Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Por que falharam os briefings

por Zé Pedro Silva, em 14.08.13

 

A intenção do Governo quando decidiu fazer briefings diários com a comunicação social era boa, reconheça-se isso. Mas quando se diz sobre alguma coisa que a intenção era boa, já se está perante um desastre. É como quando se diz que uma pessoa é simpática. Se é simpática é porque não é bonita. Se a intenção era boa, é porque o resultado foi péssimo.


Mas o que falhou na brilhante ideia dos briefings?


Em primeiro lugar, com o Governo cheio de problemas ao nível da comunicação mas não só, aquilo tudo soava a relatórios diários de uma catástrofe. Nunca seriam briefings sobre as políticas, mas sim sobre o estado dos políticos e do Governo. Uma espécie de relatório diário sobre quem é que ainda está no Governo, quem saiu esta manhã, quem sai esta tarde, onde é que anda o ministro tal, calma, ainda cá estamos, estamos a dominar a situação, apelamos à compreensão dos portugueses e agradecemos toda a ajuda que estão a dar.


Sobre esta matéria, li algures o ministro Poiares Maduro dizer que foi galo os briefings diários aparecerem imediatamente antes do espisódio irrevogável de Portas. Parece que as coisas corriam bem antes deste episódio. Parece que não havia avanços, recuos e cismas antes da bomba irrevogável. Difícil seria Poiares Maduro acertar com os briefings numa altura em que não houvesse alguma bronca no executivo.


Aliás, os briefings apareceram, a verdade é essa, porque o Governo já parecia uma barata tonta. E a ideia dos briefings era justamente controlar a barata, mas falharam. Introduziram ainda mais confusão no pobre do bicho, que passou de andar a bater com cabeça nas paredes para andar a bater com cabeça nas paredes com uma voz de fundo a dizer qual seria a próxima parede.


Essa voz de fundo era a de Pedro Lomba. Não tenho nada contra o Pedro Lomba, antes pelo contrário. Mas o Pedro, neste papel, não era lomba, era depressão. Num Governo que padece de um gravíssimo problema de comunicação, a dianteira não pode ser tomada por uma espécie de independente disponível para tentar salvar a credibilidade do Governo, porque isso dá vontade de rir. Aparece um à vez, a tentar a sua sorte. É natural que dê vontade de rir. - Olha, agora é este. Deixa lá ver. - Isto, salvo melhor opinião, não é uma nova política de comunicação. É uma garraiada.


Aliás, Poiares Maduro, na mesma declaração que li, aborda este drama cómico. Diz que os problemas com os briefings podem alimentar programas de humor mas não passa disso. Está enganado, Poiares Maduro. Era bom que o Governo e os briefings alimentassem programas de humor. O problema é que estão a substituí-los. Aliás, até seria justo os humoristas começarem a fazer um bocadinho de política, porque os políticos têm feito muito humor.


Mas enfim, certo é que os problemas de comunicação do Governo não se resolvem com um repórter de guerra a transmitir na Presidência do Conselho de Ministros quando consegue estabelecer comunicação com o quartel-general, que até isso já não se sabe muito bem onde é que fica.  


A verdade é que, às vezes, para se comunicar melhor não é preciso comunicar mais. Se a primeira mensagem for clara, explícita e sem contradições, o Governo não precisa de um terapeuta da fala.

Ora bem, preciso de remodelar, a quem é que eu vou ligar?

por Zé Pedro Silva, em 10.08.13

 

Eu não uso chapéu regularmente, mas vou passar a usar, pois sinto a necessidade de ter um para tirar ao Governo, sempre que o quotidiano é abrilhantado por mais uma bronca do executivo. Depois de tudo o que se passou com a demissão irrevogável de Portas e da semana da salvação nacional, quem é que o Governo foi buscar para a remodelação das remodelações? Um comercial de swaps e um reformado do grupo SLN.

 

Os dois devem ser pessoas seríssimas e eu, um caloteiro dos piores, não me atrevo a questionar as respectivas idoneidades, mas caraças, com sete biliões de pessoas na terra, não se podia ter escolhido uns fulanos menos problemáticos?

 

A sorte do Governo é que estamos em Agosto e ninguém está para se mexer. Embora se fosse Fevereiro era a mesma coisa. Mas pronto, cá à nossa maneira, isto revolta um bocado. Nem é por ser crime. É só por ser estúpido.

 

Sobretudo aquelas declarações do novo ministro dos Negócios Estrangeiros, depois da tomada de posse, em que revelou ter sido convidado no dia anterior, tendo disposto apenas de três horas para pensar. Há mulheres que demoram mais tempo a escolher o que vão vestir mas para o cavalheiro bastou para aceitar ser ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

 

Olha, ó Passos, se quiseres que eu vá amanhã dobrar a ministra das Finanças, que também já lá está há uma porrada de tempo, liga-me. Eu não preciso de tanto tempo para pensar, como o Machete. Só preciso de 20 minutos para me meter no Terreiro do Paço. Vá, talvez precise de duas horas porque o Costa, como não há eleições em breve, está a aproveitar para arranjar a Baixa toda. Mas basta isso. Ligas-me, eu penso durante uns minutos e ponho-me a caminho. Não, espera. Eu penso no caminho. É mais rápido.

É vil e soez envolver Seguro em coisas más

por Zé Pedro Silva, em 10.08.13

 

Agora, desculpem. Mas concordo com o PS quando classifica como “vil e soez” a tentativa do PSD de envolver Seguro nos swaps.

 

Em primeiro lugar, uma nota para que bem que o PS fala. Mas não sei se não era melhor gastar calão. Vil e soez não são adjectivos para a maioria dos eleitores. Uma parte substancial do país foi hoje para a cama a pensar que o PS tinha elogiado o PSD. O que significa que se a Língua Portuguesa ganhou com estas declarações do PS, a democracia perdeu. Quando tiverem declarações assim, enviem para o José Lello, que ele traduz.

 

Agora vamos à substância da coisa. Como é que o PSD pode ter descido tão baixo, ao ponto de procurar envolver Seguro nos swaps? Seguro nem sabe o que isso é. Seguro já leu algumas coisas sobre o assunto, mas continua sem perceber. Seguro nem consegue soletrar swap. Se o PSD quer envolver Seguro em alguma coisa, envolva-o apenas na preocupação com a situação dos portugueses, pois o líder do socialista não quer saber de mais nada. E fica até ofendido se lhe falam noutra coisa que não seja a situação dos portugueses.

 

Porra. Será que ainda não perceberam que o António José Seguro é um homem bom!? Hã!? Será que ainda não perceberam que António José Seguro não é um patife como os outros todos!? Seguro é um homem doce. É um homem solidário. É um homem fraterno. É um homem que já errou, claro. Todos erramos. Seguro um dia, há muito tempo, deixou cair uma pinga fora do perímetro da retrete. Foi só uma e Seguro nem teve culpa, pois era muito pequeno e tinha de estar em bicos de pés para fazer o xixi, de maneiras que se desequilibrou um pouquinho no final. Mas Seguro limpou tudo. Foi pedir aos senhores do café o balde, a esfregona e um pedaço de detergente e limpou não só o seu pingo como toda a casa de banho, incluindo a das senhoras. E até arranjou, mesmo não percebendo muito de canalização, o autoclismo da casa de banho das senhoras, que estava a verter, infligindo sobre o casal proprietário do café uma pesadíssima factura mensal em água.

 

Seguro é assim. Ele jamais vos teria contado esta história. Não por ter vergonha, mas apenas por temer a imodéstia, que considera, aliás, o vício dos mesquinhos.

Pág. 2/2

Mais sobre mim

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D