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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

O brutal colossal II

por Zé Pedro Silva, em 12.08.11

O Governo sabe - este, o anterior e os anteriores - que o endividamento privado em Portugal é enorme. Nas empresas e nas famílias. Vamos deixar de lado o endividamento das empresas e pensar no das famílias.

 

Podemos perder imenso tempo a lembrar que tal endividamento resulta da irresponsabilidade das pessoas, que compraram televisões dez vezes mais caras que o rendimento anual, mas a verdade é que o endividamento aconteceu: as pessoas estão muito endividadas. Foi um erro delas, do Governo e do sistema financeiro. Não há inocentes nesta história. A culpa não é toda das pessoas, como também não é toda dos bancos ou dos governos. É partilhada.

 

Seja como for, o endividamento existe. As rendas vencem-se. E o que faz o actual governo? Esmaga as famílias com aumentos que conduzirão inevitavelmente ao incumprimento, ou dos créditos ou dos impostos. Como os impostos não se podem deixar de pagar, são os créditos que ficam a ver navios.

 

Logo, são completamente malucos, estes governantes. Vão dar cabo do povo para tapar um buraco que não foi aberto pelo povo. Não foi o povo que se meteu no BPN. Até se pode ter metido no Audi a gasóleo ou no Ipad, mas não se meteu no BPN. Não foi o povo que fez quilómetros de auto-estradas suficientes para ligar Lisboa a Sidney. Não foi o povo que afogou o Estado. O povo, coitadinho, recebe uma miséria pelo trabalho e tem pago tudo a tempo e horas - impostos, taxas e toda a merda que lhe pedem.

 

Ora, o elevado endividamento das famílias é grande e um grande erro, mas podia corrigir-se, fechando a torneira e renegociando as condições, nomeadamente alargando os prazos. Mas com este aumento dos impostos, da energia e dos transportes, o Governo lançou o povo na insolvência, conscientemente, porque come a margem que ainda restava no orçamento das famílias.

 

As olheiras do ministro Vítor Gaspar têm agora explicação. É natural que não durma. Não tributa o capital, não reduz a despesa, não faz nada para além de passar facturas ao povo. Quer cumprir o plano da Troika com boa nota e muita elegância, mesmo sabendo que vai deixar muitas pessoas sem dinheiro para comer. Literalmente.

O brutal colossal

por Zé Pedro Silva, em 11.08.11

Vítor Gaspar prepara-se para anunciar “cortes brutais” na despesa. Com este Governo é tudo colossal e brutal. Deve ser o Carlos Moedas que lhes diz que é assim que se levanta ratings.

 

Vamos lá ver os cortes brutais do ministro das Finanças, mas muitos economistas já avisaram: “Austeridade”, “cortes brutais” e “esforços colossais” não são música para os ouvidos da Economia.

 

Até se podem fazer cortes na despesa - em Portugal recomenda-se, aliás - mas não é preciso este histerismo político, que não ajuda nada nem ninguém. Eu até tenho uma teoria que metade desta crise mundial resolvia-se com um par de estalos.

Álvaro, o frugal

por Zé Pedro Silva, em 11.08.11

Out of the blue, o Ministério da Economia veio dizer que gasta menos de metade por ano que o anterior executivo.

 

Quando é que será que esta gente pára de vangloriar-se com o que poupa? Eles já falam como gestores liquidatários a conter os prejuízos, a ver o que sobra e quanto dá para dividir pelos ministérios. Parece que estão numa nave espacial que perdeu as asas e então agora é poupar oxigénio a ver se o ACP consegue desempanar-lhes o aparelho.

 

O que a malta quer - escuta Álvaro - é saber quanto é que o teu ministério está a fazer. A fazer, compreendes? Dinheirinho, massa. A malta não quer saber quanto tu poupas ou quanto poupava o Vieira da Silva. A malta quer saber o que tu dás e a malta espera que seja muito mais do que deu o Vieira da Silva e todos os ministros da economia deste país.

 

Pela minha parte, Álvaro, podes andar de Rolls Royce, montar o teu gabinete em Nova Iorque e contratar assessoras com o passe maior que o do Ronaldo, desde que ponhas esta economia a mexer. Se é para poupar, fecha-se isso e então gastas menos 100% que o Vieira da Silva.

Mais uma loucura no país do tudo ou nada

por Zé Pedro Silva, em 10.08.11

Imaginando que um cavalheiro era suficientemente apanhado para querer destruir a economia do seu próprio país, mesmo assim não se lembraria de descer a taxa social única à custa do aumento do IVA. Muito menos se lembraria de descer a taxa social única apenas para as empresas exportadoras, as que reduzam as importações ou as dos chamados bens transaccionáveis. É que parece, agora, que todo o negócio que não exporta é paralelo ou criminoso. Por isso, o Governo quer penalizar duramente esses bandidos que não exportam. Vamos portanto arruinar todos os negócios, menos os bons.

 

Olhai então pelas vossas janelas e imaginai todas as lojas entaipadas, sobejando apenas reclamos nos andares mais altos, anunciando firmas “export/export”, porque “impor/expor” também passa a calão.

 

A cidade só festeja quando de uma janela de uma dessas empresas voa um foguete, sinal de que encheram mais um barco para a China. O ministro Álvaro pede então um UMM ao exército e sulca os escombros da antiga economia, feita de negócios de merda, e vai dar um abraço ao patrão, um abraço que vai daqui às ilhas Caimão, onde se guarda o grosso da exportação.

 

- Vamos todos almoçar?

- Mas Álvaro, os restaurantes fecharam todos...

- Não! Eu conheço uma churrasqueira que ainda não fechou!

- Como é que não fechou?

- Também vende para fora!

 

Hey, my lcd is also old!

por Zé Pedro Silva, em 09.08.11

 

Será que aquela algazarra chega cá? Temo ficar sem o meu incrível LED de 80 polegadas, se não chegar.

O Estado e os estudos

por Zé Pedro Silva, em 09.08.11

Um contribuinte vê os gabinetes ministeriais a encherem-se de simpáticos “adjuntos”, competentes “assessores” e grandes “especialistas”, mas depois, quando é preciso estudar alguma coisa, formam-se grupos de trabalho externos, subcontratados.

 

De maneiras que, para que servem os especialistas contratados para os gabinetes? É só para receberem os resultados dos trabalhos encomendados e dizerem “uau, senhor ministro, está aqui um trabalho de se lhe tirar o chapéu, digo-lhe eu que sou especialista”.

Follow the Soros

por Zé Pedro Silva, em 08.08.11

Quando, recentemente, o simpático George Soros anunciou que se ia deixar disto dos “mercados” e trespassar a tasca, estava-se mesmo a ver que isto dos mercados não se recomendava.

 

Parece que estou a ver o Soros a olhar para a Europa, para os Estados Unidos e... bom, deixa-me cá ir velejar e jogar golfe.

Privados ou público?

por Zé Pedro Silva, em 01.08.11

Percebo a revolta com o aumento colossal do preço dos transportes. Já não percebo a revolta com a privatização e com o fantasma dos privados. Isto para não falar naqueles “revoltados” que cantam “fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre”. Esses não quererão, de certeza, discutir o preço dos transportes públicos e das vias de comunicação na era do Estado Novo.

 

Bom, mas sobre a privatização, é bom ver o aumento que foi feito por um operador privado, a Fertagus, que explora o comboio da ponte. Depois compara-se esse aumento com o aumento das empresas públicas e percebe-se que talvez o privado não seja tão glutão como o Estado. Sendo que a Fertagus dá lucro todos os anos e envia para o Estado duas mancheias de milhões de euros.

 

Ponham lá uma empresa pública a explorar o comboio da ponte, mas depois não se queixem de pagar mais pelos bilhetes e mais pela empresa em que cada orçamento de Estado.

 

Ora, ainda sobre o tema das privatizações, mas em geral, ocorre-me lembrar que, muito se fala na privatização da água - que horror, vamos ficar com o litro de água a 100 euros - mas ninguém se queixa da privatização da distribuição alimentar. Sim, a distribuição alimentar é hoje 100% privada. Dois dos maiores distribuidores são, respectivamente, os segundo e terceiro homens mais ricos do país.

 

Então, mas não é de se fazer canais públicos de distribuição, com o preço dos produtos fixados pelo Ministério da Economia? Sim, porque se a Jerónimo Martins e a Sonae quiserem, amanhã não temos jantar. Mas ninguém se rala. A água é que não! Porque é um bem público, que vem das montanhas e tal.

 

Enfim, está muito mal conduzido o debate sobre os sectores público e privado em Portugal. Mas para os consumidores/contribuintes, seria muito importante perceberem quem é que lhes dá os preços mais baixos e com o melhor serviço. Em geral, podemos dizer que o Estado não pratica os melhores preços e perde dinheiro, tendo por isso de recorrer ao tesouro público para tapar os buracos. Os privados têm preços mais baixos que o Estado e dão rios de dinheiro em impostos, mesmo depois de uma parte voar para paraísos fiscais e outra parte para o bolso do patrão.

 

Resumindo, é tudo uma questão de gestão, porque se não derem mesmo cabo disto, ninguém fica sem comer, sem água e sem transportes. E assim, o que é melhor para o consumidor/contribuinte, o gestor público ou o gestor privado?

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