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Lóbi do Chá

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Encomenda de Bissau (segunda parte)

por Zé Pedro Silva, em 17.12.13

 

Retomando a discussão sobre a encomenda de Bissau, iniciada no post "Quem tem países irmãos assim...", sabe-se agora que a Tap arrisca multa por transportar sírios, ou seja, por violar regras de segurança aérea. 

 

Não ignorando a pressão exercida sobre a tripulação do avião, muito menos as ameaças criminosas de que foram alvo, parece-me evidente que aquele avião não podia ter levantado quando havia um grupo de passageiros não identificados mas que se suspeitava terem origem num país em guerra civil. Aquele avião podia ter sido desviado e os passageiros podiam ter sido feitos reféns.

 

Não sou entendido na matéria e até desconheço as regras de segurança aérea, mas imagino que, naquelas condições, o comandante jamais podia ter descolado. E são estas as decisões que um comandante também tem de tomar.

 

Por que descolou então o avião? A minha aposta - tem de ser aposta pois não temos informações suficientes - é que foi para salvar o avião de ficar retido. Era uma das ameaças daquelas autoridades ainda também mal identificadas, que ameaçaram a tripulação. Pois bem, não é preciso ser presidente de uma companhia aérea para imaginar quanto custa um avião parado durante horas ou dias ou semanas, enquanto se resolve um problema diplomático. 

 

Mas a segurança dos restantes passageiros foi ameaçada. E a da própria tripulação também. E pelos vistos a segurança aérea internacional. 

 

Na notícia que cito, do Expresso, Fernando Pinto diz que «só transportaram aquelas pessoas "para evitar problemas com os outros passageiros"». Diz também que este incidente terá um «custo pesado para a empresa».

 

Pois terá, claro que terá. Este incidente terá um custo pesado para a TAP e para outras empresas, pois sabe-se agora que nas ligações aéreas para destinos fora da Europa, e com problemas de segurança conhecidos, pode entrar um grupo de pessoas não identificadas a bordo, que não é por isso que o avião não descola. Não nos podemos esquecer que a TAP cortou os voos para Bissau, mas continua a voar para outros destinos com segurança limitada. A pergunta que legitimamente se coloca é: Podemos confiar?

 

Ao ler Fernando Pinto, tenho muitas dúvidas. O presidente da TAP diz que vai recorrer de uma eventual multa e diz que a companhia tentou evitar problemas com outros passageiros, mas aquilo que devia fazer era explicar os fundamentos da decisão de descolar e pedir desculpa aos seus clientes, se for caso disso. 

 

A segurança é um dos principais valores da TAP, reconhecida internacionalmente. Este incidente afecta naturalmente esse capital de confiança. E as declarações do presidente também, porque há prejuízos que podem ser sempre maiores. 

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