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Lóbi do Chá

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Celebrámos há 24 anos um Acordo que vamos agora analisar

por Zé Pedro Silva, em 01.03.14

A ingovernabilidade de Portugal - já pública desde os tempos do império romano - é particularmente saliente quando se percebe que, por cá, nem conseguimos decidir que língua devemos falar. Estou a pensar, naturalmente, no Acordo Ortográfico. 

 

Vamos começar pelo processo. O Acordo Ortográfico é de 1990. Entrou em vigor em 2009. Até 2015 decorre um período de transição. Estamos em 2014 e ainda se fala numa análise ao acordo, tendo em vista a sua suspensão ou revogação, com o Parlamento a querer atirar para o Governo essa responsabilidade. 

 

Entretanto, há portugueses a escrever com uma determinada quantidade de letras, outros com menos. Ninguém sabe muito bem o que é que está certo ou o que é que está errado. A minha pergunta é: Considerando que o Acordo foi celebrado em 1990, será que não era já tempo de sabermos se queremos ou não esta lipoaspiração da língua?

 

Havendo tantas dúvidas, resolvia-se isto através de um referendo. Não tinha de ser um referendo ao domingo, todos a votar na escola. Não era preciso isso. Podíamos responder à questão, dentro de um prazo, no Portal das Finanças, por exemplo. Sim, porque o Estado já evoluiu imenso, sobretudo nas formas de me notificar e obrigar a pagar, mas para me pedir a opinião é que continuamos com um sistema que tem mais de um século. 

 

Mas ao menos resolvia-se isto. E se ganhasse o sim ao Acordo - tenho as maiores dúvidas - juro que arrumava os pês e os cês na arrecadação, usando-os só muito raramente, em ocasiões especiais. Mas se ganhasse o não, então revogava-se o dito cujo, pedia-se muitas desculpas aos CPLP's por toda esta maçada, e continuávamos com o português. 

 

É que entretanto, não sei se já deram conta disso, mas temos uma geração novinha em folha que se está nas tintas para o português velho e para o português novo, dialogando por siglas. Ou seja, por mais vanguardista que o Acordo de 90 fosse, está mais ultrapassado que a dactilografia.

 

Não é que este assunto seja assim muito relevante, porque entendemo-nos todos e essa é a função da linguagem, mas creio que a dificuldade em tomar uma decisão é sintomática. E coisas a meio ou obras de Santa Engrácia, é o que mais temos. Já não é a primeira vez que aqui refiro o nosso Palácio Nacional de Ajuda, que embora pareça inteiro, ficou a meio. E tal não seria grave, se não continuasse a meio. Será que não podíamos ter acabado de fazer o palácio? Não, porque já naquele tempo faltou dinheiro e então agora nem se fala. Mas então, será que não se podia dar por concluído o palácio por ali e arranjar a fachada? Como é que continuamos com um monumento daqueles naquele estado, que parece embargado? E nem vergonha temos, porque é ali que se realizam as maiores recepções e os mais alarves banquetes. 

 

Duvido que nunca nenhum Chefe de Estado ou de Governo tenha perguntado porque é que o palácio ficou por ali. E pagava para ver os nossos a explicar que já faz dois séculos que nos faltou a massa. 

 

Voltando ao tema que nos trouxe aqui e para colocarmos em perspectiva a cronologia, quando celebrámos o Acordo Ortográfico que ainda não sabemos se queremos, em primeiro lugar no top estava Hold On, de Wilson Phillips. Mas como prefiro a que ficou em segundo no top, é essa que publico: 

 

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