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Lóbi do Chá

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A curiosidade que as Europeias não despertam

por Zé Pedro Silva, em 07.03.14
europa

A coligação de direita às europeias lembrou-se de apresentar o seu manifesto no Twitter. Mais cool não podia ser. Acontece que esta tentativa levemente ridícula - sobretudo na comparação com os 101 dálmatas - não chega para suscitar interesse por estas eleições. O facto de colocarmos as coisas nas redes sociais não é suficiente para lhes darmos graça. Bem sei que se partilham as coisas mais insignificantes, mas essas coisas insignificantes têm que ter algum interesse genuíno.

As eleições europeias, para os portugueses, não têm e o problema não está na divulgação. Apresentar o manifesto no Twitter ou no edital da sede do PSD, é completamente indiferente.

A Europa não diz nada aos portugueses porque é só mais um burocrata. Bem podem os políticos fazer aqueles enormes discursos, épicos, históricos, a Europa, a Europa!; que não se conhecendo, na prática, vantagens, ninguém quer saber daquilo para nada.

Com a breca, o que é que eu estou para aqui a dizer?... não se conhecendo vantagens? Do projecto europeu? Serei eu doido varrido? Estou a falar da Europa, caraças, da Europa, da União Europeia!

Sim... e?

Milhões e milhões de euros de fundos comunitários deitados ao mar. Cerco à actividade económica, particularmente nos sectores de actividade agrícola, com enormes e evidentes vantagens para os nossos parceiros/concorrentes europeus. O que nos deu a Europa, para além de um conjunto de legislação asséptica? Muito pouco.

Mesmo na crise que o país atravessa, foram bem visíveis as dificuldades sentidas pelas normas comunitárias e pela moeda única. Não estamos unidos, estamos atados à Europa. Entregámos a concessão do país, da sua economia, pelos milhões dos fundos comunitários. Proporcionalmente falando, vendemos melhor a EDP.

O manifesto que os portugueses querem, portanto, nestas eleições europeias, é um manifesto que jure a pés juntos que vai partir aquilo tudo. Um manifesto que vá para Bruxelas pedir contas: o que recebeu Portugal da Comunidade, ao longo destes anos? E o que deu?

Os portugueses, creio eu, não querem mais daqueles discursos épicos sobre a Europa, ainda que seja no Twitter. Só querem saber para que é que aquilo funciona. Assim mesmo, como se fosse um gadget: Isto serve para quê?

É evidente que os políticos vão começar por fazer um sorriso de evidência e um olhar de compaixão pelo povo, que não consegue perceber a grandeza do projecto europeu. Depois vão lembrar que, se não fosse a Europa, estaríamos muito pobres, muito brutos e com a roupa de há dois dias. É então preciso lembrá-los que estamos muito pobres, muito brutos e com a roupa de há dois dias. Mas não se pode fumar nos restaurantes, o que, reconheço, foi a Europa que nos deu.

Explica-se, porém, e não é complicado, a paixão dos políticos pela Comunidade. É dinheiro fácil. É viver de rendas. Eles lá fazem tudo e nós só temos de ir mantendo aqui as coisas. Para além disso, a Europa paga muito bem aos seus vendedores. Não haviam os discursos de ser sempre épicos.

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