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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Os pobres dos pobres e dos políticos

por Zé Pedro Silva, em 31.05.12

Esta tarde, numa loja nas Amoreiras, uma senhora chegou ao pé de mim, pediu-me desculpa e depois pediu-me ajuda. Noutros tempos, quando chegavam ao pé de nós com esta conversa, sabíamos o que queriam ou para que queriam. Hoje, não sabemos. Quereria ela dinheiro para comer? Para ajudar os filhos? Os netos? É dramático.

 

Eu disse que não a podia ajudar com aquela agressividade de quem ainda pensa que vai tudo a correr snifar, mas se calhar agora é para comer. Por isso arrependi-me, mas, em bom rigor, também não a podia ajudar. Não pode ser assim. As pessoas não podem andar a pedir nas ruas - neste caso nas lojas. A sociedade não pode aceitar isto. Têm de existir canais de ajuda, meios de auxílio. Não podemos ter evoluído tanto para voltar a ver uma pessoa em cada esquina a pedir.

 

O cabrão do Estado, que enche os bolsos com milhões a tantos patifes, cortou o rendimento social a milhares de pessoas. É certo que nesses milhares de pessoas havia mandriões, mas eu quando vejo os casos das parcerias público-privadas, de alguns autarcas ou dos licenciamentos dos Freeports - e podíamos continuar por aqui horas - confesso que não acho assim tão grave conceder uma prestação social de solidariedade, sem regras tão apertadas, mesmo que isso também beneficie um ou outro patife pouco ambicioso.

 

Entretanto, os mais pobres podem sempre tentar fazer uma coisa, que acho que resulta. Pelo menos tem resultado. Em vez de pedirem o rendimento mínimo, na Segurança Social, peçam às pessoas certas 10 milhões de euros, num almoço no Ritz, mas combinem que lhes dão 2 milhões. Numa semana é tudo desbloqueado. Vai uma aposta?

Este país não é para a esquerda

por Zé Pedro Silva, em 30.05.12

Francisco Louçã ainda está aí para as curvas. Falou-se recentemente da sua saída da coordenação do Bloco. É verdade que o Bloco tem andado a bater com a cabeça nas paredes, no campo eleitoral, mas Louçã ainda é dos melhores parlamentares que por aí anda; não só na actualidade, mas desde há bastante tempo, porque seria injusto referir-me apenas à actualidade, que é muito pobre em matéria de parlamentares.

 

Eu não jogo na equipa do dr. Louçã, mas reconheço que é um político com personalidade e inteligência, duas virtudes pouco vistas, por estes dias, na cena política portuguesa. Para o Bloco, a saída de Louçã da liderança é um grande problema, porque provavelmente vai pelo cano. Ana Drago é a única que pode aguentar o barco, embora duvide que também consiga algum dia chegar a bom porto. Este país não é para a esquerda, goste-se ou não da ideia.

A defesa incrível de um político

por Zé Pedro Silva, em 30.05.12

Ouvia hoje o primeiro-ministro no Parlamento. Às tantas perguntou ao simpático - mas fraquinho - Jerónimo de Sousa: «O senhor ministro Miguel Relvas é acusado concretamente de quê?»

 

E assim acabou a intervenção, deixando no ar a ideia de que não há nenhuma acusação contra Relvas. Mas até podia haver. Os portugueses já sabem como é que isto funciona. Quando ainda só há suspeitas, dizem que não há nenhuma acusação. Depois, quando há acusação, dizem que não há condenação. E depois, quando há condenação, metem recurso.

 

Entretanto já ninguém quer saber do assunto, isto se não tiver prescrito.

Do que todos os portugueses e portuguesas, menos os cabrões, precisavam agora mesmo, era disto

por Zé Pedro Silva, em 28.05.12

Os casapianos e os cabrões

por Zé Pedro Silva, em 28.05.12

Parece que durante muito tempo foi possível fazer tudo às crianças da Casa Pia com a conivência do Estado. Não há palavras para descrever os cabrões que não defenderam as crianças.

 

Já sabemos que há muita merda de gente, mas estes patifes ainda conseguem ser dos piores, dos mais reles. Devo confessar que tenho mais respeito por um monte de esterco, que aliás sou incapaz de pisar, já esta gente era com os dois pés.

Statement

por Zé Pedro Silva, em 28.05.12

"Sabe, a mais de 15 mil quilómetros de distância as polémicas que lá correm chegam cá de uma forma um pouco imprecisa." - Cavaco Silva, em Singapura, via Expresso.

 

O Presidente da República portuguesa é um palerma como há poucos.

O único banco que eu gramo

por Zé Pedro Silva, em 27.05.12

É um enorme prazer ajudar o Banco Alimentar Contra a Fome. Prazer naturalmente triste, porque a necessidade que dá origem a este prazer não é nada feliz. Mas impotentes para acabar com a fome do mundo e até com a dos nossos vizinhos, podemos ao menos tentar fazê-lo com boa cara e sem comiserações. Quando compro arroz, massa, bolachas, leite ou azeite para o Banco Alimentar, não estou a dar nada a ninguém. Estou a comprar para mim a contar com eles.

 

Ontem encontrei-os num supermercado e lá entreguei um saquinho cheio. Hoje encontrei-os noutro e lá foi mais um garrafão de azeite. Tenho um enorme prazer nisso e acho que o Banco Alimentar devia ter uma loja ou um espaço nos supermercados permanentemente. Por mim, sempre que lá vou gostava de poder comprar qualquer coisa para o Banco. Nem que seja um pacote disto ou daquilo. Com sessenta ou setenta cêntimos podemos dar um quilo um litro de qualquer coisa. Não é de se dar sempre qualquer coisa? Claro que é.

 

Não percebo, portanto, por que fazem apenas estas campanhas de tempos em tempos. Não tenho dúvidas de que há muitas pessoas que não se importam e querem mesmo dar qualquer coisa sempre que vão às compras. Vamos lá arranjar uma solução para tornar isto possível.

O espião Marinho

por Zé Pedro Silva, em 27.05.12

"A última coisa que se esperava é que um ex-responsável dos serviços de informação viesse a investigar a vida privada de empresários concorrentes da empresa para a qual foi contratado", disse ao Expresso Marinho Pinto.

 

Essa agora, Marinho Pinto. Eu, se corrigisse provas de acesso à Ordem dos Advogados e se o aluno Marinho Pinto me desse uma resposta destas, riscava-a de um lado ao outro. A última coisa que se esperava era que um estafeta, por exemplo, ou um contabilista viessem a investigar a vida privada de empresários concorrentes da empresa para a qual foi contratado. Agora, quando um ex-responsável dos serviços de informação é contratado para uma empresa, o mais certo é ir investigar a vida privada de alguém, nomeadamente dos concorrentes da empresa.

 

Ou será que Marinho Pinto pensou, quando viu Silva Carvalho ser contratado para a Ongoing, que a missão do espião passava pelo objecto social da empresa?

Lagarde, estou contigo

por Zé Pedro Silva, em 27.05.12

Os comentários da senhora directora do FMI, em entrevista ao Guardian, são aparentemente estúpidos. No entanto, têm uma virtude que não sei se foi pensada enquanto objectivo: tiram as atenções da Europa e da crise dos países periféricos. Ao mostrar-se mais preocupada com as crianças da África subsariana, a responsável pelo Fundo Monetário Internacional revela não acreditar que seja esse o destino da Europa. Parecendo que não, isso são boas notícias para os europeus.

 

Europeus esses que, a ver pela reacção à entrevista, preferiam ter visto Lagarde a denunciar que a situação das crianças na Grécia é tão grave quanto a das crianças de uma pequena aldeia no Níger, o que resulta, felizmente para nós, num manifesto absurdo.

 

Claro que o ideal teria sido evitar comparações, mas não nos podemos esquecer que esta senhora é directora-geral do Fundo Monetário Internacional, ou seja, não preside a uma instância europeia. Ela vê o mundo, naturalmente, de outra perspectiva. As crianças de uma pequena aldeia no Níger são um tema que está em cima da secretária dela. Na nossa não está. Eu estou neste momento a olhar para o monte de papelada que aqui tenho e não vejo nada relacionado com as crianças no Níger. Mas imagino que na secretária de Lagarde haja para lá qualquer coisa sobre isso.

 

E assim, percebo a ideia de Lagarde, embora reconheça a falta de elegância, e subentendo, como já disse, aquela mensagem subliminar que pode bem vir a aliviar a Grécia, Portugal, Espanha e companhia limitada. É importante que o mundo veja que a directora-geral do FMI não está nada preocupada connosco e que está preocupada com a África subsariana.

Por que se devem eles demitir

por Zé Pedro Silva, em 26.05.12

Quando o caso Freeport avançou e caiu em cima do então primeiro-ministro José Sócrates, defendi aqui que se devia demitir. Não interessava nem podia interessar se estava a ser bom ou mau primeiro-ministro, pois a verdade é que as suspeitas que pairavam sobre a figura do chefe de Governo eram demasiado graves e ao manter-se no cargo arrastava todo o país com ele.

 

Tenho a mesma opinião sobre Cavaco Silva, cujas ligações ao maior escândalo financeiro do país não foram ainda completamente esclarecidas e há registo de benefícios que, mesmo não sendo ilegais, estão muito longe daquilo que é admissível a um Presidente da República. Comprar acções por metade do preço a um banqueiro responsável por uma fraude que custou milhões de euros aos contribuintes portugueses é um negócio tão bom como uma conduta tão má. 

 

Temos agora Relvas, que também sujeita o país à vergonha de o ver manter-se no poder, quando são já manifestas as ligações a uma rede de espionagem que serviu interesses pessoais, políticos e económicos. Como se não bastasse, ameaçou jornalistas e prometeu boicotes do Governo a um jornal.

 

É verdade que Sócrates pode nunca ter recebido o que quer que fosse pelo licenciamento do Freeport. É verdade que Cavaco pode ter investido no BPN acreditando que estava a pôr o seu dinheiro num projecto honesto e não apenas para lucrar à maluca como todos ao seu lado estavam a lucrar. E Relvas pode, de facto, ter visto apenas uma vez e de perfil o tal Silva Carvalho que lhe enviava mensagens contra a sua vontade.

 

Tudo isto pode ser verdade. Ou não. E é justamente esta dúvida, animada por legítimas suspeitas, que não pode recair sobre titulares de cargos públicos. A demissão devia ser, portanto, uma obrigação, prévia a qualquer esclarecimento cabal, pois se sobre eles não pendesse afinal culpa alguma, sobre os portugueses é que garantidamente não pendia e o peso de ocupar cargos públicos é mesmo esse: não representam apenas os seus titulares, mas todos.

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