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Lóbi do Chá

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Recebemos os angolanos com algemas

por Zé Pedro Silva, em 15.10.13

Muito bem, José Eduardo dos Santos. Qualquer pessoa percebe que esta parceria não podia resultar quando os empresários angolanos que investem em Portugal são automaticamente catalogados como bandidos e corruptos, para além das suspeitas que ficam a ganhar pó no vergonhoso sistema judicial de Portugal, que não despacha nada a não ser pequenas fugas de informação. Portugal não tem, aliás, uma Procuradoria Geral da República, tem uma espécie de Wikileaks. 

 

As relações entre Portugal e Angola seriam sempre particularmente sensíveis pela história comum mas nem sempre feliz destes dois países. No entanto, Portugal não tem procurado cooperar, tem apenas tentado condenar, num tom tão paternalista quanto patético. 

 

A incorrecção formal de Rui Machete naquela entrevista recente agravou naturalmente o clima, sobretudo com a histeria que provocou nesses justiceiros de trazer por casa. O ministro português dos Negócios Estrangeiros esteve ridículo e as suas declarações foram inadmissíveis, mas para mim é evidente que Portugal tinha o dever de pedir desculpas ao seu parceiro pelo lento e fofoqueiro sistema de Justiça em Portugal, como tem também de pedir a todas as pessoas, cidadãos nacionais ou estrangeiros, que são vítimas da total ineficiência do sistema. A começar pelo povo português, que assiste a escândalos inomináveis sem nada poder fazer. 

 

Dirão alguns dos justiceiros que a Justiça em Angola é pior ou que nem sequer existe. Pois, mas isso é assunto de Angola. Nós não podemos ficar irritadíssimos quando vemos alguém a comentar a nossa Justiça e até mesmo a nossa Constituição, bramindo depois alarvemente contra as dos outros. Angola é uma nação soberana e não vão ser os portugueses a tentar levar para lá uma Justiça que muito pretensiosamente julgam ter, através de processos judiciais e investigações contra todos e quaisquer investidores angolanos. 

 

Os cidadãos estrangeiros que investem em Portugal devem respeitar as leis portuguesas e ser julgados e condenados quando tal não acontece. Mas não se pode apontar baterias contra um conjunto de cidadãos estrangeiros, com a mesma origem, e depois deixar ali as suspeitas a estagiar em barricas de carvalho nas caves da Justiça, saindo só um copo ou outro para prova. 

 

Digo-o com muita pena, mas a verdade é que o presidente angolano esteve bem na defesa do seu país, dos seus cidadãos e dos seus empresários. Se queremos continuar a cooperar com Angola, não podemos continuar a receber os angolanos com algemas. 

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