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Lóbi do Chá

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O manifesto das 70 Ferreiras Leites

por Zé Pedro Silva, em 11.03.14

Está a ver aqueles bairros onde sempre que há confusão, já se sabe quem é que lá está metido? Pois é. Se Portugal fosse um bairro, sempre que há confusão já se sabe que está lá a dra. Ferreira Leite no meio.

Agora foi este manifesto a pedir a reestruturação da dívida. Felizmente estão consigo mais 69 Ferreiras Leites, porque às vezes uma não chega.

Digo isto porque não levo em muito boa conta a dra. Ferreira Leite. Passou pelas Finanças, não ficou na história. Despachou umas coisas mal despachadas, para corrigir défices com receitas extraordinárias. Foi atrás das empresas, tomando tudo por ladrão, e estrafegando-as.

Era essa a sua estratégia de combate à evasão? É capaz de fazer sentido. Acabando com as empresas, também se acaba com a evasão fiscal das empresas.

Mas olhe que este grupo de nabos, a brincar a brincar, já fez mais pelo combate à evasão fiscal neste país do que 70 Ferreiras Leites. Pelo combate à evasão fiscal e pelas Finanças.

Depois a dra. Ferreira Leite – provavelmente enganada pelos elogios constantes do dr. Pacheco Pereira e pela fé do professor Aníbal – ainda se fez ao piso para derrubar o senhor Sócrates. Logo a dra. Ferreira Leite, incapaz de vencer uma junta de freguesia, queria derrubar Sócrates.

O que sucedeu? Sócrates ganhou, claro. Mesmo assim conseguiu perder a maioria absoluta numa contenda consigo, o que de facto não abona muito a favor do menino de ouro do PS.

Mas a dra. Ferreira Leite nunca jamais e em tempo algum se devia ter candidatado, porque a dra. Ferreira Leite não tem perfil para ser líder. Tem perfil para fazer intrigas e conspirar, mas para liderar não. Queria suspender a democracia, arrumou com os seus adversários internos do Parlamento… isto não é uma líder, é uma pequena ditadora.

Agora, o manifesto. Quer reestruturar a dívida. Olhe, eu não percebo nada disto, mas creio que já li muitas explicações de muitos entendidos e parece que nós temos, de facto, um problema com a dívida. A dívida já tem sido reestruturada, mas os entendidos – mais uma vez – dizem que é preciso mais qualquer coisa.

Perante isto, parece consensual e até evidente que a dívida portuguesa vai precisar de um ajustamento. Mas qual a utilidade desse manifesto, sobretudo agora? Portugal está num momento crítico e aparecem 70 notáveis a dizer que esta dívida é insustentável. Obrigado, obrigadíssimo, muito obrigado, obrigado, a sério, muito obrigado.

Será que Portugal não pode tentar passar este processo de fim do programa de ajustamento, tentar estabilizar a sua situação, para começar a discutir, nas instâncias próprias, os problemas da sua dívida insustentável?

O manifesto serve então para quê? Para tramar ainda mais as contas ao país e dar razão aos 70 notáveis, não é? Querem que o país se espalhe ao comprido para serem então ainda mais notáveis. Mas não serão já suficientemente notáveis? Vejam lá bem. É que às vezes fica-se tão notável, mas tão notável, mas tão notável, que se dá a volta e a única coisa que fica notável é como é que conseguiram passar por notáveis.

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