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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Privados ou público?

por Zé Pedro Silva, em 01.08.11

Percebo a revolta com o aumento colossal do preço dos transportes. Já não percebo a revolta com a privatização e com o fantasma dos privados. Isto para não falar naqueles “revoltados” que cantam “fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre”. Esses não quererão, de certeza, discutir o preço dos transportes públicos e das vias de comunicação na era do Estado Novo.

 

Bom, mas sobre a privatização, é bom ver o aumento que foi feito por um operador privado, a Fertagus, que explora o comboio da ponte. Depois compara-se esse aumento com o aumento das empresas públicas e percebe-se que talvez o privado não seja tão glutão como o Estado. Sendo que a Fertagus dá lucro todos os anos e envia para o Estado duas mancheias de milhões de euros.

 

Ponham lá uma empresa pública a explorar o comboio da ponte, mas depois não se queixem de pagar mais pelos bilhetes e mais pela empresa em que cada orçamento de Estado.

 

Ora, ainda sobre o tema das privatizações, mas em geral, ocorre-me lembrar que, muito se fala na privatização da água - que horror, vamos ficar com o litro de água a 100 euros - mas ninguém se queixa da privatização da distribuição alimentar. Sim, a distribuição alimentar é hoje 100% privada. Dois dos maiores distribuidores são, respectivamente, os segundo e terceiro homens mais ricos do país.

 

Então, mas não é de se fazer canais públicos de distribuição, com o preço dos produtos fixados pelo Ministério da Economia? Sim, porque se a Jerónimo Martins e a Sonae quiserem, amanhã não temos jantar. Mas ninguém se rala. A água é que não! Porque é um bem público, que vem das montanhas e tal.

 

Enfim, está muito mal conduzido o debate sobre os sectores público e privado em Portugal. Mas para os consumidores/contribuintes, seria muito importante perceberem quem é que lhes dá os preços mais baixos e com o melhor serviço. Em geral, podemos dizer que o Estado não pratica os melhores preços e perde dinheiro, tendo por isso de recorrer ao tesouro público para tapar os buracos. Os privados têm preços mais baixos que o Estado e dão rios de dinheiro em impostos, mesmo depois de uma parte voar para paraísos fiscais e outra parte para o bolso do patrão.

 

Resumindo, é tudo uma questão de gestão, porque se não derem mesmo cabo disto, ninguém fica sem comer, sem água e sem transportes. E assim, o que é melhor para o consumidor/contribuinte, o gestor público ou o gestor privado?

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