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Lóbi do Chá

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Quem avisa, Jorge Sampaio é

por Zé Pedro Silva, em 13.10.13

De vez em quando, Jorge Sampaio aparece para pôr ordem nisto. Andamos todos aqui a dizer disparates, aos gritos, mas lá aparece Sampaio, muito sereno mas ao mesmo tempo muito convicto, a dizer o que tem de ser dito. Agora, veio defender o Tribunal Constitucional e criticar as críticas - foi de propósito - que lhe são feitas, falando num "assomo patriótico".

 

Até o Papa Francisco está a mudar a Igreja, mas os portugueses não podem querer mudar a sua Constituição, muito menos criticar as suas instituições. Temos de viver segundo um princípio de que se esta Constituição diz, então é porque é mesmo assim que deve ser. Pior: temos de viver segundo um princípio de que se metade dos juízes interpretam uma determinada coisa que a Constituição pode ou não dizer, então é porque é mesmo assim que deve ser, seja lá o que isso for, porque depende. 

 

Na verdade, Sampaio nem se atira tanto às críticas dos portugueses, mas mais às das instituições internacionais, como a Comissão Europeia, pela voz de Barroso, ou o FMI, pela voz de Lagarde. Por isso Sampaio fala no tal "assomo patriótico", que é basicamente nós não aceitarmos que alguém diga mal da nossa Constituição ou das nossas instituições.

 

Ora, isto não patriotismo, é provincianismo. Agora, querem lá ver, não posso aceitar que a senhora Lagarde, directora-geral do FMI - mas também podíamos estar a falar de uma empregada de um bar em Lyon - critique a Constituição portuguesa ou as decisões do Tribunal Constitucional, que são objectivamente decisões políticas!?

 

Talvez fosse melhor respondermos às críticas - nomeadamente Jorge Sampaio, que tem tribuna - procurando defender a Constituição - se for possível - e de que forma ela tem contribuído para o desenvolvimento do país, a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida dos portugueses, a justiça social, etc.. De um grande assomo patriótico era, de facto, Sampaio explicar isto à senhora Lagarde. E a muitos portugueses, já agora. 

 

Enfim, Jorge Sampaio é uma personalidade muito simpática, talvez até simpática demais. Num momento crucial para o país procurar o equilíbrio das suas contas públicas - não havia crise internacional e o clima era de expansão - o então Presidente da República sentiu-se na necessidade de dizer que "há mais vida para além do défice", esmagando com enorme elegância o Governo, que curiosamente não era do seu partido, aquele que pouco tempo depois viria a tomar o poder com uma expressiva maioria absoluta, aproveitando a ocasião para mostrar que Sampaio tinha mesmo razão, havia muito mais vida para além do défice. 

 

Só foi pena Sampaio não ter avisado os portugueses, naquela altura, de como era a vida para além da bancarrota.

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