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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

O PSD tem luzes que apagam sozinhas

por Zé Pedro Silva, em 23.02.12

Calma. Parece que o planeta vai inverter esta tendência de se autodestruir, porque o PSD está a levar a cabo um programa de modernização de gestão de energia e de boas práticas ecológicas, sendo a sua sede o local-piloto. Isto parece uma coisa em grande. Vamos saber mais...

 

«“Sensores de movimento desligam as lâmpadas no final de uma reunião. Nas principais zonas de trabalho já não ficam luzes acesas porque alguém se esqueceu” diz ao SOL Bruno Vitorino, secretário-geral-adjunto do partido laranja.»

 

Não obstante o meu esforço permanente para manter aqui alguma contenção vocabular, agora, desculpem-me, mas vou ter de dizer foda-se.

 

A sede do PSD vai ter sensores de movimento que desligam as lâmpadas? Foda-se - agora é que é, porque a anterior era só a avisar - mas isso é incrível! Foram eles que inventaram ou compraram no estrangeiro? Eu nunca vi nada assim, nem sequer em qualquer casa de banho de qualquer tasco por mais manhoso que seja. E também «já não ficam luzes acesas porque alguém se esqueceu»? Caramba. Muito à frente. Não era altura de revermos o protocolo de Quioto?

 

Sim, agora o PSD partiu tudo. Vamos ver mais, vamos ver mais.

 

«O consumo de electricidade “já desceu 80%” graças ao sistema de sensores de movimento e às lâmpadas de tecnologia `led` instaladas na São Caetano.»

 

Desceu 80%? Esta conta deve ter sido feita pelo gajo da CGTP que calcula quantas pessoas estão nas manifestações. Mas mesmo que tenha sido só 79%, é muito bom. Agora... será que isso foi por causa dessas lâmpadas maravilhosas ou porque 80% do partido foi para o Governo? Hã! Não? Se calhar o partido está mais verde porque também está mais às moscas. Quando isto virar outra vez, lá entra pela São Caetano o Mendes Bota a dizer para se deixarem de paneleirices e acenderem as luzes outra vez, que ele não vê nada.

 

Mas vamos continuar. Vamos.

 

«O programa visa tornar a sede do maior partido do Governo “100% sustentável”, não só diminuindo o consumo da luz mas dando também atenção ao gasto de água e à reciclagem de papel.»

 

Gasto de água é fácil. É comprar garrafinhas e não se gasta mais nada em água da companhia. Depois atiram as garrafinhas vazias para o quintal do vizinho e pronto. Sobre a reciclagem do papel, fico com uma dúvida: lembraram-se disto antes ou depois das luzes automáticas? Na notícia aparecem primeiro as luzes automáticas e eu acredito que esta tecnologia vos tenha chegado antes do papel reciclado, mesmo que seja por uma questão de minutos.

 

Em todo o caso, quero dar os parabéns ao PSD pela coragem e pela ousadia, porque não é fácil mudar as mentalidades, muito menos quando se é pioneiro.

 

«Bruno Vitorino faz questão de dizer que já havia quem “reciclasse papel e tivesse cuidado com os gastos energéticos”. O programa em curso, supervisionado pelo secretário-geral, Matos-Rosa, ajudará os restantes membros do partido laranja a ter uma atitude verde.»

 

Ah! Então calma. Os heróis não são vocês. Os heróis são esses funcionários do PSD que, em silêncio, sem querer louros, sem procurar a glória, já reciclavam papel e já tinham cuidado com os gastos energéticos, mesmo quando as lâmpadas ainda não se desligavam sozinhas. Vocês agora só têm de dominar esses esbanjadores que ainda andam por aí. Calma! Devem ser do PS! Não seria de levar os funcionários do PSD que gastam muito, ao polígrafo? Na volta são socialistas.

 

Bom, mas de uma maneira ou de outra, podemos ficar descansados porque este programa é supervisionado pelo próprio secretário-geral. De facto, não é para menos. Um programão destes havia até de ser supervisionado pelo próprio Passos. Ou pelo menos pelo Relvas. Vocês estão a fazer história, meus senhores. 

Esta é por conta do secretário de Estado

por Zé Pedro Silva, em 22.02.12

O secretário de Estado dos transportes disse por aí que vai ser o Estado a pagar a belíssima dívida das empresas públicas de transporte porque seria injusto apresentar a factura aos trabalhadores das empresas ou aos utentes. Que amor!

 

Esta fraterna atitude do secretário de Estado merece, porém, dois comentários. O primeiro para dizer que tenho a ideia, acho eu, quer-me parecer, se não estou em erro, o Governo já esbofeteou os utentes com uma estalada de aumentos. E os trabalhadores destas empresas, como todos os portugueses, também já têm o seu poder de compra no estaleiro. Mas posso estar enganado.

 

Depois, esta coisa de "pagar o Estado"... O Estado é quem? É mesmo o Luís XIV? É que eu ia jurar que o Estado era, entre outros, os utentes dos transportes públicos e os trabalhadores das empresas públicas. Ou seja, aquilo que o secretário de Estado tentou fazer foi dizer "esta pago eu", tipo rodada. Mas depois vai dividir.

Watergate à portuguesa

por Zé Pedro Silva, em 22.02.12

Finalmente o Parlamento discute algo sério. Que água devem beber lá dentro? Engarrafada ou da torneira? As opiniões dividem-se. É natural. Ninguém tem a resposta a uma questão destas na ponta da língua. Não é qualquer pessoa que consegue analisar, assim de repente, toda a problemática que envolve uma e outra escolha. E um colégio de duzentas e quarenta cabeças também não chega. O país devia envolver-se todo nesta questão e ajudar os seus parlamentares.

 

Na verdade, nem o país todo chega para descortinar isto. Talvez por isso, o Conselho de Administração do Parlamento já fez um longo estudo e concluiu que a água da torneira é 30 vezes mais cara. É só um empurrão para a reflexão.

 

Mas o povo já desconfiava disto. Não é por acaso que as pessoas lavam, já há bastante tempo, os seus automóveis com água engarrafada das ilhas Fiji. Na altura fez-se as contas e se se usasse água da torneira saía 50 vezes mais caro.

 

Agora pergunta-se: Como é que a administração do Parlamento chegou a estas contas? Desde logo, com muito trabalho. E trabalho intelectual, que é muito mais lixado. Os administradores do Parlamento contabilizaram tudo, até o desgaste das solas dos sapatos dos funcionários do Parlamento que teriam, se a medida fosse aplicada, de ir à torneira buscar a água. Mas os funcionários do Parlamento não calçam uma borracha qualquer. As contas foram feitas com funcionários belissimamente calçados com a nova colecção Salvatore Ferragamo.

 

Subsiste, contudo, uma dúvida. Depois de fazerem estas contas, os senhores da administração do Parlamento puxaram o autoclismo ou despejaram cem garrafinhas? Oxalá tenham despejado as garrafinhas, porque o país não pode puxar muitas vezes o autoclismo.

Umas atrás das outras

por Zé Pedro Silva, em 22.02.12

Strauss-Kahn começa a ser substiancialmente menos credível que aquela sua paixão do Sofitel, que tinha merda até ao pescoço.

O do BCE está à larga

por Zé Pedro Silva, em 21.02.12

 

Eu sei que não temos dinheiro e que temos de mostrar que não temos, mas será que nem podemos orientar um sofá digno para a Troika? Não é por nada, mas a ideia de uma Troika, que anda sempre coladinha, já é suficientemente ridícula, não era preciso juntá-los assim os três num canapé.

 

E na Grécia? Será que já nem canapé? Ficam os três em pé?

 

A imagem é da Reuters. Vamos agradecer à Reuters. Obrigado Reuters.

Sr. Director, tenho aqui um furo!

por Zé Pedro Silva, em 18.02.12

Então e que tal a manchete do Expresso desta semana? Diz assim - Fraudes nos transportes públicos disparam com a crise.

 

Deve ter sido uma puta de uma investigação. Tiveram de torturar imensos passageiros da CP, CARRIS, STCP e METRO para sacar isto.

Da série "então não se vê que sim!?"

por Zé Pedro Silva, em 14.02.12

 

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, considerou hoje em Pequim que o processo de integração europeia "está a aprofundar-se e não a andar para trás". - DN.
Só o simples facto de o presidente da Comissão Europeia ter de dizer isto já prova que nem era preciso dizer.

Ceder à manif

por Zé Pedro Silva, em 12.02.12

Jamais poderia ser governante. Desde logo, porque beneficiava todos os meus amigos. Era tudo adjudicado por ajuste directo, por um preço cinco vezes superior ao de mercado.

 

Depois, porque percebi ontem que sou muito sensível às manifestações. Ao ver-me no trânsito e no labirinto de ruas cortadas por causa da manif da CGTP, pensei para comigo que se fosse governante cedia em tudo. Querem descongelar os salários? 13.º, 14.º, 15.º e 16.º meses? Reforma mais cedo? Sim senhores! Vão todos para casa e quando lá chegarem já lá está tudo isso e ainda, como diria o Carlos Cruz, o IVA a 17%.

 

Bom, vendo assim em perspectiva, concluo que só não podia ser governante porque baixava o IVA. De resto, até parece que tenho talento.

Cavaco começou a gamar

por Zé Pedro Silva, em 09.02.12

Está nos livros. Eles começam por se queixar da vida, da miséria que ganham, e mais dia menos dia estão a palmar o alheio. O nosso presidente da República, homem que teve a coragem de anunciar que o que ganha não chega para fazer face às despesas, também já terá optado pela via da criminalidade e não me refiro, neste particular, ao Banco Português Negócios.

 

Ontem, o Jornal de Negócios noticiava "Cavaco Silva leva o mar e a nanotecnologia na mala". Agora, leio no Expresso que Cavaco escreveu no seu Facebook, sobre a sua visita a Helsínquia: "Tentei abrir portas".

 

Como parece evidente, o Presidente da República já anda no gamanço. Cavaco não aguentou a vergonha de chegar a casa sem dinheiro. Avisem os turistas em Belém, por favor.

Kanal? Querem matar o homem?

por Zé Pedro Silva, em 09.02.12

Numa altura em que se discute o Acordo Ortográfico graças à teimosia charmosa do Vasco Graça Moura, é engraçado ver que a PT lançou um novo produto, que se chama, nem mais nem menos, que Meo Kanal. Este 'k' de canal não vai cair nada bem na abundante tolerância gramatical que caracteriza o pobre do Graça Moura, que por esta hora já se terá jogado de cabeça no fosso de orquestra do grande auditório do Centro Cultural Belém. E até eu, que não desgosto assim tanto do Acordo Ortográfico mas vomito copiosamente a linguagem das novas gerações, era capaz de me jogar a seguir, não fosse o risco de cair em cima dele, que de tão conservador, ao ver um homem em cima de outro, sendo ele um deles, mataria logo ali os dois, suicidando-se em seguida.

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