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Lóbi do Chá

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A mão escondida por trás do manifesto

por Zé Pedro Silva, em 14.03.14

É importante discutir-se a dívida? A sua sustentabilidade? Soluções para reduzir o seu peso? Claro que sim. A dívida será por muitos anos o problema central das Finanças Públicas. Portanto, todos os contributos, mais ou menos notáveis, serão fundamentais nos próximos tempos para que o país consiga gerir a sua enorme dívida, com o mínimo de prejuízos para as pessoas e para a economia. Seria também muito importante, ao mesmo tempo, investigar-se aprofundada e imparcialmente a origem do problema, para que se encontrem mecanismos de travão.

Acontece que discutir agora o tema da reestruturação da dívida não serve a dívida nem o país. Serve apenas interesses políticos-partidários e de oposição ao Governo. O manifesto, sendo naturalmente bem feito e rigoroso do ponto de vista técnico - embora não livre de contraditório - não é sério. Só seria sério se os seus subscritores admitissem no texto que o interesse de colocar agora a questão é essencialmente prejudicar a actuação do Governo e contribuir para a sua queda. Isto porque nenhum dos subscritores pode ignorar - ainda menos tratando-se de pessoas tão entendidas na matéria - os efeitos de colocar nesta fase um processo de reestruturação da dívida em cima da mesa.

Entretanto, os defensores do manifesto têm aparecido indignados com a indignação que geraram. Já se fala até em liberdade. Como se o manifesto quisesse apenas, tão fofinho, debater um tema. Não, não é isso. E a indignação com a mão escondida por trás do manifesto é perfeitamente justificável. Não está em causa o tema nem os argumentos, porque deles o país não poderá fugir nos próximos tempos, mas apenas o evidente objectivo político-partidário deste manifesto em concreto. E isso vê-se, desde logo, pela quantidade de políticos entre os subscritores. Ora, uma coisa são técnicos outra coisa são políticos, ainda que sejam técnicos. Os políticos devem apresentar as suas ideias aos eleitores, não é aos governos, sob a forma de manifestos.

E a situação é particularmente estúpida na medida em que a reestruturação já está a ser discutida, desde o pedido de ajuda externa, e continuará naturalmente a ser, porque o problema da dívida não se resolve tão cedo. Este manifesto só consegue, portanto, uma crise política e talvez uma edição do programa Prós e Contras, na RTP. Para a dívida e para a discussão de soluções, pouco ou rigorosamente mais nada consegue, daquilo que já temos. É, por isso mesmo, apenas ruído, algazarra política.

Enfim, não tenho dúvidas de que o próximo documento dos 70 subscritores devia ser um pedido de desculpas. E não vale a pena grandes teatros com a liberdade de expressão e de opinião. O jogo tem de ser limpo. Ainda há dias se viu um jogador de futebol, que simulou uma falta, ir junto do árbitro, que tinha assinalado falta, dizer que não havia falta nenhuma. Pois bem, o que se pede ao grupo dos 70 é que se reconheçam a perfeita inutilidade deste manifesto, sem prejuízo da discussão política que terá de continuar a ser feita sobre as melhores soluções para enfrentar este monstro desta dívida.

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