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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Insira o valor. Retire documento. Obrigado e boa leitura

por Zé Pedro Silva, em 02.10.13

 

Gosto particularmente deste vídeo porque sou particularmente contra uma determinada tecnologia inútil que só serve para tirar trabalho às pessoas, sem que os benefícios financeiros sejam para mim uma tão grande evidência, embora deva admitir que não percebo nada do assunto. Neste vídeo, um camião do lixo tem um braço mecânico que pega nos caixotes e despeja-os sem ser preciso o tradicional homem do lixo. Acontece que o braço falha, como se pode ver, e ou acaba por espalhar o lixo todo pelo bairro ou mesmo quando não falha, voa sempre mais qualquer coisa pelo ar. Resultado: Dois homens - ou mulheres, embora seja raro - para o olho da rua, o bairro mais sujo e a eficiência da companhia afectada pelo número de vezes que o motorista tem de ir limpar a borrada.

 

Sem comparação possível, mas ainda sobre a tecnologia inútil, temos em Portugal as caixas automáticas nas portagens. Portageiros para o olho da rua e agora a máquina trata de tudo. Acontece que a máquina é mais lenta. Mais enervante. E para a Brisa, duvido que as avarias e o custo dos soft e hardwares não acabe por sair mais caro que essas máquinas maravilhosas que são os humanos. Admitindo que, feitas as contas, as máquinas saem mais baratas, não será seguramente por muito e há aquela coisa que devia incomodar os gestores que é estar a tirar o salário a uma família, estar a tirar-lhes o pão da mesa para poupar umas coroas com uma máquina estúpida que presta um serviço pior ao cliente.

 

É evidente que há o outro lado da questão. Também há pessoas a fazer estas máquinas e os componentes. É verdade, mas são poucas, porque as máquinas também são praticamente feitas por máquinas e eu interrogo-me sobre onde é que isto vai parar, porque a revolução industrial é uma boa notícia, sobretudo quando acompanhada pela evolução tecnológica, mas a histeria é tal que já nem se procura utilidade naquilo que se faz.

 

É como as lavagens automáticas dos automóveis, essa maravilha dos anos 90, se não for anterior. Não se ganhou nada. As escovas estragam a pintura, o carro fica mal lavado, gasta-se muito mais água, detergente, energia, mas... mandámos dois rapazes para a rua. Que bom. Vamos festejar passeando com o carro quase lavado, as jantes numa lástima e uma linha de pó junto à matrícula, que nem a água nem a escova alcançou.

 

Claro que os mais optimistas acham que os rapazes que lavavam os automóveis exploram hoje cada um a sua máquina e são muito felizes, mas eu julgo que estão os dois na rua, sem trabalho, e que o dono da bomba põe a rapariga da caixa a ir desencravar a máquina quando uma ficha fica presa. Nisto acumula-se uma fila gigante de clientes para pagar. Mas calma, porque ao fim do mês tudo parece compensar. Parece. Na verdade, acabam todos com enfartes e a estourar o lucro em gestão de conflitos.

 

Mas há quem chame a isto desenvolvimento. E nas escolas de gestão, enquanto escrevo, é ainda isto que se ensina. Preparam-se homens e mulheres para uma economia em que a eficiência é matar o consumidor, enquanto pelas linhas supersónicas da internet se transaccionam biliões em troca de coisas que não existem ou sem qualquer valor. O futuro, não tenho dúvidas, passa por quatro ou cinco indivíduos com todo o dinheiro do mundo e milhões de zombies aos murros às máquinas.

 

Enfim, regressemos ao vídeo, apenas para mais um pormenor. As cores dos caixotes dão a entender que naquele bairro - não é em Portugal - faz-se separação de lixo. No entanto, o camião mistura o lixo todo quando o recolhe. Parece incrível, mas é mesmo verdade e nem precisamos de ir tão longe. Na praia da Figueira da Foz, este Verão, estive uma semana e meia a separar o lixo à saída da praia por três belíssimos contentores, até a simpática senhora dos toldos me dizer, no último dia, que eles, quando vão recolher, juntam tudo.

 

À mulher de César não bastava ser séria, também tinha de parecer. Hoje, a mulher de César não tem de ser séria, basta-lhe parecer.

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