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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Ganham todos com Portugal, menos os portugueses

por Zé Pedro Silva, em 30.06.11

Admitindo que o Governo precisa mesmo destes 800 milhões de euros para cumprir as metas orçamentais e admitindo que, com algum esforço e imaginação, não se podiam ir buscar a outro lado, então o mínimo razoável era que este valor fosse a título de empréstimo, ou seja, que o Estado devolvesse a metade do subsídio de Natal que vai confiscar, acrescida de juros.

Todo o mundo lucra com os empréstimos que se fazem a Portugal, menos os portugueses. Agora, como o Governo não pode ir aos mercados, vai aos portugueses. Certo, mas devolva quando cumprir as metas, e com juros, porque não há razão para não remunerar os empréstimos dos contribuintes, pelo menos com a mesma boa cara com que se remunera qualquer credor. E os contribuintes até deviam ser credores privilegiados, na medida em que são trabalhadores e é de rendimentos de trabalho que se trata.

TGV devagarinho

por Zé Pedro Silva, em 29.06.11

Suspender o TGV entre Lisboa e Madrid é um grande erro. Em primeiro lugar, não custa dois mil milhões nem cinco mil milhões. Custará perto de cem milhões, porque é uma obra que se insere no âmbito das políticas europeias, logo é muito bem financiada pela Comunidade.

Por outro lado, temos a questão do compromisso com a Europa e com Espanha. De resto, o nosso vizinho está a construir e continuará a construir a linha até à nossa fronteira.

Se a linha Lisboa - Porto podia ser considerada um enorme disparate, não fazer a linha Lisboa - Madrid é um ainda maior, porque se a primeira era um péssimo negócio, a segunda era uma excelente oportunidade, que a demagogia política se encarregou de desperdiçar.

É fácil dizer que com uma crise destas, só um louco se põe a fazer TGV’s. De facto, se Portugal estivesse a construir um TGV entre o Algarve e o Minho, pago a 100%, talvez não fosse muito lúcido. Mas a linha Lisboa - Madrid não é uma loucura.

O país está em crise, as dificuldades são muitas, mas não nos podemos fechar aqui, nas nossas feiras, a comprar os nossos enchidos e queijinhos. Temos de ligar Lisboa à Europa em alta velocidade e temos de criar muitas mais infra-estruturas ferroviárias, nomeadamente entre os nossos portos e a rede europeia, através de Espanha, porque sobretudo nesta ligação entre o transporte ferroviário de mercadorias e o transporte marítimo, o que se passa é muito claro: Portugal está fechado. Ganham outros portos europeus, porventura não tão bem localizados, só porque Portugal nunca implementou uma boa rede de transportes e logística.

 

Por outro lado, é de registar mais uma questão em que Portugal não consegue desenhar uma estratégia, um plano, e levar a cabo. Sobre o TGV, como sobre tantas outras coisas, é a política do faz, faz assim, agora faz assim, não faz assim, faz assim, faz um bocado mais, faz um bocado menos, nao faz, faz faz, faz agora, faz depois, faz só um bocadinho. Ora, isto sim, custa muito dinheiro.

Nota: No Facebook, encontrei o deputado Carlos Abreu Amorim, do PSD, a criticar o ministro do Fomento espanhol, que criticou a decisão portuguesa de suspender a obra. O deputado argumenta contra o ministro espanhol com a notícia da suspensão de ligações de alta velocidade em Espanha, nomeadamente a ligação Toledo - Albacete. Comparar a ligação entre Lisboa e Madrid com a ligação entre Toledo e Albacete é de uma pessoa se atirar ao ar. Parece que estou a ver o CAA, no Parlamento, a discursar: «Então a ligação entre Toledo e Albacete falhou e os senhores querem ligar Lisboa a Madrid?»

Saiba o deputado CAA que já falharam, em termos de viabilidade económica, muitas ligações de alta velocidade, mas nenhuma que ligasse duas capitais europeias ou, pelo menos, uma capital periférica ao centro da Europa. Mas pronto, se a ligação entre Toledo e Albacete não tinha passageiros, o melhor é não tocarmos mais na nossa rede ferroviária.

 

Dos tiroteios

por Zé Pedro Silva, em 25.06.11

Com as ondas de calor, chegam também ondas de violência. Se há relação entre a meteorologia e a criminalidade, não sei, mas pelo menos há coincidência. Houve tempos em que se disse que era tudo “invenção” da comunicação social, pois não tinha mais nada para passar. A verdade é que os tiroteios e os assaltos ocorrem, e cada vez mais, com ou sem imprensa a relatar.

A crise, naturalmente, agravará uma já vulgar prática criminosa. Portugal tem, por isso, de enfrentar o crime que espreita. É bom não “martelar” as estatísticas, nem lançar grandes campanhas ideológicas sobre o crime, erguendo um preconceito relativamente aos actos, que ora nunca ocorreram ora têm explicação social que temos todos a obrigação de aceitar e compreender.

É de esperar do novo Governo, também nesta matéria, uma posição mais firme. Portugal tem vindo a desleixar o seu factor “segurança”, que se diz distinguir-nos, no plano internacional, de outros países na mesma situação geográfica e condição política.

Em traços gerais, diria que as forças de segurança precisam de mais apoio por parte do poder político e a Justiça tem de ser mais eficaz a investigar e a sancionar; porque, de facto, a criminalidade não é um mero expediente jornalístico, mas um grande desafio de qualquer Estado de Direito.

Só se poupa no valor da TAP

por Zé Pedro Silva, em 25.06.11

Que confusão. Primeiro sai a notícia de que Passos Coelho trocara os bilhetes de executiva para económica. Tal gesto não resolve os problemas do Estado, mas é simbólico, ok. Na notícia que li, no Expresso, falava-se na agência de viagens Top Atlântico, com quem o Estado trabalha.  

Nessa altura, não percebi por que razão tem o Estado de trabalhar com uma agência de viagens para marcar visitas que são de Estado, não propriamente cruzeiros. Mas pronto, pensei um bocado e imaginei que através da Top Atlântico, ou de uma igual, se consigam preços mais baratos, até quando o cliente é o Estado.

Mas sabe-se agora, pelo menos diz o Negócios, que o Estado - ou os membros do Governo - não pagam os bilhetes na TAP, viajem eles em económica ou executiva.

Uma notícia sem interesse ganha, de repente, imenso interesse. Afinal o Estado não paga bilhetes na TAP, mas trabalha com uma agência de viagens. Entretanto, o Governo, em deslocações dentro da UE, vai andar em económica, embora o Estado não poupe um tostão. Só a TAP é prejudicada, portanto, já que, doravante, muitos executivos e gente afortunada vai seguir as pisadas dos governantes, caindo a venda de bilhetes em primeira.

Feitas as contas, o que se ganhou com aquele “furo jornalístico” de um novo primeiro-ministro mais frugal que o dr. Salazar? Aparentemente, nada. Ficou a saber-se que o Governo, com tantas secretárias e assessores, paga a uma agência de viagens para lhe marcar viagens onde nem sequer paga; e de caminho lixou-se um produto da TAP, que é uma companhia que o próprio Estado está a tentar vender.

Compre o que é nosso?

por Zé Pedro Silva, em 24.06.11

Defendi algumas vezes, por aqui, que os portugueses deviam ser um bocadinho mais proteccionistas. Defendi que os portugueses deviam olhar para as etiquetas e escolher produtos nacionais.

Mas isto é daquelas coisas que devemos dizer baixinho. Não podemos sair à rua a dizer “compre o que é nosso”, porque esta ideia não condiz com uma união económica, com um mercado comum onde há livre circulação de bens e pessoas. O proteccionismo é, aliás, enquanto decisão política, uma prática proibida. Portugal não pode cobrar 40% aos produtos agrícolas espanhóis na alfândega, por exemplo.

Porém, se a prática é proibida, já a tradição podia ser mantida. Mas baixinho. Não pode ser este espalhafato, com eventos e festas e anúncios e tudo a dizer para comprarmos o que é nosso.

A questão é esta: não fomos só nós que, no meio desta crise, nos lembrámos de começar a comprar produtos nacionais. O proteccionismo adensa-se em toda a Europa. E o proteccionismo global traz-nos mais problemas que as aparentes vantagens do proteccionismo nacional, pelo menos nesta dimensão de causa pública.

Numa altura em que precisamos tanto de exportar, os outros mercados vão pensar “não, obrigado, não quero os tomates dos portugueses, quero os tomates do meu vizinho”, assim como nós pensamos “não, obrigado, não quero os tomates dos espanhóis, quero os tomates do meu vizinho”. Quem diz tomates diz qualquer coisa.

Há dias dei por mim na Jacadi a olhar para os sapatinhos das crianças. Havia uns feitos em Espanha e outros feitos em Portugal. Eu gostava mais de uns feitos em Espanha, por isso estive a convencer-me de que gostava mais de uns que eram feitos em Portugal, porque assim estaria a enviar dinheiro, com certeza, para uma fábrica no norte.

Não há raciocínio mais estúpido, porque em Espanha, em França ou na Alemanha, haverá algures um espanhol, um francês ou um alemão a pensar o mesmo, ou seja, que “gostam muito dos sapatinhos feitos em Portugal, mas têm de levar uns feitos lá na terra deles”. E pronto, os nossos sapatinhos podem até ser mais ou menos vendidos por cá, mas ninguém mais lhes toca, se o proteccionismo for palavra de ordem.

Quando estamos a comprar sapatos, devemos então escolher os que mais gostamos e que têm mais qualidade, não necessariamente os que foram feitos em Portugal, porque o proteccionismo, como causa pública - repito - não é bom para nós. Aquilo que devemos fazer é trabalhar para ter os sapatos com a melhor qualidade, o melhor design e o melhor preço. Então, comprará o português, o francês, o espanhol e o alemão.

A dose de proteccionismo que todos os países devem preservar fica-se pela opção, entre dois produtos iguais ou muitíssimos semelhantes, por aquele que foi feito no nosso país. Mas este factor não deve vir antes, por exemplo, da qualidade ou do preço (a menos este que este resulte de baixos custos de produção em virtude de exploração laboral, etc.).

Não é a comprarmos os nossos tomates, só porque são nossos, que resgatamos a economia. É a comprarmos os nossos tomates, os tomates dos espanhóis e dos franceses. E eles os nossos. E nós o marisco da Galiza. E a Galiza o nosso marisco. E nós sapatos portugueses, franceses e italianos. E os italianos, os nossos, os dos franceses e dos italianos.

A ideia não pode ser "compre o que é nosso", mas "compre o que é bom". E temos de ser bons, para não precisarmos de andar a comprar o que é nosso.

Todos diferentes, todos iguais

por Zé Pedro Silva, em 23.06.11

Parece que o governo português vai para o Conselho Europeu dizer que “a situação portuguesa é diferente da de qualquer outro país”. Claro que é diferente. A situação de todos os países é diferente da situação de qualquer outro país. Portugal não é a Irlanda, a Irlanda não é a Grécia, a Grécia não é definitivamente a Alemanha, a Alemanha não é a Espanha, a Espanha não é a Itália.

O problema é que estamos numa união económica, política e monetária. Logo, devemos tentar resolver o problema em conjunto, porque o problema é mesmo de todos, não é só da Grécia.

Se o governo português conseguir demonstrar no Conselho Europeu que a situação portuguesa é diferente, o que se ganha com isso? É nos juros que estão a pensar?

 

Os juros reflectem mais a instabilidade na zona Euro e a aparente dificuldade da União Europeia em ultrapassar a crise. Portugal não pode esperar que os seus juros baixem só porque se mostra diferente, sobretudo quando a Grécia vai de resgate em resgate e de aprovação parlamentar em aprovação parlamentar.

Os famosos “mercados” já viram este filme do “Portugal diferente que não precisava de resgate financeiro”. Agora é o “Portugal diferente que vai cumprir o acordo com a Troika e estabilizar”. Só que os mercados não vêem filmes, vêem gráficos e números. Vêem, também, uma Europa a injectar dinheiro nas economias regionais, a vender títulos de dívida para poder financiar estes resgates; vêem medidas de austeridade na maioria das economias e a instabilidade política em crescendo. É isto que os mercados vêem.

Portugal conseguirá mostrar-se diferente? Provavelmente, não. E não vai ganhar nada ao tentar. É preciso que a Europa fale a uma só voz e que desenhe uma estratégia que não deixe o Euro nem o projecto europeu nas mãos de parlamentos nacionais, sobretudo quando estão debaixo de fogo.

Neste caminho de mostrar as “diferenças” entre as “crises”, permitindo-se campanhas unilaterais de marketing soberano, a Europa dá razão aos economistas e aos investidores que já estão a apostar numa reestruturação do Euro.

O verdadeiro independente

por Zé Pedro Silva, em 20.06.11

Passos Coelho lamenta que o Parlamento "não tenha aproveitado" a hipótese de ter um "verdadeiro independente" como presidente. - Diário Económico

Permitam-me concluir que Passos Coelho votou em Fernando Nobre nas presidenciais, porque a independência do Presidente da República ainda é mais relevante que a independência do Presidente da Assembleia da República. Ora, se Fernando Nobre é o “verdadeiro independente”...

O novo governo, sim. E a nova oposição?

por Zé Pedro Silva, em 19.06.11

Um bom governo depende, em parte, de uma boa oposição. Um mau governo depende, em parte, de uma fraca oposição. É pouco provável um país conhecer um bom governo se tiver uma oposição medíocre, assim como se calcula que uma boa oposição seja o suficiente para travar um mau governo.

O Partido Socialista, recentemente, “beneficiou” de uma oposição muito fraca. Uma oposição que fez contas ao calendário para atacar quando podia provocar eleições e ganhar. Uma oposição mais táctica que frontal.

Assim, tão importante quanto avaliar o novo governo é avaliar a nova oposição. É verdade que os socialistas ainda estão à procura de liderança, mas já se percebeu o tom, pelo menos nesta fase preliminar: os ministros são inexperientes, vieram de fora, não vão conseguir reformar, não sabem onde fica o Estado, etc..

Portugal recebeu, recentemente, três pessoas sem experiência governativa, que vinham de fora e que não sabiam onde ficava o Estado. Essas três pessoas - a Troika - fizeram mais por Portugal em duas semanas que os políticos experientes e conhecedores do Estado em duas décadas.

Essas três pessoas clarificaram a situação económica do país, apontaram as falhas e desenharam pelo menos uma solução para a crise, aquela que reflecte, naturalmente, os interesses das entidades que representavam, perante um cenário de ajuda financeira.

O que estas três pessoas concluíram, não foi nada que muitos economistas não tivessem já defendido e que os políticos experientes e conhecedores do Estado não soubessem, mas os economistas não mandam e os políticos experientes e conhecedores do Estado são tão experientes e conhecedores do Estado que o estimam como mestres.

Criticar, portanto, o novo governo, porque não vai ter mão no Estado, demonstra um raciocínio muito pobre e levanta uma grande suspeita, porque quem ouve o PS falar pensa que os ministérios e os institutos públicos estão minados de “boys” que impedirão estes “maçaricos” de avançar. De outra forma não se compreende a ideia de que, só por não conhecerem os corredores, os novos ministros não poderão reformar nada.

A outra crítica que a oposição faz, a tal ameaça ultraliberal, também não passa, por enquanto, de areia para os olhos. Estão a gastar cartuchos que não foram usados na campanha, mas por enquanto, o único compromisso político que este novo governo tem é o acordo que celebrou com a Troika e esse também foi subscrito pelo PS. Cabia à oposição esperar pelo programa de Governo para deslindar as ameaças ultraliberais e concretizá-las, até para se passar da lábia.

Resumindo, é tão importante olhar para o novo Governo quanto para a nova oposição. O novo governo, parte dele, ainda não se conhece, mas a oposição parece que é a do costume.

Como diz o sotôr do lado

por Zé Pedro Silva, em 17.06.11

Não se compreende tanta discussão à volta do “copianço” nos exames do centro de estudos judiciários. Até parece que o trabalho dos juízes não é copiar as decisões do lado. Até parece que a maioria das decisões não são justificadas com o que já foi decidido não sei onde e pelo que diz e escreve o professor doutor fulano de tal.

 

O que estes juízes na forma tentada fizeram foi, nada mais menos, que invocar a obra do meritíssimo do lado. É o costume.

As grande ideias, que não saem dos discursos

por Zé Pedro Silva, em 14.06.11

 

Falemos sobre o discurso do Presidente da República no Dia de Portugal, particularmente aquela parte em que aborda a lavoura e os jovens agricultores.

É compreensível, tendo em consideração a crise financeira, o apelo ao campo. Não sei se a ciência política regista alguma crise financeira em que não se fale, mais tarde ou mais cedo, do trabalho no campo.

Pela minha parte, concordo. Gostava era que concretizassem. De que forma, com que plano vamos nós explorar as nossas riquezas, assim à pressa? E de que jovens agricultores falava o Presidente? Dos que já existem? Bom, penso que o país já percebeu que não se governa com os jovens agricultores que tinha, nem com os empresários, industriais; agentes económicos em geral. São precisos mais, mais produtivos, mais competitivos. A economia que Portugal tem, não chega.

Admitindo então que o Presidente estava a referir-se à dedicação de mais jovens ao mercado agrícola, de que forma isso pode ser estruturado? O Estado vai arrendar as terras que tem, a baixo custo? Vai nacionalizar os terrenos abandonados? Vai criar mecanismos de financiamento da actividade? Os desempregados vão ser convidados a lavrar?

Como é que estas ideias se concretizam? Nós, portugueses, falamos muito, discutimos imenso. Estamos muitas vezes perto de boas soluções. Mas ficamos pela conversa.

Recentemente, o Presidente também falou no mar. Na importância do mar. O mar é, para os portugueses, de facto, muito interessante. Mas... e então? O Presidente falou, os portugueses ouviram... e então?

Há alguma coisa para se fazer no mar? Nada. Pelo menos, nada de novo. Será que se regista o caso de algum português que se tenha dedicado mais ao mar depois do apelo do Presidente da República?

Cabe aos governos a concretização das ideias lançadas tanto pelo Presidente como pela sociedade civil, especialistas e conselheiros. Mas a verdade é que se não há programas que orientem, desburocratizem e financiem, todas estas grandes opções estratégicas acabam por não sair dos discursos.

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