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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Agora peço eu desculpa, Machete

por Zé Pedro Silva, em 04.10.13

Sim, as declarações de Rui Machete em Angola são razão mais do que suficiente para se demitir ou para ser demitido. Em bom rigor, Rui Machete nunca devia ter ido para o Governo. Foi convidado no dia anterior e assumiu que teve três horas para pensar. Três horas raramente é suficiente para reflectir sobre um convite para ministro dos Negócios Estrangeiros. Como creio que já aqui disse, três horas é o tempo que a maioria das mulheres leva para escolher a roupa e não é que eu ache um convite para ministro mais importante que um vestido, mas ir para o Governo sempre dura mais tempo que uma festa. Pelo menos, em teoria. Porque já os vi a sair do Governo logo a seguir ao jantar. 

 

Os problemas de Rui Machete começam com as ligações ao BPN. Não o acuso de nada. Não sou da polícia. Também não acuso Cavaco Silva. Mas os políticos que lucraram directamente com a maior fraude de sempre, uma fraude que foi nacionalizada e está a ser paga por todos os portugueses, deviam manter-se longe, muito longe do poder. A menos que devolvessem ao Estado o lucro, porque na altura não tinham de saber que se tratava de uma fraude, mas creio que hoje já parece nítido. 

 

Enfim, Rui Machete, com a descontracção habitual dos políticos portugueses, tem conseguido dormir todos os dias com o país a chamar-lhe nomes. Interrogo-me várias vezes sobre o material de que são feitos estes homens e mulheres, que conseguem manter a mesma cara e porventura a mesma tensão arterial perante a revolta que provocam.

 

Sobre as declarações à rádio de Angola, que me parecem apenas a gota de água neste ministro que nunca devia ter sido, não julgo que a questão seja tanto de conteúdo, pois ela é sobretudo de forma. Portugal lançou-se numa operação mãos limpas contra alguns angolanos com actividade em Portugal, sem que até à data sejam conhecidas fundadas suspeitas. Isso deve preocupar o ministro dos Negócios Estrangeiros, na medida em que afecta as relações externas com aquele país. Não se pede que o ministro interfira na Justiça, mas é evidente que deve preocupá-lo, e muito, este manto de suspeita que se lançou sobre Angola e que ficou ali a pairar. 

 

Mas esta preocupação com a rapidez da Justiça portuguesa e com o fundamento destas investigações abstractas, sobretudo na medida em que isso pode afectar as relações externas de Portugal com qualquer país, não pode ser tratada numa entrevista, com um discurso que parece de mafioso de quinta categoria a relatar ao padrinho o que conseguiu ver na PGR. 

 

«Tanto quanto sei, não há nada substancialmente digno de relevo, e que permita entender que alguma coisa estaria mal, para além do preenchimento dos formulários e de coisas burocráticas e, naturalmente, informar às autoridades de Angola pedindo, diplomaticamente, desculpa, por uma coisa que, realmente, não está na nossa mão evitar» - foram as palavras de Rui Machete. 


Estas declarações são absolutamente inaceitáveis, a todos os níveis e de todos os pontos de vista. Rui Machete já não está no grupo SLN. Lá, os assuntos podiam ser resolvidos assim. Mas no Governo não podem. 

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