeito, as pessoas não conseguirem votar é mesmo o mais grave que pode acontecer. Mas uma coisa é não se conseguir votar porque o governo enviou dois fulanos de fato escuro lá casa partir-me as pernas, outra é o portal estar lento durante um pico de pesquisas.

Seja como for, a carta é ainda mais estúpida agora, que o problema foi amplamente divulgado e o portal, provavelmente, apetrechado. Se há momento na história da democracia portuguesa em que não é necessária uma carta do Estado com o número de eleitor, é agora.

Mas isto é em teoria, porque na prática acredito piamente que o problema pode repetir-se, com milhares de eleitores sem saber o seu número, fulos à porta das mesas de votos, e recusando-se a aceder ao portal, "porque já da outra vez foram enganados".

Se as pessoas podiam ir ao computador ver o número de eleitor, hoje mesmo, apontar no telemóvel e poupar uma bátega de euros ao erário público? Podiam, mas não era o mesmo povo.

Quem nos tramou?

por Zé Pedro Silva, em 24.03.11

Vamos lá ver uma coisa: O que é que nos aconteceu nos últimos meses? Sim, porque sempre fomos grandes gastadores, nunca produzimos nada que se visse, portanto, pergunta-se: O que é que se terá passado para estarmos, de repente, nesta embrulhada tremenda?

 

Em princípio devia estar tudo calmo, com um défice medonho, mas a malta toda a mamar na teta do Estado, todos a dizer mal de tudo, enfim, devíamos estar a exercer o nosso salutar portuguesismo.

 

Mas não. De um momento para o outro, encontramo-nos na maior crise social, política, financeira e económica da história de Portugal - ou seja, já não nos emprestam dinheiro. O que é que se passou, afinal?

 

Apenas isto: Metas para reduzir o défice. Foi isto que nos tramou. Isto, portuguesas e portugueses, é o nosso inimigo público número um. Metas para reduzir o défice, não esquecer. Se as virem, matem-nas. Atenção, não as executem, que para isso já há muitos candidatos. Matem-nas. Ali mesmo. 

 

Ora, quem aceitou estas metas da União Europeia para reduzirmos o nosso défice, estava louco. Reduzir o que nos custou tantos anos a fazer, assim, num par de anos, é o mesmo que dizer “fim”. A Europa não podia ter pedido, nunca, uma coisa destas.

 

Cortes drásticos na despesa do Estado? Sim. Redução sustentável - sublinho sustentável - dos défices públicos no velho continente? Sim. Garrotes orçamentais legais nos países mais avariados? Sim. Tudo, menos isto que nos estão a fazer a nós e a mais uns quantos desgraçados que não tarda também não são países.

 

Se a Merkel me tivesse dito, alguma vez, que eu tinha de ter o défice abaixo dos 3% em 2013, sabendo eu das consequências que isso teria para os meus compatriotas, ter-lhe-ia transmitido, em nome do Estado português, o seguinte: «Olha Merkel, não te digo o que me vai na cabeça porque és uma senhora e eu um cavalheiro, mas deixa-te ficar aqui mais um bocado, que eu vou ali chamar o Berlusconi.»

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