Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Tem razão, sim senhor

por Zé Pedro Silva, em 29.07.11

Sobre as recentes nomeações partidárias para a Caixa, Passos Coelho explicou hoje, no Parlamento, que «ser militante do partido não impede que se seja nomeado seja para que empresa for», e tem razão. Deixem-se de coisas, porque o senhor primeiro-ministro tem razão.

 

Ser militante do partido não impede, de facto, que se seja nomeado seja para que empresa for. Não ser militante do partido é que é pior. Não ser militante do partido é que pode dar barraca.

Calma, que se não fosse a austeridade era a dobrar

por Zé Pedro Silva, em 29.07.11

Das 38 nomeações que o Primeiro-ministro fez para o seu Gabinete, 14 são motoristas. Passos Coelho não vai governar o país, vai dirigi-lo.

 

Mas o campeão das nomeações é o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, com 52 nomeações. Há aldeias em Portugal mais pequenas que o Gabinete de Miguel Relvas, que só chefes de gabinete tem cinco. Lá está, é um executivo camarário. Temos de ver as coisas assim: não é um gabinete grande, é um concelho pequeno. 

O animal, afinal, conseguiu pôr toda a gente a pensar

por Zé Pedro Silva, em 29.07.11

Uma pessoa olha para aquele patife daquele norueguês e pensa que é um maluco como há poucos. Mas depois começa a ver que o levam a sério e que até fazem análises profundas ao seu manifesto, e então percebe que, afinal de contas, é um maluco como há muitos.

Golden shares, empresas do Estado e assim

por Zé Pedro Silva, em 28.07.11

Alto, cuidado com as águas, com o sector energético e com os transportes. Isso não pode sair do controlo do Estado, porque podem vir um dia os espanhóis ou os angolanos e ficam-nos com tudo, depois nós chamamos a polícia mas a polícia não vem porque não tem dinheiro para tirar os carros do parque.

 

Aquele argumento que é utilizado para defender as golden shares ou o controlo do Estado sobre algumas empresas - o argumento da defesa nacional - não faz, passo a expressão, qualquer sentido. É um argumento como aquele, do estimado presidente do PS, que dizia que não podíamos ter um aeroporto na margem sul porque “suponha que dinamitavam as pontes”.

 

Primeiro dado a reter para comprovar que o argumento não faz sentido: No dia em que alguém quiser ficar com Portugal, lança-nos um ultimato, não nos compra a companhia das águas e da luz. E assim, a ameaça da defesa nacional não faz sentido.

 

Depois há a questão da independência nacional, diferente da defesa. Aqui, de facto, podemos estar perto de um argumento com sentido. Se os espanhóis nos controlassem a água, podíamos ficar dependentes do vinho de um momento para o outro. Mas isto também é ver filmes a mais, porque os mercados são regulados e essa regulação... quem é que a faz, quem é? Nós, pois claro.

 

Logo, se a companhia das águas fosse parar a um investidor estrangeiro e se esse investidor nos pusesse o m3 a vinte euros, o Governo português só tinha de nacionalizar a companhia naquele momento e o investidor ficava a ver navios.

 

Em teoria, naturalmente prefiro ver portugueses à frente de todas as empresas portuguesas, mas a existência de um Estado de Direito e de uma comunidade económica de Direito leva-me a ignorar os argumentos lunáticos da defesa nacional. Uma coisa é a empresa que explora as águas, outra coisa é a própria água. A água que corre em Portugal será sempre de Portugal. A companhia que a explora pode ou não ser.

 

Recentemente, o Estado português vetou, através da golden share, a compra de uma empresa de telecomunicações por uma companhia espanhola. Metade do país, pelo menos, ficou encantada com tal demonstração de força. Mas aquilo que importa agora saber é: O país, o mercado e os clientes ganharam ou perderam com tal ingerência política? Bem sei que muita gente acreditava que os clientes da PT iam ser engolidos pelos espanhóis, mas vamos a continhas: Foi bom ou mau negócio?

 

É isso que importa, porque, como já vimos, Espanha não ia conquistar Portugal através da PT, nem preparava uma ofensiva militar terrestre depois de cortar as comunicações de todos os clientes TMN.

 

As golden shares são uma má prática porque fazem da concorrência uma mísera utopia. Se o Estado controla empresas, em defesa das suas empresa, faz do mercado gato sapato. Um cavalheiro ou uma madame que queira fazer uma empresa para roubar clientes a uma empresa controlada pelo Estado ou onde o Estado detenha interesses, bem pode investir tudo o que tem e trabalhar 24 horas por dia, que fica com 1 ou 2% do mercado e é para fazer figura de idiota útil, para se poder dizer que o mercado está aberto.

 

Portanto, a questão é simples: ou se acha que o Estado deve gerir empresas e que deve haver sectores puramente públicos, ou se acha que não, que a concorrência é aquilo que salva o cliente e o consumidor de ser roubado pelo próprio país. Tudo o resto - as guerras, a defesa e a independência - é música.

 

Oxalá a esquerda saia do armário e diga que quer as empresas dos sectores estratégicos nas mãos do Estado, deixando para os privados a comercialização de gelados e limonadas. Mas que a esquerda diga isto com frontalidade! Defendam, por exemplo, a nacionalização da TMN, da Vodafone e da Optimus.

 

Faça-se uma gigante Companhia Portuguesa dos Telefones Móveis, gerida por 50 administradores nomeados pelos partidos. O quê, não me digam que conseguem dormir descansados sabendo que a Vodafone pertence aos estrangeiros? A qualquer momento sobem-nos as tarifas e entram-nos por aí dentro, nem nos deixam ficar com as Berlengas.

País de marinheiros que não sabem nadar

por Zé Pedro Silva, em 27.07.11

Em Sines, um pescador está desaparecido depois de cair do barco. Não sabia nadar. Será possível!? Será possível um pescador não saber nadar?

 

Como é que se pode ser pescador sem saber nadar? Ninguém regula isto? Não podem ensinar estas pessoas a nadar? Nos portos e nas capitanias, não podem dar cursos? Está tudo atrás das secretárias a fazer ofícios para "aquisição de duas lâmpadas de 25 watts", não é? Como é que é possível? Um país de marinheiros e cai-se ao mar sem colete e sem se saber nadar. Mas depois temos submarinos, que é para tornar o panorama ainda mais ridículo.

 

Um enorme submarino alemão no valor de mil milhões de euros e ao lado um pescador sem saber nadar é mesmo a imagem deste país surreal.

Isto já não é economia, é sexo porco

por Zé Pedro Silva, em 27.07.11

O Negócios “diz” que Roubini “diz” que Portugal e a Irlanda estão insolventes. O que terá dado à imprensa especializada em economia para embarcar neste perfeito coito tântrico em que se tornou esta crise histérica?

 

Às vezes parece que estamos a gostar. - Vá, Roubini, diz que eu estou insolvente, diz! - Estás insolvente! - Ah, leão, mais forte, diz mais forte! - Estás completamente insolvente! - Uh! Agora diz que eu estou insolvente, assim de ladinho, vá! - Estás insolvente, estás insolvente, estás insolvente! - Que gostoso, Roubini... não pares de me açoitar como se eu fosse uma nação muito pobre... isso... seu economista safado... que bem que tu fornicas economias marotas!

 

Pois bem, qualquer português, mesmo que acompanhe a informação económica pela rama, já sabe que Roubini, como tantos outros, acham que Portugal está insolvente e que não vai pagar a dívida nem com o ouro que os canadianos descobriram no norte.

 

Os mesmos economistas também já disseram que alguns países deverão ter de sair do Euro. A lógica seria, portanto, que a próxima notícia sobre o tema, envolvendo os mesmos economistas, já seria a dizer que ninguém saía do Euro. Isso seria a novidade, digna de notícia. Mas não, a imprensa faz notícia sempre que eles dizem que alguém vai sair do Euro, mesmo que já o tenham noticiado na semana passada.

 

Resulta daqui que estamos sempre a levar com eles, num romance tão tórrido que nem paramos para descansar ou comer qualquer coisinha.

Cenas tugas

por Zé Pedro Silva, em 26.07.11

A Europa convidou Portugal, por diversas vezes, a abandonar as golden shares. É uma regra: não pode haver golden shares. Mas nós, como sempre, mesmo à chico-espertos, fingíamos que não ouvíamos.

 

Quando eu estudei Direito Comunitário, já as acções privilegiadas do Estado eram uma prática proibida pela Comunidade. O aluno mais aplicado e zeloso interrogava-se, portanto, como seria possível um prática proibida ser pública e notoriamente exibida por um Estado que livremente tinha aderido a um acordo político que impunha regras, nomeadamente essa. Mas isso era o aluno mais aplicado e zeloso que se interrogava, porque eu ia para o bar.

 

Bom, depois veio a troica e disse “então, deixas de ter golden shares, ou não?”, e nós dissemos, com a lata que nos caracteriza, “deixamos pois”. É mesmo à tuga. A gente ia-se desenrascando com as golden shares.

É quando se justifica um processo por difamação

por Zé Pedro Silva, em 26.07.11

Não abona a favor de Dominique Strauss-Kahn o facto de a camareira do Sofitel, pese embora o tenha visto integralmente nu no quarto, só se ter apercebido mais tarde de que se tratava de um homem muito poderoso.

Os funcionários da política

por Zé Pedro Silva, em 25.07.11

Nos dois maiores partidos portugueses, sucedem-se as lideranças sem substância, originárias do interior mais profundo dos aparelhos partidários, feitas de políticos de carreira, que ora foram presidentes de aquilo, ora foram adjuntos de não sei o quê, depois secretários disto, ministros de tal e conselheiros de coisas.

 

São bem-falantes, com a escola toda da política partidária, da intriga e do poder pelo poder ou pela vaidade.

 

Nos currículos exibem, quando podem, curtas temporadas fora da política, umas vezes como consultores de grandes empresas, curiosamente aquelas que mais trabalham com o Estado, outra tantas como “professores universitários”, comenda que está agora na moda, pois já há muitos doutores.

 

Mas a verdade é que a política não deve ser uma carreira. Não é bom currículo ter ocupado os mais diversos e antagónicos cargos, ter estado em vários governos e apoiado múltiplas estratégias. Eles parecem às vezes autênticos reis Midas, que por transformarem em ouro tudo o que tocam, pede-se-lhes que toquem em tudo.

 

Por isso, os partidos de hoje são as jotas de ontem. O nível intelectual é provavelmente o mais baixo de sempre e não há qualquer dedicação à causa pública, mas apenas ao poder, ao conforto do poder irresponsável que se exerce em Portugal e que se conquista com meia dúzia de palavras baratas.

 

Uma vez entregues à bicharada, devem fechar-se os partidos e entaipá-los. Este é, portanto, o momento para surgirem projectos políticos alternativos - não necessariamente partidos, muito menos daqueles que embora pequenos imitam os grandes, sempre lembrando, no entanto, que são “completamente diferentes”.

Dos simuladores à rua

por Zé Pedro Silva, em 25.07.11

Parece que este rapazinho norueguês é o primeiro caso sério de um fã daqueles jogos de guerra, tiros e sangue, que saiu do seu quarto para a realidade, com um saco cheio de armas e munições.

 

Escreveu um manifesto com 1500 páginas - na sua maioria copiadas - onde afirma ser de extrema-direita e anti-imensas coisas, mas o que ele queria mesmo era matar, fosse por que razão fosse.

 

Circulam jogos de computador que são autênticos simuladores de guerra. Muitos jovens perdem horas e dias inteiros em perfeitas carnificinas virtuais. Ficam viciados em matar e quanto mais cruéis, mais pontos.

 

Só não sei, muito sinceramente, como não há mais casos como este que abalou a Noruega, mas imagino que tamanho acontecimento tenha suscitado nas mentes de muitos “jogadores” uma ideia: quão divertido terá sido estar a matar aquela gente toda, naquela ilha, durante uma hora e meia?

Pág. 1/4

Mais sobre mim

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D