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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Quem são os ignorantes?

por Zé Pedro Silva, em 30.09.12

Há um exagero enorme nesta berraria contra António Borges. Percebe-se imediatamente que ele foi longe demais no discurso e disse uma grande asneira, da qual se terá rapidamente arrependido. Chamou “ignorantes” aos empresários que não perceberam a diminuição da TSU.

 

Mesmo admitindo que até gostou, e que mantém e nem se arrependeu, as declarações não são assim tão graves para merecerem todo este espalhafato. Sobretudo quando vêm de um grande defensor do descida da TSU, ou seja, alguém que está magoado naturalmente com o resultado desastroso da medida.

 

Posto o problema assim, creio que é evidente a irrelevância das declarações. O que faz de todo este coro contra Borges um bando de cobardes, a pontapear alguém que já está no chão. Aliás, Borges cai sozinho, quando disse aquilo. Não era preciso ninguém dizer mais nada. Todos os contra-ataques foram baixos e reles.

 

Depois há também esta comunicação social portuguesa que está cada vez pior, transversalmente. Alexandre Soares dos Santos, uma das únicas pessoas que esteve bem nesta história, defendeu António Borges, sublinhando que considerava ter sido infeliz naquela afirmação. As declarações de Soares dos Santos são nítidas, claras e objectivas. No entanto, a Renascença faz uma notícia com o título “Soares dos Santos dá razão a António Borges”.

 

Qualquer leitor, perante este título, imagina que Soares dos Santos subscreveu a parte em que Borges disse que os empresários que não perceberam  a descida da TSU são ignorantes e isso é absolutamente falso. Soares dos Santos disse apenas que gostou da intervenção de António Borges, defendeu que se devia estar a discutir a intervenção toda e não apenas aquela parte, onde Borges foi manifestamente infeliz.

 

Enfim, notícias mal feitas, ofensas, golpes baixos, cobardia, e um país a discutir uma frase sem grande importância se tivermos em consideração o contexto. Não são os empresários que são ignorantes, nem é o António Borges, somos todos e muito. Muito ignorantes.

Paulo Campos não vê o contraditório à sua frente

por Zé Pedro Silva, em 27.09.12

«"Sempre mostrei total disponibilidade para colaborar com a comissão de inquérito parlamentar [sobre as PPP], com a justiça e com os órgãos de comunicação social para esclarecer todas as matérias - matérias que têm sido veiculadas ao longo de meses sem que na maiorias das vezes tenha sido feito o contraditório relativamente àquilo que era dito. Portanto, quero registar o interesse relativo a esta matéria [PPP] e, sobretudo, quero dizer que estou totalmente disponível para esclarecer todas estas questões nos espaços de comunicação. Há longos meses que se assiste a insinuações e calúnias, na maioria das vezes sem qualquer possibilidade de contraditório, apesar de eu, reiteradamente, ter manifestado a minha disponibilidade para exercer esse contraditório"», disse Paulo Campos ao DN.


Por que raio não aproveitou logo para exercer esse contraditório? Tinha ali um jornalista da Lusa (a notícia do DN vem da Lusa) e não aproveitou logo para explicar as renegociações das PPP, mesmo que fosse assim por alto, porquê?


Ficou-se por este "eu quero exercer o contraditório, deixem-me exercer o contraditório, raios, não me deixam exercer o contraditório, por favor, quero muito esclarecer tudo, deixem-me esclarecer, eu quero esclarecer, estou doido por esclarecer, vocês quando ouvirem as minhas explicações até ficam malucos, vá lá, o contraditório, por favor, quero muito, muito mesmo, só um bocadinho, a sério, please, ó pá vá lá, deixem-me explicar, quero explicar, pronto não me deixam explicar, não me concedem o contraditório, maus, feios".


É muito ridículo. E mesmo que a comunicação social estivesse toda unida para não deixar falar Paulo Campos, será que ele não tem Facebook? Como é que um dos homens do governo do choque tecnológico está assim tão incomunicável em pleno século XXI?

Procurador impressionável e impressionante

por Zé Pedro Silva, em 27.09.12

O Procurador Geral da República, que é aquele indivíduo simpático que dizia que ouvia barulhos esquisitos no telefone e que agora diz que o Sócrates ligou-lhe uma vez a desejar bom Natal e estes até ligam mais mas não é para fazer pressões deus me livre que isso nunca lhe aconteceu porque jamais alguém neste mundo se atreveria a pressioná-lo, culpou Cândida Almeida pelo fim apressado das investigações ao caso Freeport. Cândida Almeida é aquela senhora simpática que diz que os políticos não são corruptos que não há corruptos que isso é tudo uma conspiração e os portugueses podem dormir descansados e até com a porta da frente no trinco porque não há cá disso.

 

Ou seja, os investigadores queriam investigar mais e com mais tempo. A procuradora responsável, que publicamente afirma que os políticos não são corruptos, entende naturalmente que não vale a pena investigar mais nada, porque não há políticos corruptos está-se ali só a perder tempo, e encerra o processo.

 

Lá em cima, um Procurador Geral assiste a tudo mas não pode fazer nada até porque ainda está a tentar reparar a porra do telefone que faz uns barulhos esquisitos. E esse Procurador, hoje, a acabar o mandato, diz que nunca foi pressionado, o que significa que nem foi preciso pressioná-lo para que as investigações aos principais casos de corrupção saíssem uma bela cagada. Excelente. Eu, no seu lugar, teria dito que tinha sido pressionado. Sempre deixava o cargo com mais dignidade.

E o burro é ele?

por Zé Pedro Silva, em 26.09.12

Há um desporto universal assim para pessoas muito inteligentes que é gozar com os candidatos republicanos à presidência dos EUA. Tudo é motivo de chacota. Mal abrem a boca, logo uma parte substancial do mundo se começa a rir. A coisa ficou particularmente exagerada a partir de George Bush, que é o bobo predilecto de uma esquerda arrogante e convencida que eu, particularmente, acho muito mais estúpida e perigosa que George W. Bush. Depois também apareceu Sarah Palin que, ela sim, não ajudou muito.

 

Bom, mas a mais recente gargalhada desta paródia anti-republicana foi por causa do comentário de Romney sobre aeronáutica. O candidato ter-se-á questionado sobre as razões para não se poder abrir as janelas dos aviões, isto na sequência de um incidente com um avião onde seguia a sua mulher.

 

Enquanto na sala todos os presentes se riram da piada, pelo mundo fora todos se riram de Romney. Mas era, de facto, uma piada. E o mundo terá feito figura de estúpido, tudo por causa desta vontade incontrolável de chamar burros aos republicanos. Um jornal diário português, li eu, ninguém me contou, até "chegou à fala" com uma professora do Técnico para a "engenheira" explicar por que raio não se pode abrir uma janela num avião. E depois o senhor Romney é que é "distraído".

 

Meanwhile, os disparates do senhor Obama passam completamente incólumes. Ah! Já me esquecia que o senhor Obama não diz disparates nem comete gafes. Por momentos ignorei que a América é governada por um génio.

 

Foi o povo!

por Zé Pedro Silva, em 26.09.12

«Portugal se ha convertido en el primer rebelde entre los rescatados de la Eurozona. Una nutrida manifestación ha obligado al Gobierno del conservador Pedro Passos Coelho a dar marcha atrás en sus planes de recorte de las contribuciones sociales a las empresas para subírselas a los empleados, lo que equivalía a una reducción generalizada de sueldos de un 7%.», pode ler-se no editorial do El País.

 

Tem alguma graça, para não dizer muita, esta ideia de que foi a manifestação que fez o Governo recuar na TSU. Na verdade, foram políticos no activo e na reforma, comentadores, opinion makers, analistas, economistas, gestores e empresários. Nem os dez milhões de portugueses na rua tinham tanta força como o raro uníssono que a subida da TSU gerou nos detentores do poder político, económico e social. Sendo certo que estamos na presença de uma pescadinha de rabo na boca, porque a afluência dos indignados à rua também resulta, em muito boa medida, deste consenso universal.

 

Mas pronto. Gostamos de ser românticos e dizer que foi o povo. Então pronto, foi o povo!

Manipuladores ou visionários?

por Zé Pedro Silva, em 25.09.12

Grande indignação com o vídeo do Turismo de Portugal que adultera a imagem de Lisboa, esticando a Braancamp, enfiando-lhe quase outra rotunda do Marquês a meio.

 

Bom, eu não sei se é assim uma coisa tão do outro mundo. Falem com o dr. António Costa. Ele em vez de pedir para corrigir o vídeo vai mesmo enfiar outra rotunda do Marquês na Braancamp.

A cigarra, a formiga e o Governo

por Zé Pedro Silva, em 24.09.12

O problema do portugueses, caro Miguel Macedo, não é haver muitas cigarras e poucas formiguinhas. O problema dos portugueses é que as pobres das formiguinhas têm de levar às costas um pedaço de lixo muito pesado e inútil, que é o Governo. É que isso, parecendo que não, atrapalha.

A crise dos figurantes

por Zé Pedro Silva, em 20.09.12

Neste aspecto, também somos grandes. Desde o início da crise das dívidas, nenhum país teve uma crise política dentro do próprio governo. Ou seja, os governos caíram, houve eleições em todos, mas a bronca estava quase sempre na oposição ou nos órgãos de soberania. Nunca foi o próprio governo a andar ao estalo. Se isso aconteceu foi na Grécia, com aqueloutro primeiro-ministro que pediu desculpa aos gregos. Mas a crise no governo desse também teve origem na luta parlamentar, nomeadamente depois de ele se sair com aquela ideia que fez a Merkel cuspir a chucrute pelas narinas, do referendo ao tratado europeu.

 

Cá não. É dentro do próprio governo que surgem os problemas, com uma oposição banana e um presidente ridículo, que se queixa da reforma. É evidente que também houve, por causa da TSU, muita gritaria por aí, mas convenhamos que era mais fácil o governo ultrapassá-la com união. Ou seja, o momento da crise ainda foi mais absurdo e prova que existiram, de facto, traições.

 

Seja como for, por mais estúpido que tudo isto seja, é indiferente para quem mete cá dinheiro. Ainda agora tivemos um leilão de dívida espectacular. Isto só prova aquilo que defendo há muito: os investidores estão-se nas tintas para estes bananas destes políticos, porque sabem que eles não mandam nada. Portugal é encarado, sempre, como um investimento inserido no contexto europeu e ocidental, por isso estes gajos até se podem matar uns aos outros em São Bento.

 

Já no tempo de Sócrates era a mesma coisa. Conseguíamos colocar dívida e apareciam logo os moços de recados a dizer "estão a ver como é ele o homem certo para nos tirar da merda?". Mas quem comprava essa dívida, queria lá saber do Sócrates e das medidas do Sócrates. Como querem agora lá saber do Passos Coelho. Se alguma coisa dependesse mesmo destes, estou certo que nenhum investidor poria cá um cêntimo. Mas a verdade é que não depende. Nada. São figurantes. E muito fracos, do ponto de visto artístico. Político nem se fala.

Tempestade tropical

por Zé Pedro Silva, em 19.09.12

O Corvo, há instantes. Os Açores estão a levar com a Nadine.

Nota sobre a actualidade, do PSD à Coreia

por Zé Pedro Silva, em 19.09.12

- Passos Coelho perdeu uma incrível carreira como modelador, porque modela imensas coisas. No início do Governo houve uma bronca parecida com esta da TSU, logo anunciou que ia modelar. Não me lembro qual era a bronca. Agora, sobre a TSU, vai modelar. A resposta ao CDS? Também vai modelar. Bom, com tanta modelação, um dia ainda se modela.

 

- Vítor Gaspar vai estar hoje com o ministro das Finanças alemão a discutir o plano de ajustamento português? Em bom rigor, ele vai lá estar para dizer "sim senhor", "claro que sim", "é evidente", "obviamente", "está bem", "vou fazer assim mesmo", "bebe com ou sem açúcar?", "sim, senhor ministro", "quer que tire quantas cópias?", "ok, é para já", "certo", "já fui ao seu carro pôr moedas, pode estar descansado", "está certíssimo" e "obrigadinho".

 

- Ao fim de 11 anos, o chef de sushi de Kim Jong-il regressou à Coreia do Norte a convite do filho do seu antigo patrão. Tinha deixado o país por achar que corria risco de vida e não era para menos, pois havia escrito livros sobre a família do ditador. Esta história é muito engraçada. O filho de Kim Jong-il, actual líder, deve ter pensado "pá, tenho umas saudades daquele sushi do chef que o meu pai queria matar, tragam-mo de volta, se fazem favor". É como nós quando pensamos "pá, há tanto tempo que não como umas tortas de Azeitão!". Só que a história da Coreia do Norte, como sempre, é muito mais gira.

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