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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Algumas notas sobre a actualidade

por Zé Pedro Silva, em 29.03.13

A primeira, para ladrar ao novo nome que se dá ao centro novas oportunidades. Já os centros novas oportunidades era um nome novo para uma coisa que já existia. Não há meio de acabarmos com este desperdício de cada governo chamar os bois pelos seus nomes. São milhares de euros - no total são milhões - em tretas. Se querem mudar as competências dos organismos, mudem, mas deixem estar o nome, a designação, etc.. Temos muito esta mania de querer dar um bonito rótulo à coisa. Damos muita importância à imagem. Muito mais do que à substância.

 

Recordemos, a este propósito, o instituto de meteorologia, que passou a instituto português do mar e da atmosfera. Já aqui falámos sobre isso. Ou o instituto da conservação da natureza, que passou a ser da conservação da natureza e da biodiversidade... Enfim, são mil de exemplos. Não vale a pena. Agora é o centro de novas oportunidades, que passa a não sei quê, só porque tem mais não sei que mais e menos não sei que menos.

 

A segunda nota é sobre Sócrates, porque as ondas de choque da entrevista são mais que muitas. Pela minha parte, ocorre-me uma gigantesca contradição. Ele ontem dizia que as instituições europeias apoiaram o seu PEC IV e que foi a oposição em Portugal que fez asneira e precipitou uma crise. Pois, acontece que é isso mesmo que ele está a fazer agora. As instituições europeias apoiam totalmente o Governo português e o plano de ajustamento. Mais, aliás, do que o PEC IV de Sócrates, porque hoje o apoio é oficial e público. Neste caso, Sócrates está a precipitar uma crise política, quando o Governo tem o apoio das instituições europeias. Se ele no seu tempo achava que a oposição devia ter estado quieta porque a Europa apoiava o seu plano, hoje deve ser ele a estar quieto porque a Europa apoia o plano do Governo.

 

A terceira nota vai para o pobre Cavaco, que respondeu com muita suavidade a Sócrates no Facebook. Sócrates, nas críticas que fez a Cavaco, tinha óbvia e inquestionável razão, embora eu seja da opinião que a luta de Cavaco contra Sócrates foi o melhor que aconteceu ao ex-primeiro-ministro e deu-lhe muita popularidade. Assim, Sócrates devia estar muito agradecido a Cavaco.

 

Bom, mas se Cavaco queria responder à altura, então só tinha de usar a mesma técnica de Sócrates quando não tem razão, que é a táctica do "estou tão ofendido que nem me aguento". Cavaco só tinha de virar o feitiço contra o feiticeiro. Dizia aos jornalistas: - Desculpe, mas isso é absolutamente falso. Isso é uma calúnia e é muito grave que uma pessoa com a responsabilidade de um ex-primeiro-ministro venha agora, passado tanto tempo, acusar o Presidente da República de conspiração, só para brilhar no seu espalhafatoso regresso à política. Isto é de uma enorme irresponsabilidade e eu rejeito totalmente essas afirmações, que não têm qualquer fundamento e que se baseiam apenas na pequena intriga.

Sócrates reloaded II

por Zé Pedro Silva, em 27.03.13

Era o que eu dizia - passe a bazófia. A entrevista foi má mas a culpa não foi de José Sócrates. Os dois entrevistadores entraram no teatro cheios de força, como quem tinha estado o dia todo a ouvir, dos colegas, "tu consegues", "tu consegues", mas minutos depois deram o estalo. Minutos depois já estavam os dois rendidos à famosa táctica de Sócrates de intimidar. Ainda mostravam querer lutar, mandavam umas assim mais fortes, mas depois desapareciam primeiro das cadeiras e depois mesmo do estúdio.

 

A táctica de Sócrates é conhecida. Diz que tudo é "falso", "mentira", "calunioso", "ofensivo" e "insidioso". Ele levanta a voz, depois bufa e revira os olhos. É daquelas pessoas com quem é impossível discutir. Não porque tenha razão, mas porque tem poucas maneiras.

 

Há quem já o tenha vencido. Por incrível que pareça, esse alguém é o frágil Passos Coelho, que num debate das legislativas parecia outro - que nunca mais voltou - e galgou Sócrates. Passos Coelho também não tinha grandes argumentos, mas falou mais alto, apontou o dedo, não se calou e nesse dia foi o outro que enfiou a viola no saco.

 

Naturalmente que os jornalistas, nesta entrevista de hoje, não estavam no papel de Passos Coelho. O papel deles não é concorrer com Sócrates. Mas para discutir com Sócrates é preciso não ter medo dele, falar mais alto e cortar com as mariquices das mentiras, das falsidades e das calúnias, que só servem para intimidar.

 

Com a dupla de jornalistas em pânico, Sócrates lá foi fazendo o seu caminho, dizendo o que tinha estudado. Não foi apanhado em nenhuma curva porque não houve curvas.

 

Perdeu-se também muito tempo com o dinheiro que ele tem e de onde vem. Tempo perdido, a menos que estivessem à espera que Sócrates dissesse que era podre de rico e explicasse que tinha feito uma fortuna com a corrupção. As dúvidas que existem a este respeito - se existem - devem ser tiradas pela Justiça e jamais numa entrevista destas.

 

Mas enfim, não tencionava ver a entrevista, mas acabei por achar piada. Isto é entretenimento. Não é política séria. É um programa. Neste caso, é o big brother socialista. Sim, porque Sócrates veio para expulsar Seguro. Não conseguiram com o afável António Costa, por isso agora vai de Sócrates que é para aprenderem como se faz.

Sócrates Reloaded

por Zé Pedro Silva, em 27.03.13

O badalado regresso de Sócrates deu origem a alguns exercícios de duvidosa perspicácia, como, por exemplo, a comparação entre o país que ele deixou e o país que agora encontra. Isto é como dizer que uma empresa foi à falência mas o gestor liquidatário é que fez merda. É evidente que o país está muito pior agora, mas Sócrates deixou-o na bancarrota. Ora, o momento da bancarrota é sempre melhor do que o que se lhe segue.

 

Não quero com isto dizer que o actual Governo presta para alguma coisa. Não presta. Mas se o actual Governo não é bom a tirar o país da falência, o de Sócrates foi bom a mandá-lo.

 

É verdade que há quem acredite que podíamos ir hoje no PEC 145, sem cortes, sem austeridade, sem desemprego e com imensas obras. É falso. Sócrates foi irresponsável e arrastou o país numa farsa que perdura na imaginação de algumas pessoas: a farsa dos PEC's.

 

Sócrates teve aspectos muito positivos. Em algumas áreas foi do melhor que aconteceu a este país, na era democrática. Mas deixou o país na falência. Quando o país entrou em crise - arrastado em boa medida pela conjuntura internacional - Sócrates quis apagar o fogo com gasolina. Isso é evidente nas obras que lançou, por exemplo, para salvar o sector da construção. A intenção era boa, mas estava-se naquele tempo a levar o país à falência para salvar postos de trabalho na construção civil. Para segurar o desemprego e animar uma economia em queda, o país endividou-se a tal ponto que agora, para pagar a dívida, vai pelo menos um milhão para a rua e a economia não cresce. 

 

E quem continua a acreditar que isto resolvia-se com ainda mais dívida e ainda mais investimento público, é liminarmente estúpido, desde logo, porque ninguém empresta dinheiro ao país, a não ser uma troika que impõe regras e que não aceita, de maneira nenhuma, a estratégia de investimentos públicos à maluca para ir apagando fogos aqui e ali.

 

Em resumo, Sócrates é responsável, pessoal e politicamente, por ter deixado o país na bancarrota e não se pode argumentar que o país está hoje pior do que naquele tempo, porque jamais poderia estar melhor. Aquilo que se pode perguntar é se ele teria sido mais competente a tirar o país da bancarrota em que o enfiou, não obstante os péssimos sinais que deu, naquele tempo, com a tal gasolina para a apagar o fogo. Isso talvez fosse interessante ver na entrevista de hoje. Mas para isso era preciso que Sócrates fosse encostado à parede, pelos jornalistas, e como é evidente será Sócrates a encostar os jornalistas à parede.

 

É só por isso que não pretendo assistir a uma entrevista que, em teoria, teria muito interesse. Se fosse uma entrevista política à séria, podia mesmo ser o acontecimento político mais relevante dos últimos tempos, mas para ver teatro prefiro outras peças.

 

Uma última nota para o CDS, que pretendeu chamar o director de informação da RTP ao Parlamento, por causa deste assunto. Se se levasse esta direita tontinha a sério, isto teria sido um gesto político da maior gravidade. Mas como foi esta direita tontinha, foi só mais uma palermice.

Da violência do roubo

por Zé Pedro Silva, em 27.03.13

Oiço a história de um ourives no norte a quem os bandidos deram um tiro na perna imediatamente antes de lhe sacarem setenta mil euros e só me ocorre dizer que, pelo menos no Chipre, não se leva tiros nas pernas. E a diferença é praticamente só essa, por isso agora vai de cada pessoa, apreciar mais ou menos acção.

Quem tem inveja da Alemanha?

por Zé Pedro Silva, em 26.03.13

 

O mínimo que se esperava do ministro das Finanças alemão era que tivesse mais de 15 anos. Vem isto a propósito das suas recentes declarações, onde defende que as críticas à Alemanha são motivadas pela inveja e dá o exemplo dos alunos com melhores notas, que também são sempre o alvo dos invejosos.

 

O que vem a seguir? Wolfgang Schauble não nos vai emprestar os seus apontamentos? Wolfgang Schauble faz queixa de nós à professora Merkel? Wolfgang Schauble não nos dá uma trinca da sua bola de Berlim?

 

Não sabemos, mas estas declarações dizem muito sobre o ministro alemão das Finanças e sobre todo o Eurogrupo. Parece que estamos a ver esta gente a levar caldos atrás de caldos e isso, na verdade, pode explicar, em boa parte, as pesadas medidas de austeridade exigidas aos países do sul. Trata-se de uma vingança.

 

Mas enfim, pela minha parte, quero dizer ao senhor Wolfgang Schauble que nunca tive inveja dos alunos com melhores notas. Sempre achei, aliás, que dariam "excelentes" ministros das Finanças. E relativamente a ter inveja da Alemanha, também confesso que preferia a República Centro Africana.

E agora, tributa lá

por Zé Pedro Silva, em 25.03.13

Assim de repente, a grande consequência que vislumbro para esta tributação em 30% de contas com saldo superior a 100.000 euros é várias contas de 99.999 euros.

"Agora mandamos nós"

por Zé Pedro Silva, em 24.03.13

O Sporting é um bocado como a direita portuguesa. Fez algumas asneiras grandes, explica-se sempre muito mal, e por isso é gozado com frequência, às vezes com razão mas outras vezes sem razão alguma.

 

Ontem à noite, a demora na divulgação dos resultados era o pagode nacional. No entanto, seis horas para contar votos, mesmo que electrónicos, e com a novidade dos votos por correspondência, não é nenhuma desgraça. Sobretudo quando o presidente da mesa da assembleia geral deve estar a maior parte do tempo a ver televisão com os pés em cima da mesa. Eduardo Barroso, durante a divulgação dos resultados, lá foi dando sinais de que também tinha estado, tal como muitos sportinguistas, a ver televisão.

 

Mas enfim, não sei quanto tempo demora o Benfica a contar votos. E sei que no Porto já se conhece os resultados antes mesmo de se dar início às votações. Mas não percebi o espanto com as seis horas do Sporting, sobretudo depois de todo este tempo em que se levou com Godinho Lopes. Seis horas é um instantinho.

 

Sobre Bruno Carvalho, tenho bastante curiosidade. Ouvi-o dizer aos seus apoiantes no exterior do estádio, já passava largamente das duas da manhã, "agora mandamos nós". Esta é, na minha opinião, a frase da noite. E até eu, que não sou das claques nem estava ali no estádio, vibrei com aquela força do Bruno Carvalho.

 

Não sei se foram longe aquelas tentativas de colar a imagem de Bruno Carvalho à de um aspirante a Vale e Azevedo. Sei que li um artigo do José Milhazes, de 2011, a dizer que tinha conhecido os tais investidores russos com quem o agora presidente do Sporting disse que tinha falado. Milhazes disse que esteve com eles. Falou com eles. Só faltou dizer que os tinha beliscado, para comprovar a sua existência, que era posta em causa por muita gente, aqui em Portugal.

 

Vamos ver se vem de lá investimento, porque o Sporting precisa de dinheiro. Mas para já sabe-se que na direcção do clube está um homem novo, empreendedor, trabalhador e com coragem - feita também do apoio dos adeptos - para cortar com este passado tão corrupto quanto incompetente, que deixou o clube na miséria financeira e desportiva.

Palmada de ouro - na Hora do Planeta

por Zé Pedro Silva, em 23.03.13

A Palmada de Ouro do Festival do Lóbi vai, desta vez, para a Humanidade, essa comunidade de pessoas que bem pode dever milhões aos mercados, mas ao menos não deve nada, rigorosamente nada, à inteligência.

 

A Humanidade está a destruir o planeta a uma velocidade estonteante. Polui muito acima das suas possibilidades. Está a destruir, voluntária e empenhadamente, o seu habitat. E qual foi a solução que arranjou?

 

Apagar as luzes durante uma hora num dia do ano. É esta a solução. Nem sequer decidiu apagar as luzes, todos os dias, à mesma hora. Ou que fosse uma hora por semana. Nem isso. Basta desligar as luzes durante uma hora, um dia por ano.

 

Esse dia é hoje. Parte do mundo já esteve às escuras. Dentro de poucas horas, entre as 20:30 e as 21:30, será a vez de Portugal participar nessa farsa. Apagamos algumas luzes, uma hora depois acendemos outra vez e pronto, já está.

 

Fantochadas destas podem servir para limpar consciências, mas não limpam mais nada. A Humanidade tem de eliminar uma parte substancial da poluição que faz, se quer que o planeta subsista mais uma temporada.

 

Desperdiçamos energia à bruta. Fazemos imenso lixo, a maior parte dele não reciclável. Nem sequer é separado. Há cidades neste mundo onde já não se pode andar, quando o vento está numa determinada direcção, sem se usar máscara! E vêm com estas ideias de apagar as luzes durante uma hora. Algumas luzes, as dos monumentos, gastam mais depois a aquecer do que se estivessem ligadas durante essa hora. Digo eu, que não sou electricista nem engenheiro nem o caneco, mas é o que me cheira. 

 

Com a breca. Havia um meteorito de acertar nisto em cheio, pois não estamos a conseguir destruir o planeta com estilo suficiente. Parecemos tontinhos a apagar luzes durante uma hora. Ao menos um meteorito vinha imponente, com uma imensa bola de fogo em volta, som estridente, velocidade frenética e força bruta. Só podíamos contemplá-lo durante alguns segundos e depois uma forte pressão seguida de um calor imenso arrumava com isto numa fracção de nada.

 

Havia de ser um espectáculo lindo. Pelo menos muito mais lindo que este nosso chatíssimo fim do mundo a que estamos a assistir. 

Chipre, o Chipre, no Chipre, em Chipre

por Zé Pedro Silva, em 22.03.13

Antes de percebermos se queremos ou não o acordo ortográfico, talvez fosse útil acabarmos de montar a nossa língua, pois ainda há muitas questões em aberto. Por exemplo, eu sempre disse e sempre ouvi "o Chipre", "no Chipre", etc.. Mas agora há quem diga "em Chipre", o que faz com que já ninguém saiba qual a forma correcta de se falar daquela ilha ali ao fundo. Portugal divide-se agora entre as pessoas que dizem "no Chipre" e as que dizem "em Chipre".

 

Algo vai muito mal quando um país chega a 2013 e ainda não sabe como falar de outro. Como é evidente, deve dizer-se "no Chipre" e não é por nenhuma razão séria ou gramatical. É porque sempre se disse assim. Vou ao Chipre, claro. Não vou a Chipre. Que merda é esta? Vou a Chipre? Mas ca foleirada...

Sócrates comenta dor

por Zé Pedro Silva, em 21.03.13

Não sei que petição devo assinar, se aquela que não quer Sócrates a comentar na RTP ou aquela que quer. Na dúvida, penso fazer uma nova petição: "Estou-me nas tintas para onde e quando o Sócrates comenta o que quer que seja."

 

Na verdade, sou dos que acham que José Sócrates tem óbvias, evidentes e declaradas responsabilidades na situação em que o país se encontra. Não é o único responsável, naturalmente, mas é um dos grandes e dos mais recentes. É dos mais fresquinhos. Não fez só asneiras, mas fez asneiras das grandes.

 

Acho também uma infâmia a sua pose superior face a tudo o que o rodeia. Mas não o odeio, como muita gente. Acho um homem com esperteza saloia e muito jeito para a política, que só se podia safar num país habitado por pessoas que gostam de ser enganadas. Talvez por isso muita gente tenha medo de o ver na RTP, pois provavelmente vai ser enganada outra vez.

 

Pela minha parte, estou-me nas tintas. Se a RTP quer e ele também, então querem os dois e é o que é preciso. Desde que não me obriguem a ver, tudo bem.

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