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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Deixem cá a massa que a gente dá conta do recado

por Zé Pedro Silva, em 31.05.11

Na cabeça de algumas pessoas, a ideia de se nomear um alto comissário para começar a preparar a aplicação das medidas da Troika surgiu como um ataque imperialista à nossa pobre colónia. Este preconceito é muito comum. O nacionalismo, em Portugal, tem mais fãs do que se julga. Precisa é de sair do armário.


O Daniel Oliveira, por exemplo, deu ao seu post no Expresso, sobre este assunto, o seguinte título: “Comissário para uma colónia que se deixa tratar como capacho”.

Portugal, esse Estado Soberano que o Daniel Oliveira defende, assinou um acordo. Vamos repetir: assinou um acordo. Vamos pôr em letras grandes: ASSINOU UM ACORDO. Os governantes - eleitos legitimamente pelo povo - e pelo menos dois partidos da oposição - também eleitos pelo povo - assinaram um acordo com estes senhores. Vamos pôr em letras grandes: ASSINARAM UM ACORDO COM ESTES SENHORES.

Ora, o que estes senhores - a contraparte do acordo - vieram dizer, foi “vocês podiam nomear um alto comissário para ir preparando as medidas, pois os prazos são apertados e o próximo Governo tem de começar logo a trabalhar”.

Salvo melhor opinião, isto não é um discurso de imperador para a sua colónia, mas é um conselho que devíamos ter em conta, porque é do nosso interesse, mais muito mais do que do interesse da Troika.

Interrogo-me sobre se o nacionalismo do Daniel Oliveira ficará mais calmo só porque não se nomeou um alto comissário, e portanto, depois das eleições, o futuro Governo estará muito provavelmente em condições de incumprir o acordo, com todas as consequências que tal acarreta, nomeadamente no plano do financiamento imediato do país.

Já se imagina Portugal a falhar o acordo por pura incompetência, a não conseguir um segundo pacote de ajuda, a cair na verdadeira bancarrota, ficando sem se conseguir financiar nos mercados, nem nos bancos, nem nas instituições internacionais, mas o Daniel Oliveira e demais nacionalistas felizes, a celebrar, porque Portugal, mais uma vez, não se entregou a esse inimigo estrangeiro que ninguém sabe muito bem quem é, porque é qualquer um.

Ou não fosse a regra básica do discurso populista, também José Sócrates tem explorado, nesta campanha, o sentimento nacionalista e patriótico. O que é muito curioso, porque o país encontra-se no seguinte impasse: cumpre o acordo com a Troika e satisfaz as suas necessidades imediatas de financiamento, ou reestrutura a dívida, salta do euro e direcciona o investimento público para a produção nacional. (Sobre esta última medida, de direccionar o investimento público para a produção nacional, que é defendida pela extrema-esquerda e pela extrema-direita, era bom que explicassem como pretendem levar a cabo este investimento público, visto que não têm um tostão.)

Mas enfim, neste impasse em que Sócrates nos deixa, com mais ou menos culpa - ele diz que não tem culpa nenhuna, resulta tudo do chumbo do PEC IV - qual é a margem para acalentar sentimentos patrióticos de que “quem manda aqui somos nós”? Não somos, não. Quem manda aqui, durante uns tempos, é quem estiver disposto a emprestar-nos dinheiro. E mesmo a esses, que se compensarão pelo empréstimo, devemos estar agradecidos, porque podiam estar muito bem a investir em ouro, que dá muito mais que este país de grandes nacionalistas que nunca precisam de ajuda.

50%? Não será 5%? Ou mesmo 0,5%?

por Zé Pedro Silva, em 30.05.11

A partir de Julho, Lisboa vai proibir a circulação de veículos anteriores a 1992 (ou seja, sem catalisador) na Baixa. A decisão é boa, mas devia ter sido aplicada em toda a cidade; e sem excepções, como as que foram feitas: transportes públicos, veículos de emergência, carros históricos certificados, veículos de pessoas com mobilidade reduzida e moradores da zona.

 

Com tantas excepções, parece que criaram esta norma apenas para tramar o senhor Arnaldo e o seu Opel Kadett. No entanto, o vereador responsável garante que a medida vai reduzir a poluição naquela zona em 50%.

 

Não quero duvidar do senhor vereador, mas não me parece que 50% da poluição da Baixa seja da responsabilidade de veículos anteriores a 92, sem catalisador, que não sejam transportes públicos, veículos de emergência, carros históricos certificados, veículos de pessoas com mobilidade reduzida ou moradores da zona.

Cavaco largou um bocado o Facebook (e ainda bem)

por Zé Pedro Silva, em 30.05.11

 

O Presidente da República chamou ao Palácio de Belém os mais altos responsáveis pela Justiça, aqueles que estão permanentemente na comunicação social a trocar acusações.

 

A instabilidade no sistema judicial é grande e já merece, sim, a intervenção do mais alto magistrado.

 

Os poderes do Presidente, nestas coisas, são todos ou não são nenhuns. Pode partir a loiça toda ou partir loiça nenhuma. Por isso, um diplomático almoço de trabalho, para começar, não está mal pensado.

 

[Imagem: PR]

Pedir ajuda aos EUA ou ao Brasil ou a alguém...

por Zé Pedro Silva, em 30.05.11

O simpático Jerónimo de Sousa tem uma solução para o país e ela passa por reestruturar a dívida, pedir depois ajuda aos Estados Unidos, ou ao Brasil ou a outra qualquer economia emergente, de seguida apostar na produção nacional, explorando as suas potencialidades através do investimento público, mas “contando também com o investimento privado”.

 

E pronto, quem acha que isto é solução, é votar na CDU.

Em vez de sondagens...

por Zé Pedro Silva, em 29.05.11

Em vez de sondagens, a comunicação social podia realizar debates com especialistas das mais diversas áreas. Mas digo especialistas, especialistas. Não estou a falar daqueles especialistas simpatizantes destes ou daqueles partidos, que não se importam, por exemplo, de assinar manifestos martelados. Falo de especialistas mesmo, daqueles marrecos, arrumados em gabinetes escuros, mas que sabem muito.

 

São essas pessoas que nos podem elucidar sobre o futuro e sobre as escolhas que temos de fazer, não são seguramente os políticos, muito menos com a demagogia própria da campanha, nem os comentadores, com as sua leituras e interpretações multiusos e para todos os gostos.

 

Quantas horas se perdem a imaginar, a adivinhar ou a prognosticar o resultado de eleições, quando do que a democracia precisa é de conhecer a realidade da situação, nas mais diversas áreas, as saída possíveis e os conselhos dos especialistas sobre os melhores caminhos. É isso que os eleitores precisam de saber, não é que o PSD vai à frente ou que o PS está a recuperar.

Enigma

por Zé Pedro Silva, em 28.05.11

Qual foi o juiz que ouviu aquela miudagem que andou à batatada e publicou no Facebook, qual foi?

 

(Vá lá, esta é fácil. Só temos um juiz...)

Lisboa rampante

por Zé Pedro Silva, em 28.05.11

Grécia, mostra lá o que nos espera

por Zé Pedro Silva, em 28.05.11

Há uma coisa que sabemos. A nossa Economia não chega. As pequenas, as médias e as grandes empresas, as empresas estrangeiras, de todos os sectores, tudo junto, não chega para nos governarmos. A nossa Economia tem, por isso, de crescer. Tem mesmo de crescer e muito rapidamente, sob pena de irmos (mais uma vez) atrás da Grécia.

 

Então e… como é que crescemos rapidamente?


Será com o investimento público (TGV, novo aeroporto, etc.)? O investimento público ajuda, de facto, a Economia, mas para o realizarmos, neste momento, temos de pedir emprestado. Por outro lado, não interessa qualquer investimento público, mas apenas aquele que seja rentável. Senão o Estado investia 20 mil milhões a construir uma plataforma flutuante no meio do mar, sem qualquer utilidade, e pronto, durante 4 anos tínhamos trabalho para muita gente a construir a “nova ilha”.


Será que crescemos com as exportações? Claro que sim, crescemos, mas sobretudo equilibramos a balança. Aumentar as exportações é vital. Uma Economia pequena como a nossa, se não exporta… fica como se vê.


Mas o mais indispensável, para crescermos rapidamente e em força, é o investimento estrangeiro. Disso, sim, precisamos urgentemente. Precisamos de empresas que se instalem aqui e que aqui produzam os seus produtos transaccionáveis overseas. E como é que se atrai investimento estrangeiro? Criando boas condições.


É neste momento que devíamos pensar nos conselhos do FMI e da UE, traduzidos, por exemplo, num ponto do acordo que prevê uma forte redução da taxa social única. A discussão que se gerou em torno deste ponto, e que continua, é a todos os níveis lamentável. Quando se diz que a taxa social única só vai contribuir para os empresários portugueses (os actuais) meterem dinheiro ao bolso, demonstra-se que nem sequer se percebeu o alcance desta medida.


Estamos tragicamente endividados, precisamos urgentemente de crescer, e não conseguimos virar o país. Continuamos a correr em direcção à pobreza e à fome, porque é isso que está no fim do troço por onde segue a Grécia e Portugal, se não ganham juízo.


Nesta campanha, os partidos da governação podiam ter aproveitado para defender o acordo que assinaram, explicando ao país a necessidade de tais medidas, que não foram impostas por uma corja de malfeitores que só querem o nosso dinheiro, mas por um conjunto de excelentes técnicos que nos disseram “é assim que crescem” e se quiserem crescer assim, tomem lá dinheiro para levarem a cabo as reformas.


No entanto, já há partidos, nomeadamente o Partido Socialista, a dizer “alto aí, que isso da taxa social única não é para se fazer, porque não estamos a ver como será possível fazer esse investimento tão grande e que ainda por cima só serve para meter dinheiro no bolso dos ricos, e o que está no acordo é diminuir a taxa mas só o que conseguirmos e se conseguirmos”. É a célebre litigação lusa, presente em tudo e que esmifra a letra da lei até que diga aquilo que queremos.

 

Como é evidente, no próximo reforço do empréstimo, os senhores da Troika vão ter nos obrigar a inscrever o valor da redução da taxa social única, porque não se pode confiar na palavra dos governantes portugueses, que assinam um documento onde se comprometem com uma descida séria e depois, pouco depois, dizem “calma, porque está lá que a descida séria é só mediante 3 condições, que a malta não cumpre”.

 

Enfim. É melhor olharmos para a Grécia e percebermos o que lá se está a passar, porque se não crescermos, se não resolvermos os nossos problemas, é com aqueles cenários que também nos vamos defrontar dentro de pouco tempo.

O erro de Sócrates

por Zé Pedro Silva, em 26.05.11

Na minha singela opinião, a cúpula do PS já percebeu que perdeu as eleições. José Sócrates sabe que perdeu as eleições. Mas quando o líder do PSD aparece, dá aquela sensação de que “foi por pouco”. Ou seja, a cúpula do PS já percebeu que perdeu as eleições por pouco.

 

Pronto, a estratégia do PEC IV falhou. Tinha sido muito mais fácil ter pedido ajuda financeira ao FMI e à UE há mais tempo, invocando os juros dos mercados resultantes da especulação financeira, depois pedir uma moção de confiança ao Parlamento e seguir governando se fosse aprovada ou ir à luta se fosse chumbada.

 

Imagino que tenha sido pela cabeça de Sócrates que passou a ideia de que era possível levar o país à agonia e atirar as responsabilidades para cima de uns tipos aparentemente aselhas, mas o primeiro-ministro devia saber que eles gozam da virtude de se apresentarem com um partido que não toca na chincha há quase uma década, enquanto ele, Sócrates, parece que está em São Bento desde 1850.

 

Sim, porque isto de aparecer na televisão todos os dias, rigorosamente todos os dias, às vezes mais que uma vez, ora a apresentar um projecto, ora a apresentar outro, tem custos muito elevados. O país já não pode com José Sócrates, nem com molho de tomate. Tanto que os indecisos não são verdadeiramente indecisos, são “Sócrates nem que a vaca tussa”. E a questão nem é assim tão política, é mais pessoal.  

 

Resta-me dizer que os “Sócrates nem que a vaca tussa”, ao verem as sondagens que dão empate técnico, vão rapidamente e em força votar no PSD, o que também coloca um problema gravíssimo a Portas, que pode vir a ter que negociar uma coligação com uns notáveis 10/12%, que não são, todavia, para quem se preparava para ser primeiro-ministro, façanha meritória.

 

Dito isto, o PS vai perder, mas por pouco. O CDS vai ganhar, mas pouco. E o PSD lá fica com a bicicleta sem saber bem como.

Pois é

por Zé Pedro Silva, em 26.05.11

Um geniozinho, este dr. Passos Coelho. (Mesmo sem querer, às vezes faz pior ao PSD que o próprio dr. Pacheco Pereira.)

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