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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Blá blá blá Whiskas saquetas

por Zé Pedro Silva, em 31.05.13

 

O líder Seguro diz que vota contra o orçamento rectificativo. Então e que orçamento teria ele feito? Ó porra, que pergunta mais estúpida. Já se sabe que ele teria feito um orçamento mais justo, mais solidário, que rompesse com a austeridade, virado para o crescimento económico, para o combate ao desemprego e blá blá blá Whiskas saquetas blá blá blá Whiskas saquetas blá blá blá Whiskas saquetas.

Portugal, a Europa e os galheteiros

por Zé Pedro Silva, em 28.05.13

 

Ainda não prestámos aqui a devida homenagem - neste caso, galheteiragem - aos galheteiros. Provavelmente desde a sua fundação, nunca ninguém nem nenhum utensílio de servir à mesa tinha vergado a União Europeia. Foram os galheteiros os primeiros a fazer a Europa recuar.

 

Esta história, se ficasse por aqui, já era linda, porque de um lado temos a força imensa da Europa e do outro a fragilidade dos galheteiros, mas há algo ainda mais bonito de se constatar neste autêntico golpe na construção europeia, pelo menos em matéria de segurança alimentar, mais concretamente vigarices com os temperos.

 

Ora, creio que todos os portugueses estão familiarizados com o atraso crónico do seu país. Reza a metáfora que o bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque. É verdade. Mas a mesma borboleta, bem pode bater as asinhas com toda a sua força e até pode chamar mais borboletas, que aqui nem se levanta uma aragem. Ou até se levanta, mas é dez anos depois. - Que raio, de onde é que veio este vento? Isto estava tão agradável. - Não sei, mas isto é capaz de ser daquela borboleta, que provocou aquele furacão em Nova Iorque aqui há uns dez anos. É melhor irmos para dentro.

 

É mais ou menos este o ritmo. Mas às vezes, sem se perceber muito bem como, tudo se altera e acabamos por estar entre os primeiros em alguma coisa. Foi o caso da proibição de galheteiros a céu aberto nas mesas dos restaurantes. A Europa falou no assunto e nós, provavelmente já com receio de ficarmos para trás, pusemos logo tudo em marcha. Acontece que agora, como vimos, a lei dos galheteiros lavadinhos não vai para a frente. Pelo menos para já.

 

A imagem que tenho dos portugueses é orgulhosos, com uma pescada cozida à frente, guardanapo preso na camisa e a garrafinha inviolável de azeite numa mão, à espera da decisão europeia para poder então regar o peixe e dizer "ó meus amigos, vocês estão muito atrasados".

 

É preciso também ter um bocado de galo. Mesmo quando achamos que vamos à frente, afinal ficámos para trás, porque o que a Europa diz, com esta decisão, é que estão muito bem os galheteiros imundos. Logo, nós ficámos para trás, com estes galheteiros assépticos e obsoletos.

 

Dirá o Leitor mais despachado "então, vamos a isso, vamos revogar a lei e voltar aos galheteiros tradicionais". Pois, a intenção é boa, mas agora voltámos ao nosso ritmo e portanto não vai ser fácil mexer nisto. Provavelmente, depois de vinte debates, quinze comissões de inquérito e cinco referendos, lá decidimos liberalizar outra vez o galheteiro de escape livre. Nessa altura, provavelmente, a Europa adopta finalmente os galheteiros castos, onde não entra nada.

 

Mas pronto, nessa altura devemos estar ao nosso ritmo e um bocado fartos dos cabrões dos galheteiros, por isso tão cedo não lhes mexemos outra vez.

Celeuma do palhaço

por Zé Pedro Silva, em 24.05.13

Está tudo mal e está tudo errado nesta história do palhaço. Começa por estar mal o jornal que põe na capa o outro a chamar palhaço ao outro. Um grande jornal entrevista um grande homem sobre grandes temas e depois faz manchete com uma palhaçada? No contexto da entrevista, a palhaçada podia ter graça e dar cor e alegria ao texto, mas assim exibida é um bocado feio. Fazer capas de jornais é como escolher um decote. Devemos mostrar o mais possível sem sermos badalhocos. Um decote no limite da decência é uma maravilha, para lá desse limite é uma miséria.

 

Ora, o Jornal de Negócios foi um bocadinho para lá desse limite. Ao colocar a palhaçada na capa, mostrou as mamas, o rabo e até o pipi. Estava ali tudo, na capa. Qual é o resultado? É pornográfico e mesmo para os apreciadores de cinema mudo, não é bonito, pois nós não apreciamos pornografia nas bancas do nosso bairro, só no recato da nossa tela.

 

Aliás, a imprensa tem dado muito destaque a estas coisas. O futuro dos jornais é, de resto, mulheres descascadas, estúpidos a cair de lambreta, aviões a aterrar de emergência e troca de palhaços.

 

Agora, o Miguel Sousa Tavares. Também esteve mal. Havia muitas formas de dizer o que disse sem o Presidente da República perceber. Não quero com isto estar a chamar estúpido ao Chefe de Estado, por amor de Deus, não me metam em sarilhos. Eu acho até que é uma pessoa muito inteligente, pelo menos quando comparado com os colegas do BPN. É que os outros estão todos atrás da moita e o Aníbal está em Belém.

 

Voltando ao que Sousa Tavares podia ter feito, imagino, por exemplo, que se ele tivesse dito que Cavaco é o Beppe Grillo português, o Aníbal teria adorado. - Maria, Maria, anda cá ver, o Miguel Esteves Cardoso comparou-me a um grande estadista italiano. - Mas Aníbal, esse é o Miguel Sousa Tavares. - Sim, sim, pois, enganei-me. Mas o Cavaco sou mesmo eu.

 

Posto isto, vamos ao Aníbal, que ainda é quem fica pior nesta fotografia. Desde logo, porque foi a quem chamaram palhaço. É logo uma desvantagem. Depois, porque foi fazer queixinhas à Procuradoria. Então um agricultor de Boliqueime vai fazer queixinhas às autoridades, em vez de pegar logo no tractor para ir pedir contas lá nos terrenos do agressor? Se o Aníbal tivesse saído de Belém no tractor e fosse até ao Miguel Sousa Tavares ameaçá-lo com uma uma enxada, aí tínhamos homem. Agora... fazer queixas à PGR? Ainda por cima queixa-se é da ofensa ao órgão. Ou seja, chamam-lhe palhaço mas ele chateia-se é por terem chamado palhaço ao Presidente da República. Como quem diz "eu ser palhaço tudo bem, agora chamares isso ao Presidente da República é que eu não te admito".

 

Definitivamente, não fica bem ao Aníbal proteger-se no órgão. O órgão é o órgão, o Aníbal é o Aníbal. Sousa Tavares, se chamou palhaço a alguém, foi ao Aníbal. Que não é um órgão, é uma pessoa. Um órgão para ser órgão tem de ter caixa de correio e o Aníbal não tem. Logo, quando se chama palhaço ao Presidente da República, não é ao órgão mas ao indivíduo que manda no órgão. Porque o órgão, em si mesmo, não é uma pessoa. E em teoria, não se ofende matéria. Só caixas Multibanco quando estão sem dinheiro. - Puta da máquina, não tinha dinheiro. Neste caso, a puta é mesmo a máquina.

 

Mas se o empregado não nos traz a conta que já pedimos há meia hora, quando pensamos "este cabrão não me traz a conta" estamos a pensar no empregado e não no restaurante como instituição. Seria ridículo, aliás, se o empregado ouvisse e voltasse à mesa para dizer que o restaurante estava muito ofendido, tão ofendido que ia à esquadra naquele momento apresentar uma queixa contra o cliente.

 

Enfim, para concluir, o Jornal de Negócios devia ter agasalhado o palhaço, o Miguel Sousa Tavares devia subentender mais as coisas e o Aníbal devia ter dito "isto não é nada com o Presidente da República, porque o Presidente da República é um conjunto de artigos na Constituição, isto é entre mim e esse senhor Esteves Cardoso!". - Sousa Tavares, Aníbal. - Isso! Sousa Tavares!

Contras e Contras

por Zé Pedro Silva, em 22.05.13

 

Estão todos mal naquele episódio do Prós e Contras. Eu não vi nem vejo o programa, porque não gosto da parte do "prós". Se fosse Contras e Contras via religiosamente todas as emissões, mas pessoas a dizer bem de alguma coisa é algo que me transtorna.

 

Em todo o caso, por via desse submundo horroroso que são as redes sociais, acabei por ver uma altercação entre um adolescente empreendedor, com 16 anos, e uma académica de meia idade. O adolescente tornou-se um herói, porque faz camisolas e dá emprego, e a académica de meia idade foi vítima de bullying por um país inteiro.

 

Mas estiveram todos mal. A professora doutora porque quis tramar o miúdo, que, coitado, só faz camisolas. De repente parecia um perigoso explorador. De onde veio tanto ódio? Dava a sensação que a professora doutora tinha visto naquele miúdo a imagem de um ex-namorado que a trocou pela melhor amiga. Reencontrados anos mais tarde, ele diz-lhe que agora tem uma marca de t-shirts e ela, danada, diz que devem ser feitas na China ou se for cá é por pessoas que recebem o salário mínimo.

 

Mas o jovem também não está melhor, porque a teoria de que é melhor estar a trabalhar a ganhar o salário mínimo do que no desemprego não é boa política. Faz falta um equilíbrio. Trabalhar é melhor do que estar no desemprego, como é evidente, mas trabalhar a qualquer custo não é melhor que o desemprego.

 

Imagine-se que entravam agora dois bandidos na loja do jovem e levavam-lhe quarenta caixas cheias de t-shirts e camisolas. Ele, naturalmente, queixava-se, barafustava, chorava por tamanha injustiça. Agora imagine-se que aparecia alguém e dizia "olha, pelo menos escoaram-te o stock". Não era bonito, pois não? É que "escoar o stock" é o lado positivo de um assalto. Assim como "trabalhar" é o lado positivo de trabalhar por uma esmola.

 

Para as economias europeias sobreviverem, vamos ter de ser proteccionistas e aceitar dar mais valor pelos produtos que compramos, seja porque têm mais qualidade ou porque a sua produção respeitou os direitos dos trabalhadores e as regras comunitárias. Se uma camisola feita no Bangladesh, por exemplo, nas condições trágicas que conhecemos, custa 5 euros; e se outra feita no norte de Portugal, com materiais melhores e produzida por trabalhadores que recebem, por exemplo, 800 euros por mês, com direito a segurança social, custa 25€, então eu tenho de comprar esta, se não quero que isto fique igual ao Bangladesh.

 

A razão é simples. Não vale a pena andarmos todos a trabalhar imenso por um saco de batatas por semana. Para isso plantamos logo as batatas e assim podemos ficar na cama até mais tarde.

Nem a falir somos os melhores

por Zé Pedro Silva, em 22.05.13

 

Portugal não está mesmo com sorte nas competições internacionais. Depois de ter estado em 1.º no clube da bancarrota, caiu para um vergonhoso 10.º lugar. Já tínhamos o Marquês de Pombal reservado para celebrar o default e não é que estamos quase a descer de divisão!? É preciso ter muito galo.

 

Mas calma, porque matematicamente ainda podemos chegar outra vez ao topo da tabela da bancarrota. Mas temos de mudar de táctica. Metermo-nos em crises de regime e eleições antecipadas, por exemplo, pode ser uma boa estratégia.

Os magrebinos e as redes sociais

por Zé Pedro Silva, em 21.05.13

 

Há muitos motivos para bater em Carlos Abreu Amorim. Desde logo, porque graças à camada adiposa ele não sente dor. Depois também há uma série de bons argumentos políticos para criticar o aprendiz de aprendiz.

 

No entanto, aquela história de chamar magrebinos às gentes do sul ou do Benfica não é assim tão grave. Num contexto pateto-futebolístico, percebe-se. Tem até mais graça que as tradicionais saídas do "melão" ou da "azia". Há uma certa criatividade no tweet de Carlos Abreu Amorim, quando pede para "os magrebinos se curvarem perante a grande glória do dragão". Uma certa criatividade mas também um pedido de auxílio, porque Carlos Abreu Amorim já não deve conseguir curvar-se e por isso está a pedir ajuda aos magrebinos. Confesso que quando li pela primeira vez o tweet, nem me ocorreu nada de futebol, senti antes o desespero de um homem que se quer curvar e não consegue.

 

Em qualquer caso, esta polémica à volta dos magrebinos transporta-nos para outro tema muito interessante, mas que não vamos discutir, vamos só aflorar, porque eu sucumbi à dança das temperaturas e por isso o meu pequeno-almoço foi ibuprofeno.

 

Falo do tema das redes sociais. Elas são, sem sombra de dúvida, um instrumento poderosíssimo de comunicação. Pela minha parte, que não gosto de nada que seja social, prefiro pensá-las como meros leitores de feeds, ou seja, plataformas onde as pessoas reúnem as páginas ou as marcas de que gostam e vão recebendo o que vai sendo publicado.

 

Mas há quem prefira as redes sociais para estar sempre a dizer coisas, mesmo coisas que nem sequer reúnem interesse para serem partilhadas com um animal doméstico, quanto mais com o mundo inteiro ou pelo menos com o bairro. Eu compreendo a alegria de quem encontrou as chaves do carro que julgava ter perdido, mas qual é o objectivo de se anunciar o achamento numa rede social?

 

Antigamente os malucos falavam sozinhos. Hoje falam nas redes sociais.

 

Ainda a este propósito, o humorista Ricky Gervais, que tem mais de 4.5 milhões de seguidores, fez um tweet magnífico: «My favourite thing about twitter is that it allows stupid people everywhere to show the whole world how stupid they are.»

 

O mesmo Gervais contou há poucas semana no Daily Show do Jon Stewart que, no caminho para o programa, escreveu no Twitter que se ninguém retweetasse o tweet que ele estava a fazer naquele momento, doaria 10 mil dólares a uma instituição de caridade. Conta Gervais que poucos segundos depois tinha mais de 100 retweets. Escreveu então qualquer coisa como "não perceberam bem o que eu disse, se ninguém retweetar isto eu vou doar não 10 mas 15 mil dólares a uma instituição de caridade". Poucos segundos depois, já tinha mais de 500 retweets.

 

E pronto, é isto. Creio que não vale a pena dizer mais nada.

Pós-Troika? Então e o pré-Troika?

por Zé Pedro Silva, em 21.05.13

 

Discutir agora o pós-Troika, mesmo que em termos teóricos seja prudente, é um bocado estranho. Parece que estamos a cair por um desfiladeiro, mas a sonhar com o que vamos fazer quando chegarmos lá acima. Indiferentes aos trambolhões e sem conseguirmos agarrar uma raiz que seja, já estamos a pensar no piquenique com aquela vista soberba do cume.

 

O absurdo é tal que só mesmo aquelas botas da tropa daqueles conselheiros de Estado é que conseguem ouvir o Aníbal perguntar "então o que é que vamos depois de endireitarmos isto?" sem se rirem. Eu tinha de dizer que ia ver se o Fernando Lima precisava de ajuda com o jantar e saía da sala.

 

Seja como for, o ridículo, neste caso, nem é o mais incrível. Verdadeiramente surreal é estar-se a pensar no que fazer depois da Troika quando se devia estar a estudar o que se fez antes dela. Perceber o que aconteceu antes da Troika é meio caminho andado para existir um depois. Ignorar o antes dela para pensar só depois dela é pedir para viver para sempre com ela.

 

O Aníbal havia de reunir o Conselho de Estado mas era para perguntar "como é que isto foi acontecer?". Era ver alguns conselheiros a escorregar discretamente pelas cadeiras, incluindo o Presidente, a quem no fim da pergunta já só se via a testa.

Perigo para a democracia reloaded

por Zé Pedro Silva, em 19.05.13

Sempre o perigo para a democracia. Recuemos ao governo de Santana Lopes. Santana Lopes é aquilo que é, mas liderava um governo legítimo. Já que se fala tanto e tanta gente tem tanto orgulho na Constituição, ela dava legitimidade total ao governo de Santana Lopes. Goste-se ou não de Santana - pessoalmente, não sou admirador - a verdade é que não havia uma ponta de inconstitucionalidade naquele governo nem qualquer tipo de ilegitimidade.

 

Mas naquele tempo dizia-se que estavam em perigo a democracia e as instituições democráticas. Foi com base nisso que o presidente Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento, convocando umas eleições cujo resultado, naquelas condições, era mais que certo: uma maioria absoluta para o Partido Socialista.

 

Hoje, voltamos ao mesmo. O PS invoca uma crise no regime, que diz ser um enorme perigo para a democracia, para pedir eleições antecipadas. Vergonhosamente, a esquerda quer voltar ao poder através de mais um golpe. Incapaz de valer por si própria, a esquerda aposta tudo na desgraça do adversário para alcançar o poder de mão beijada.

 

A esquerda gosta de se apresentar como padroeira da democracia, mas, na verdade, a democracia é que tem sido a padroeira da esquerda. E a Constituição, como se vê, não protege os portugueses. Protege a esquerda.

Quanto custou a unidade no PS?

por Zé Pedro Silva, em 18.05.13

 

É um bocadinho evidente que António José Seguro comprou a unidade no Partido Socialista. Um vai para comissário europeu e por isso não diz mal da desgraça do líder no seu espaço de comentário político. Comentário político aqui é eufemismo, pois na realidade aquilo é um espaço de tempo de antena, embora não seja da exclusiva responsabilidade dos seus intervenientes.

 

A Francisco Assis, não foi preciso António José Seguro oferecer nada. Talvez uma sandes de presunto e um Sumol.

 

Mas... e a António Costa? Qual é o acordo de cavalheiros que fez Costa aderir ao segurismo, uma corrente política que conta com um zorrinho e pouco mais? Ainda há poucas semanas António Costa queria acabar com Seguro e agora é o primeiro da lista da Comissão Política dele? O que nos escapou?

 

É verdade que Costa percebeu que ia levar uma ratada à antiga, porque antes das oferta grandes para os mais antigos, Seguro já deve ter prometido todos os tachos deste mundo e do outro ao pessoal do aparelho. Só assim se explica que um homem com menos chama que uma placa de indução seja o líder do maior partido da oposição.

 

Mas se a previsão de ratada seria suficiente para Costa voltar para o Intendente, já não explica esta adesão apaixonada ao segurismo. Há aqui mais qualquer coisinha que nos escapa.

 

"Está prometido para Belém!", dirá o Leitor, assim de repente. Mas eu não concordo. Costa não é homem para ficar num palácio a ler diplomas. Ele é de acção. Ele não gosta de golfe. Gosta de boxe. Não gosta de palácios. Gosta de pontes velhas em ferro. Não gosta de caviar. Gosta de torresmos. Costa não lambe o gelado. Trinca.

 

Mas se Seguro não lhe ofereceu Belém, ofereceu o quê? Um lugar no Governo? É pouco. António Costa já sabe o que isso é. Já lá andou. A menos que a promessa seja para um lugar de vice-primeiro-ministro, invulgar por cá, mas que os tempos difíceis podem exigir. Seguro, consciente da inexistência de pessoas à sua volta com mais de um dedo de testa, poderá ter oferecido a Costa não um tacho, mas uma panelinha.

 

Se foi isto, foi bem jogado. Seguro fica primeiro-ministro, como sempre sonhou, e António Costa governa, o que é uma excelente ajuda.

A delinquência da alta finança

por Zé Pedro Silva, em 18.05.13

Há uma certa delinquência nos banqueiros e nos altos funcionários dos bancos. Não respeitam nada nem ninguém. Gastam, roubam e rebentam tudo. Parecem não ter consciência de nada. Ignoram os problemas à sua volta.

 

Estes prémios e salários astronómicos, em empresas completamente falidas, são a prova de que a sociedade já não tem mão neles. Nem quando é o Estado a injectar dinheiro ou a dar aval a créditos, estes banqueiros e altos funcionários dos bancos se coíbem de manter o mesmo comportamento.

 

Isto explica-se. É a loucura que tem governado a alta finança. O jogo dos milhões e do enriquecimento rápido e fácil com o dinheiro dos outros transforma estas pessoas, que um dia devem ter sido boas.

 

Depois, à loucura soma-se a impunidade, sobretudo em países onde o poder político está completamente subjugado ao poder da alta finança, como é obviamente o caso de Portugal. Em Portugal, os bancos só não fazem o que não querem, o que não lhes apetece ou o que não se lembram.

 

Como se resolve isto? Não é fácil. Controlar a delinquência, sobretudo nestas idades, é muito complicado. Pior ainda quando quem tem a obrigação de vigiar a delinquência é também ele um delinquente e por isso vai dizendo que sim a tudo, sem contar nada a ninguém.

 

Pela minha parte, não tenho solução. Estou há quinze minutos nestes últimos parágrafos à procura de uma solução para acabar este texto. É certo que um problema destes merece uma reflexão mais demorada do que quinze minutos, mas estou com aquela sensação de que poderia ficar aqui quinze dias.

 

A alta finança é, sem dúvida, o crime perfeito.

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