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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Isto é mesmo um sequestro

por Zé Pedro Silva, em 30.07.12

É a segunda vez que vejo o senhor primeiro-ministro a assistir a uma demonstração da polícia para enfrentar eventuais cenários de contestação social. Por isso quero aqui dizer, como disse da primeira vez, que há poucas coisas mais estúpidas e absurdas que um chefe de Governo de um país que ainda não tem problemas de contestação social estar a ameaçar essa contestação com uma resposta dura das autoridades.

 

É completamente patético. Passos Coelho até pode ter em cima da sua mesa relatórios de que isto está para estalar. Oiço falar nesses relatórios há quatro anos. Há quatro anos que isto está quase a estalar. Todavia não estalou. Ainda. Mas o brutamontes do Passos Coelho, indiferente a esse pormenor de a violência ainda não se ter instalado na rua, avisa já que vai dar porrada.

 

Talvez seja uma estratégia de "deixem-se estar como estão, quietinhos". Ou seja, isto é mesmo um sequestro. Nós estamos sequestrados e o gajo que a Troika deixou a vigiar-nos acabou de avisar que se algum de nós se mexe ele dispara. Any of you fuckin' pricks move and I'll execute every motherfucking last one of you.

Um bocadinho de impostos, para animar

por Zé Pedro Silva, em 30.07.12

Socorro, socorro, preciso de um fiscalista. É que há uma coisa que eu não percebo. Os bancos continuam a ter uma ligeira borla fiscal em sede de IRC à conta do tremendo risco que assola os seus negócios, não continuam?

 

Pergunto isto porque Ricardo Salgado queixou-se hoje da carga fiscal sobre o BES, nomeadamente por não conseguir deduzir perdas de 192 milhões de euros com EDP e PT. Ou seja, se se mantiver o sistema fiscal especial para bancos, justificado com o risco, Ricardo Salgado queria mais deduções depois da compensação prévia pelo risco.

 

Dito de outra forma: Pagam menos por causa do risco mas quando as coisas correm mal ainda querem deduzir o desastre no bolo total. É isto? É que se for, é lindo. Não há risco. Até um péssimo negócio é um excelente negócio.

55 milhões + políticos = 21 milhões

por Zé Pedro Silva, em 26.07.12

O Pavilhão Atlântico custou cerca de 11 milhões de contos, ou seja, 55 milhões de euros. Foi hoje vendido pelo Estado por 21 milhões de euros, ou seja, cerca de 4 milhões e 200 mil escudos. Construir por 11 milhões e vender por 4 já é mau demais para ser verdade, mas porventura não satisfeitos com a vergonha, os governantes ainda anunciam o negócio com orgulho.

 

Com esta desvalorização, desvaloriza-se tudo à volta. A cidade toda. Todos os espaços.

 

Mandava o bom senso e o respeito pelo dinheiro dos contribuintes - tenha ele sido bem ou mal investido no passado - que a base de licitação para o Pavilhão Atlântico fosse de 55 milhões de euros. Não aparecendo nenhum interessado, então concessionava-se a exploração pelo custo de manutenção, para o Estado não ter encargos, até que aparecesse alguém a bater a nota.

 

Mas não... 21 milhões de euros? Vende já e depressa, antes que o comprador se arrependa e dê só 20. 

As exportações...

por Zé Pedro Silva, em 25.07.12

É impressão minha ou para o Governo só interessam as empresas que exportam? Parece que as outras são todas para fechar, porque são um bando de inúteis que não fazem o país andar para a frente.

 

Enquanto esta merda não for uma pequenina China, com tudo a fabricar coisas 24 horas por dia, por dois tostões, para vender ao mundo, estes gajos não descansam. Um povo pobre, muito pobre, triste, muito triste, mas a fabricar imensas coisas para o mundo. É este o modelo.

 

Por mim, já me estou a ver a montar iPad's, dez horas por dia, por 350 escudos por mês. E ficarei naturalmente orgulhoso do meu país, que exporta como o caraças. Tanto que até sou eu que aperto todos os parafusos dos iPad's fabricados na linha 452 da fábrica da Tugatech, em Samora Correia. 

Que se lixe o Passos Coelho

por Zé Pedro Silva, em 24.07.12

Passos Coelho não quer saber das eleições para nada. Ele só pensa em Portugal e nos portugueses. Afirmou mesmo, numa reunião com o grupo parlamentar, "que se lixem as eleições".

 

De facto, Passos Coelho já deu provas de não pensar apenas nas eleições, nomeadamente quando aldrabou um país inteiro para as ganhar. Sim, porque Passos Coelho chega ao poder a mentir à bruta. A tal ponto que, na minha opinião, há um problema de legitimidade, porque o que se diz nas campanhas e sobretudo os programas devem ser entendidos como compromissos. Mas compromissos, compromissos, não é breve resumo de vagas intenções.

 

Um primeiro-ministro não pode ser eleito a dizer que baixa os impostos e depois aumenta-os severamente. Um primeiro-ministro quando promete baixar impostos e percebe que não o pode fazer quando chega ao poder, então tem de pedir a demissão. Só assim, impondo que as suas palavras tenham valor, conseguimos obrigar os políticos a falar verdade.

 

Portanto, Passos Coelho, com esta história do "que se lixem as eleições", está já a fazer-se às próximas mas como quem não se faz e até quer que elas se lixem. Mas Passos Coelho já não engana ninguém. É até ridículo vê-lo a esforçar-se por ter assim estas saída sonantes - vulgo sound bite -, pensadas talvez com o senhor doutor expresso Relvas. E é ridículo porque não é preciso. Passos Coelho chega ao poder porque o povo não tinha mais hipóteses. E enquanto não tiver mais hipóteses, Passos Coelho continuará no poder, sem precisar de se esforçar, como aparentemente está a fazer.

 

Passos Coelho e o seu Governo são como uma grande explosão no universo que dá cabo do mundo, ficando apenas um homem e uma árvore muito feia. O homem acabará por ter relações com a árvore. Mas depois, a seguir a outra explosão, se reaparecessem todos os homens e mulheres e animais do mundo, o homem sentiria nojo e regurgitaria infrene só de pensar que tinha comido a árvore.

E se este maluco tiver razão?

por Zé Pedro Silva, em 21.07.12


Publico esta imagem da Reuters porque concordo com este cavalheiro. Em tempos formulei uma teoria semelhante: E se esta crise, que às vezes parece controlada, fosse apenas uma estratégia para tornar a Europa mais competitiva em relação às economias asiáticas?

Bem sei que é altamente conspirativa esta teoria, mas há dois dados importantes e sólidos que a justificam. Primeiro, a Europa como estava, com tudo a receber mais ou menos bem e muita protecção social, estava feita ao bife. Não é possível competir com economias que estão a crescer e que pagam aos trabalhadores com uma sandes ao final do dia a dividir por todos. Para muitos políticos e economistas, a solução é também nós começarmos a pagar com sandes ao final do dia a dividir por todos.

Depois temos a própria crise, que é muito estranha. Isto das dívidas soberanas é assim um bocado estranho. De um dia para o outro começou a falar-se em risco de incumprimento, as dívidas dispararam, levou tudo as mãos à cabeça e pronto, ficou tudo de pernas para o ar. Em parte, portanto, é bolha. Se o risco cair amanhã, como começou a subir num certo dia - sem razão aparente - imediatamente as economias da zona euro ficam um brinco. Então por que não baixa o risco? Parece que há qualquer coisa a segurá-lo, não é?

Por exemplo, Portugal tem ouro, tem um povo muito sereno, paz, recursos naturais. Quem olha para Portugal não pode ver uma ameaça ao seu investimento. Com mais risco temos o Brasil, que sofre mais com a instabilidade política interna e da região.

Então, por que razão permanece este risco mais ou menos constante sobre a maioria das economias europeias? E por que razão não declarámos já a bancarrota e andamos sempre neste limite? É porque se os europeus fossem um bife, eu diria que estão no ponto. Nem crus nem estorricados. É isto mesmo que convém a uma eventual estratégia de baixar salários e eliminar direitos para tornar a Europa mais competitiva. E assim, o senhor da imagem pode ter razão. A crise acaba quando se conseguir isso.

Freeport, crime ou apenas um erro?

por Zé Pedro Silva, em 20.07.12

A pergunta que se impõe fazer é: Por que razão o Ministério Público não investigou logo, desde o início, José Sócrates? Dos suspeitos, ele era o mais grave, naturalmente porque era primeiro-ministro. Então, porque se foi dar esta volta toda, julgar estes dois pobres intermediários, em vez de se investigar logo a principal suspeita que existia em todo o processo?

 

Não quero com isto acusar José Sócrates. Aliás, entendo que, estando inocente como ele afirma estar, até para o bem dele devia ter sido logo investigado. Se assim tivesse acontecido, provavelmente já estaria descansado e com o seu nome limpo de qualquer difamação.

 

Mas não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi que não se deu tempo ao Ministério Público para investigar todas as suspeitas, depois fez-se assim um julgamento de fachada onde os dois suspeitos menos graves eram acusados do crime menos grave, esperando com isso resolver o caso Freeport.

 

E de facto, se o tribunal que julgou estes dois biombos não tivesse extraído uma certidão que permite ao Ministério Público voltar a investigar - agora como deve ser, o que deve ser - a verdade é que o assunto tinha ficado por aqui e a notícia que saía era que estava tudo inocente no famoso caso Freeport. No entanto, o tribunal parece não ter gostado de ser usado como fachada e fez agora o que a Justiça devia ter feito no início do processo: investigar a suspeita que existe e não as manobras de diversão.

 

Pela minha parte, defendi aqui, no ponto mais alto deste escândalo, que José Sócrates devia demitir-se para resolver este caso. As suspeitas eram muito fortes, o caso parecia ser bastante complicado, e, ao manter-se no poder, Sócrates arrastava consigo todo o país para terrenos pantanosos.

 

Esta minha convicção não se prendeu, de modo algum, com razões políticas, porque eu não achava na altura, nem acho agora, que José Sócrates foi o pior que aconteceu a este país. Aliás, no ponto mais alto deste escândalo, Portugal tinha um défice invejável. Quem nos dera agora andarmos lá perto.

 

Mas ao mesmo tempo que considero Sócrates politicamente competente, com coragem, inteligente, reformista e inovador, também considero que tem um grande defeito. Não sei se foi à horta, mas que ficou a ver, ficou. Nos últimos tempos, são mais que muitos os casos em que o Estado abriu mão da vigilância e abandonou as regras, umas vezes à descarada outras justificando com a urgência dos investimentos. E enquanto isto se passou, pode ter havido muita corrupção ou pode não ter havido nenhuma. Mas a suspeita fica sempre e é por isso que politicamente considero um erro.

 

Tal como o Freeport. Se não se tivesse feito um licenciamento à pressa numa área até então protegida, não havia qualquer suspeita. Neste caso com a agravante de ter o seu mandato a chegar ao fim. José Sócrates podia muito bem ter deixado a decisão para o seu sucessor. Mas não deixou e isso, pelo menos e por enquanto, foi um grande erro político. 

Os meios aéreos...

por Zé Pedro Silva, em 20.07.12

 

Esta imagem da RTVE chega de Tenerife, onde parece que as autoridades não concordam com os senhores do Governo Regional da Madeira e com os senhores do Governo de República. No combate aos incêndios, nas Canárias, estão a operar 7 helicópteros e 3 hidroaviões.

 

Alberto João Jardim, Miguel Macedo e Passos Coelho têm de explicar por que razão os meios aéreos não são precisos na Madeira e em que medida foram activados todos os meios necessários.

 

Em declarações à imprensa, a atrapalhação de Miguel Macedo é notória. Diz que lhe disseram que os meios aéreos não são úteis. Mas diz isto com a convicção de quem diz que os cães deslocam-se em duas patas.

 

A verdade é que tem tudo medo do Alberto João que, como não investiu em meios aéreos de combate a incêndios nem teve coragem de os pedir, diz agora que eles não são precisos. Foi até capaz de dizer que como está vento podia dar-se um desastre aéreo.

 

Pelos vistos, se for preciso a Madeira arder toda só para se aparar mais um golpe do senhor Jardim, estou certo que ninguém se oporá.

Madeira, suas tragédias e autoridades

por Zé Pedro Silva, em 19.07.12

Sobre os tristes acontecimentos na Madeira, há duas coisas que é preciso, desde já, mesmo enquanto o fogo lavra, discutir. Uma é a suspeita forte de ser fogo posto, outra são os comentários dos responsáveis políticos da região.

 

Uma semana antes de começar este incêndio, Alberto João Jardim atirou-se às corporações de bombeiros, acusou-os de meterem pessoas a mais e disse que não lhes dava mais dinheiro. Disse que eles tinham de se "virar" sozinhos. É ou não suspeito que, depois disto, um violento incêndio tenha início num ponto relativamente estratégico?

 

Claro que é muito suspeito e isto tem de ser muito bem investigado, desde já. Não se pode perder um segundo. Pode ter sido uma enorme coincidência, é verdade, mas também pode não ter sido e esta hipótese é muitíssimo grave.

 

Depois temos os comentários dos responsáveis políticos sobre os meios de combate. Eu admito que não percebo nada de combate a incêndios, mas fez-me alguma confusão ouvir um secretário regional dizer que os meios aéreos ali, na Madeira, não servem para nada. Eu era capaz de jurar que um helicóptero leva o homem até onde ele não chega por terra. E também era capaz de jurar que a Madeira tem uma geografia que impede o homem de chegar a muitos sítios - ainda há duas semanas lá estive, nomeadamente em algumas destas zonas muito afectadas.

 

Assim, gostava que me explicassem a razão para se dizer que os meios aéreos não funcionam na Madeira. Sou capaz de perceber que dois limpa-neves não fazem nada no aeroporto de Luanda, mas será que um helicóptero preparado para combater incêndios é supérfluo na Madeira? Como? Porquê?

 

Naturalmente que agora é tempo de apagar o fogo e de ajudar as pessoas, mas nem todos podemos estar envolvidos nessa nobre missão. Quem não está pode, por isso, tentar perceber se as autoridades fizeram tudo o que estava ao seu alcance para evitar a tragédia. Porque é disso mesmo que se trata: perceber se as autoridades estavam preparadas e responderam bem.

 

Incêndios haverá sempre. Seja fogo posto, descuido ou espontâneo. A nossa obrigação - representados pelas autoridades - é responder rápida e eficazmente. E isso tem de ser discutido e avaliado sempre, porque é nessa discussão e avaliação que se começa a responder melhor ao próximo.

Ufa!

por Zé Pedro Silva, em 19.07.12

Uma pessoa ouve que o Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, já está na Madeira e fica logo mais descansada.

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