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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Bom dia, os linguados são de água?

por Zé Pedro Silva, em 15.11.13

Há poucos dias, uma carta da Segurança Social a exigir a um homem a devolução do subsídio por uma gravidez que afinal não tinha sido de risco era o motivo para uma imensa galhofa. Sobre esse assunto, escrevi uma notícia falsa e só quando fui à procura de imagens para decorar o trabalho jornalístico é que percebi que já há, de facto, homens grávidos. É simples. Uma mulher virou homem mas não mudou tudo no seu corpo. Resultado, oficialmente o homem engravidou. 

 

A nossa Segurança Social não foi, portanto, estúpida. Foi visionária. Haverá, sim, muitos homens a engravidar no futuro. É aliás de se começar a estranhar se um amigo nos disser que não pode beber uma cerveja, que está enjoado, que a carne tem de ser bem passada ou que a salada tem de ser muito bem lavada. 

 

Mas não era sobre homens grávidos que vos queria falar. Era sobre peixes de aquacultura. Mas faço-o com o receio de quem já um dia escreveu sobre o assunto e levou com a ira de um neopescador. Por isso, não me vou debruçar sobre a cultura de peixes em tanque. Vou apenas descrever uma conversa que mantive no Continente e que há uns anos seria surrealista - tal como a carta da Segurança Social - mas por estes dias "já não sei não". 

 

É muito raro comprar peixe nas grandes cadeias de distribuição, pois a diferença entre um bicho comprado no mercado e comprado no supermercado é enorme. Para além de que no supermercado ninguém nos diz "então o que é que vai ser, meu amor?". E se alguém disser isso no ambiente de uma grande superfície, cheira a assédio ao cliente, vem lá de cima a rapariga dos recursos humanos e corta o funcionário às postas com a serra do bacalhau. 

 

Ora bem, lombos e filetes de salmão. Tudo da Noruega. Eu já tinha ideia de que o salmão, grosso modo, já só existe em tanques. Mas como a informação espetada no gelo não era esclarecedora, perguntei à senhora se aquele filete havia nadado em mar ou em piscina. Nos filetes a informação era "Aqua - Noruega". Bom, se é "aqua" será da aquacultura, foi o que eu pensei. Mas nada disso. A senhora começou a sugerir - porque graças a Deus ela também não estava completamente certa - que se é "aqua" é porque vem da água, como se os de aquacultura nascessem nas árvores. 

 

E será que não nascem? - Assomou então a dúvida. Há uns tempos teria dito à senhora que era evidente que aquele salmão vinha da água, mas de repente fiquei na dúvida. Como isto anda, não tive naquele momento absoluta certeza de que poderia fazer troça da senhora. Estava-me a ver a confrontá-la com o absurdo e ela a mostrar-me um robalo colhido em Estremoz para me calar.

 

Enfim, serve tudo isto para lembrar que estamos a perder levemente o controlo da situação quando já não discutimos tanto se o peixe é fresco ou não, mas se veio da água. 

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