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Lóbi do Chá

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Não quero a parcela de soberania

por Zé Pedro Silva, em 03.10.13

Não quero a parcela de soberania de que tanto Paulo Portas fala. Hoje, durante a conferência de imprensa e respondendo a uma pergunta sobre o pedido de flexibilização do défice, o vice-primeiro-ministro explicou que o pedido não foi aceite pela Troika e que essa é uma das razões pelas quais temos de nos livrar do "protectorado", recuperando a parcela de soberania que nos foi roubada em 2011. Ou seja, quando recuperarmos a nossa parcela de soberania, vamos começar a flexibilizar outra vez o défice, como sempre flexibilizámos, enviando repetidas vezes o país para a bancarrota.

 

Portas tem defendido o equilíbrio das contas públicas e creio mesmo que até defendeu o limite constitucional ao défice, mas hoje acabou por deixar cair que se pudesse - se tivesse a tal parcela de soberania - já tinha dado folga. E é claro que a folga depois nunca mais pára. Mais 1% aqui e outro ali não faz mal a ninguém e resolve imensos problemas políticos.

 

Ficámos por isso a saber que no dia em que a Troika sair, começa a contagem para o seu regresso, porque até os novos paladinos da contenção estão doidinhos para folgar. 

 

Não quero, por isso - e repito - a parcela de soberania de que tanto Paulo Portas fala. Se calhar quero aí a Troika instalada. Não quero ver os governos, uns atrás dos outros, a gastar aquilo que o povo tem e não tem. Por uma razão simples: Os países que devem servir de exemplo, porque têm uma verdadeira distribuição de riqueza e um verdadeiro estado social - não esta amostra que temos em Portugal e que não é de agora - não têm défices descontrolados e dívidas colossais. 

 

Portugal tem um défice historicamente elevado e desde 2001 só baixou uma ou duas vezes com recurso a receitas extraordinárias. Em 2003 e 2008 se não estou em erro. De resto, sempre impostos altos e a aumentar, com o Estado a gastar mais e mais. Neste período Portugal cresceu, mas estrafegado por um Estado esbanjador e perdulário que nos trouxe até aqui, onde tínhamos o dever de imaginar que íamos chegar, independentemente da aldrabice das crises internacionais. Já em 2004, o governador do Banco de Portugal, o insuspeito Vítor Constâncio, dizia que o défice de 2003, o tal das receitas extraordinárias, "mostra bem a dimensão do esforço adicional de consolidação orçamental que é necessário prosseguir".

 

Sabem qual foi o esforço adicional de consolidação orçamental que se prosseguiu, não sabem? Foi sempre a subir. Impostos, défice, dívida. Excepção feita, repita-se, ao défice em 2008, ano salvo pelas concessões de barragens e estradas. Sempre as receitas extraordinárias.

 

Tínhamos obrigação de saber, a esta hora, como chegámos a isto. Não foi o Gaspar. Quando os problemas começaram, Vítor Gaspar ainda tirava fotocópias e cafés no Banco de Portugal.

 

Mas mesmo assim, depois de tudo o que este país passou, já estamos a salivar por folgas no défice e doidinhos para que a Troika vá para nos deixar à-vontade. 

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