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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Soares avisa. E alguém avisa Soares?

por Zé Pedro Silva, em 29.11.13

Afinal, todo o discurso de Mário Soares sobre a hipotética violência nas ruas, era um aviso. O país deve por isso uma palavra de agradecimento ao dr. Mário Soares, porque de facto ainda ninguém se tinha apercebido que os tempos são difíceis, a revolta é grande, e a violência pode escalar. Devemos todos um agradecimento especial ao antigo Presidente da República por estarmos hoje mais alerta.

 

Mentira. O discurso de Mário Soares sobre a violência não era um aviso, era uma sugestão. Mário Soares quer derrubar este Governo, por todos os meios, e pancadaria na rua é um dos caminhos. Está nos livros. Que a revolta espreita, todo o mundo desconfia. Mas não foi isso que Mário Soares quis com aquele discurso.

 

Neste contexto, comparar as palavras de Mário Soares com as palavras do Papa Francisco é de uma heresia que leva até o mais fanático dos ateus a benzer-se. O Papa Francisco fez um discurso amplo e profundo sobre as consequências prováveis das cada vez mais expressivas desigualdades sociais, provocadas por um sistema económico que descamba para o capitalismo desregulado e selvagem.

 

Mário Soares está muito longe do discurso do Papa Francisco. Mário Soares está apenas à procura de confusão para fazer regressar o Partido Socialista ao poder. Mas ao poder, pelo poder. Nem sequer existe uma estratégia ou uma alternativa. Sobram discursos vagos sobre a defesa da Constituição e do Estado Social, mas faltam projectos políticos sólidos que justifiquem o apelo disfarçado à revolução. É, portanto, o poder pelo poder e só pelo poder. Depois logo se vê o que fazemos.

 

Ora, é também por isso que as pessoas estão revoltadas e a violência espreita. Não é só porque a Troika lhes levou os rendimentos. Antes disso, há uma geração de políticos que desbarataram a riqueza do país, num ambiente festivo de demagogia, corrupção, incompetência e total impunidade. Assim, para acalmar a revolta dos portugueses e eliminar esta ameaça de violência nas ruas, é preciso libertarmo-nos da Troika e dos soldadinhos da austeridade, mas também desta geração de políticos. Fica o aviso.

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