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Lóbi do Chá

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Que bom, o comunismo a crescer

por Zé Pedro Silva, em 30.09.13

Ainda bem que a CDU cresceu, porque isso é muito bom para o povo desses novos concelhos vermelhos. Como todos sabemos, o povo das câmaras governadas por comunistas vivem sempre muito melhor. Desde logo, não há desemprego nesses concelhos. Os salários são sempre justos e não há contratos precários, muito menos nas empresas públicas municipais. Aliás, nem há empresas municipais, porque isso é uma coisa levemente capitalista.

 

Por outro lado, as câmaras comunistas apoiam sempre muito as pessoas mais carenciadas, pelo menos muito mais do que nas câmaras dos fascistas da direita, onde até é de bom tom passar por cima de um pobre. Não. Nem se compara. Aliás, nas câmaras governadas por comunistas não há pessoas carenciadas, porque os comunistas distribuem toda a riqueza gerada pela câmara. Riqueza essa gerada pela exploração contínua dos terrenos da autarquia, por trabalhadores com contratos sólidos e salários justos. E como se não bastasse, as autarquias comunistas não se endividam nem dão um tostão a ganhar à banca. A exploração da terra e das unidades produtivas por todos os trabalhadores chega para pagar tudo e ainda sobra para distribuir o dinheiro pelas pessoas.

 

Sim, as câmaras comunistas sempre se destacaram por serem muito mais justas e solidárias do que as outras, não admira por isso o crescimento que com justiça agora obtiveram. As câmaras comunistas são, aliás, pequenas ilhas de felicidade, trabalho e bem-estar neste país de desgraçados às mãos da direita e do grande capital. E se alguém disser o contrário, por favor, mostrem-lhes o mapa do nosso país e reparem na região sul, tradicionalmente comunista, como sempre foi mais rica e desenvolvida. Comparem o crescimento e a qualidade de vida que se conhece do sul do país, do interior ao litoral, com a pobreza e a miséria que se vive no norte.

 

A este propósito, lembro-me de um concelho comunista, bem comunista. Havia um centro de saúde e poucos mais médicos para milhares de pessoas. A situação era caótica. Bastante caótica. Era um caso de saúde pública. O governo central não avançava com o novo centro de saúde. A terrível direita, naquelas eleições locais, propôs convidar-se as empresas do concelho - multinacionais três vezes maiores que a nossa maior empresa - a fazerem elas o centro de saúde e contratar médicos. Uma bagatela nos orçamentos colossais daquelas empresas. E mesmo assim, no dia em que o Governo central ressarcisse, a autarquia devolveria às empresas. O comunista que estava à frente da câmara nem quis ouvir falar no assunto e insistiu que não havia dinheiro. Na mesma altura, inaugurou-se uma biblioteca municipal onde não entravam duas pessoas por dia e era só para irem ao computador com internet. A obra, que parecia um pequeno CCB, custou os olhos da cara àquelas pessoas. Literalmente, porque parte da deficiência nos serviços de saúde naquele concelho estava na oftalmologia.

 

Pois bem, nessas eleições, o comunista viu reforçada, e de que maneira, a sua maioria na câmara. Muitos meses mais tarde fui dar com ele na televisão, juntamente com o povo, a reclamar, em mais uma manifestação, o tal centro de saúde.

 

Enfim, o povo é soberano, não é? Querem mais CDU, não querem? Então aí a têm e boa sorte.

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