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Lóbi do Chá

Lóbi do Chá

Isto podia ser mais uma grande jogada da direita: o beato que fala com plantas

por Zé Pedro Silva, em 29.05.10

Bagão Félix? Em Belém? Então e como vai ser “arranjado” o Conselho de Estado? Com rosas, camélias, begónias e tulipas?


E se a direita começasse a pensar em candidatos com o mínimo de interesse, não? Não acham bem? Estão satisfeitos com os trambolhos que têm aberto o caminho à esquerda?


É que são uns atrás dos outros… A dra. Ferreira Leite, o professor Cavaco Silva… agora o botânico Bagão Félix…


Bem sei que são pessoas encantadoras, seríssimas, honestíssimas, a quem todos emprestaríamos namoradas e namorados para darem uma volta, mas, com a breca, não têm interesse nenhum. Não trazem nada de novo. Não galvanizam nada nem ninguém.


De vez em quando até ganham, mas é porque pronto… o país lá vota, às vezes creio que até mais por pena.


O professor Cavaco perdeu contra o dr. Sampaio, que fez dois mandatos incontestáveis. Depois o professor Cavaco lá ganhou contra uma esquerda divida em mil. Entretanto, já ninguém acredita num segundo mandato.


E em quem é que a direita fala? No dr. Bagão Félix…


Pá, a esquerda pode ter algum mérito, mas também tem uma grande caga com a concorrência.

A lábia do menino Barack...

por Zé Pedro Silva, em 27.05.10

A Administração Obama deve apresentar hoje a sua nova doutrina de segurança, que porá fim à guerra contra o terrorismo do anterior Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Em vez disso, apostará em buscar alianças com potências emergentes, como a China e a Índia. – Público (que anda a ver muitos filmes).



Cuidado. Isto é uma aldrabice pegada. A estrela pop Barack Obama só vai retirar do discurso a “guerra contra o terrorismo” porque diz que o “terrorismo” é uma coisa indefinida.


E diz bem, mas isto é apenas uma questão de retórica.




A Al-Qaeda continua a ser o principal inimigo dos EUA, mas o país não está em guerra, diz Obama – ibidem.



Pois. É esta a ideia: acabou a guerra! Qual guerra? A guerra contra o terrorismo que já não é contra o terrorismo, agora é contra as organizações terroristas – como sempre foi, mas chamavam-lhe “contra o terrorismo”.


Ou seja, não acabou guerra nenhuma. Está tudo na mesma. É o marketing político na sua força máxima.

Catagoria... Já tenho o e-maile em estrangeiro

por Zé Pedro Silva, em 27.05.10

Não se vislumbra motivo, a não ser o nosso fim como cultura, para as assinaturas do correio electrónico nas empresas portuguesas aparecerem quase invariavelmente em inglês. É para dar ares de internacionalização?


Pois eles são os partners, os managers, os CEO’s, os assistants, as directions… mas o que é isto? Será que não gostam de ser apenas sócios, directores, directores gerais, assistentes, etc.?


Isto para não falar nas expressões de 'economês', que tinham tradução perfeita em português, embora ninguém resista à bazófia de se armar em businessman.


Mas será que não podemos mesmo falar em português? Os turistas ingleses, quando nos encontram na rua para perguntar onde é o 'Chi Há Dou' ou os 'Ristauriadoures', já vêm com o dedo levantado na nossa direcção a dizer sorry, please. Mas agora experimentem dizer, em Londres, a um nativo, “desculpe, por favor”. No mínimo somos revistados.


Ora então, por que raio abdicamos da nossa língua para servilmente usarmos outra, falada por quem ignora a nossa? Será apenas por ser mais forte, a deles? Então é de se começar a usar o mandarim, a língua mais falada no mundo...


Querem ir para Trafalgar Square? Só um momento que vem aí um bife…


-对不起,请(1)


- What?


-什么,什么?(2)


-I don´t understand.


-不明白?这是因为你比别人笨...我说在世界语言中最发言。想了解更多?(3)


- Sorry…


- 我至少可以邀请 您访问约旦河成本...嘿..牛排,回来这里... (4)



(1) Desculpe, por favor.
(2) O quê, o quê?
(3) Não percebes? É porque és burro... eu estou a falar na língua mais falada do mundo. Queres mais?
(4) Posso ao menos convidar-te a visitar the west cost of... Hei.. bife, volta aqui...


Relativamente às assinaturas de correio electrónico, quem quer falar verdadeiramente estrangeiro e global, deve então optar, outrossim, por mandarim: Senhor Arnaldo, 社会经济热朗特 (1), Pastelaria Bolo Doce.


(1) Sócio-gerente

O país de marinheiros que os não tem (II)

por Zé Pedro Silva, em 25.05.10
Governo defende que época balnear deve ser ajustada às condições climatérica. - Público

O Governo defende? Isto é uma coisa extraordinária! O Governo é governo, caneco. O Governo governa. Tem poderes. Estão na Constituição. O Governo não é um comentador, nem faz opinião. O Governo não é um blogue.




O calendário que dita o início e fim da época balnear não deve estar sujeito a datas mas adaptado às condições climatéricas, defendeu o secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, depois de se terem registado cinco mortes este fim-de-semana devido a afogamento, a mais de uma semana do início da época balnear oficial. - ibidem.



Dito assim, parece que o senhor Vasco Franco não tem nada a ver com o assunto, mas, como é simpático, dá uma achega.




O governante sublinhou que as questões relacionadas com a segurança nas praias “está fora” da jurisdição directa da Protecção Civil e apelou aos banhistas para terem “mais cuidado” e “precauções” nas praias. - ibidem.



Não vêem? Era o que eu dizia... O homem não tem nada a ver com o assunto. Está até a disponibilizar um bocado do seu tempo para ajudar o seu país. No fundo, é um filantropo.


Praias? Isso não é nada com ele. Nem com ele nem com ninguém. Parece que é com os concessionários, como se os concessionários fossem uma nação, com território, leis, etc..


Se em vez de cinco mortos as praias portuguesas tivessem recebido este fim-de-semana um prémio de segurança internacional, é claro que apareciam o ministro e o senhor Vasco Franco, os dois, na fotografia. Agora assim, como deu merda, "está fora".


[Artigo relacionado: O país de marinheiros que os não tem.]


Humanidade vs Lontranidade

por Zé Pedro Silva, em 24.05.10

«O acolhimento difícil de uma lontra é o caso "mais frustrante" entre os 2660 animais recolhidos, em 2009, no centro de recuperação do Parque Biológico de Gaia, pois o animal vive há meses numa casa de banho.» – Diário de Notícias



Há pouco, enquanto caminhava pela Rua das Francesinhas, junto ao Palácio de São Bento, encontrei um mendigo a dormir nos três degraus em pedra que dão para o jardim. Agora, enquanto escrevo, o homem já lá não deve estar porque entretanto começou a chover.


Enfim, serve este pequeno relato para dizer que estou deveras consternado com o “caso frustrante da lontra que vive há meses numa casa de banho”.

O país de marinheiros que os não tem

por Zé Pedro Silva, em 24.05.10

Que grande desgraça. Quatro pessoas morreram no primeiro fim-de-semana de praia. Para as autoridades públicas não foi o primeiro fim-de-semana de praia, porque houve um inteligente que, no seu gabinete, decretou que tal só acontecerá na semana que vem.


- Mas estavam quarenta graus no sábado! – Pois estavam… mas aqui, em Portugal, há regras! A época balnear só começa no dia em que começa! Não é assim, à balda.


E por isso… dia grande de praia, o primeiro do ano, e não havia segurança. Para um jogo de futebol, que reúne cinquenta mil pessoas, saem à rua todos os polícias do mundo. Mas para um dia de praia, que reuniu milhões de pessoas, não havia nadadores salvadores.


O azeite, nos restaurantes, já vem obrigatoriamente numa embalagem inviolável, mas as praias que deviam ter bandeira vermelha nem sequer bandeira têm enquanto não começa a época balnear, faça chuva ou faça muito sol.


Não é incrível? Já se sabe que as pessoas são descuidadas, facilitam, mas não há desculpa para o comportamento obtuso do Estado, que embrenhado entre portarias e despachos ignora o mundo à sua volta. Não há linha de comando. Só demanda aquilo que o chefe exarou há seis meses, quando ia lá alguém saber o  tempo que fez anteontem.


Depois também há a questão do investimento nas praias e da aposta no turismo. Num país armado até aos dentes, não obstante a probabilidade de entrar guerra ser inversamente proporcional à probabilidade de a perder, não há nadadores salvadores.


Vamos ter, um dia, dois belíssimos submarinos, mas não temos homens e mulheres para vigiar as praias, nem oficiais da Marinha para garantir que o descuido e a incúria pagam coima.


As nossas praias serão, por isso, consideradas perigosas, o que nos dificultará ainda mais a concorrência com as praias do sul da Europa desenvolvida, francamente inferiores às nossas, mas objectivamente mais seguras e organizadas. A natureza deu-nos uma vantagem que soubemos, como sempre, anular.


É pena… mas talvez consigamos convencer os turistas a visitar os nossos incríveis submarinos e a frota de blindados. Pelo menos tem sido a nossa aposta e não é costume falharmos.

D. Duarte Shiiu

por Zé Pedro Silva, em 24.05.10

«Tornar obrigatório a educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade» - D. Duarte Pio, ao DN.



Só os cobardolas sem um pingo de honra têm coragem de se atirar ao herdeiro por causa de um comentário destes! É preciso dizer que S.A.R. não sai muito e por isso não sabe o que significa educação sexual.


No seu real íntimo julgará que se trata de um evento quase pornográfico, em que uma mulher decotada entra na sala de aula e diz: - Meus doces, isto é um pirilau e isto um pipi, encaixam assim, vamos experimentar.


O Senhor D. Duarte não saberá que a educação sexual é justamente para dizer “não forniquem à vontade”, uma vez que as pessoas já fornicam naturalmente à vontade, sem precisarem de alguém que as convença – e isto é outra coisa que o D. Duarte não sabe. As pessoas sempre fornicaram à vontade, reis e príncipes incluídos.


É claro que o povo sempre deu mais nas vistas, até porque nunca teve um palácio em cada concelho para namorar serviçais às escondidas, mas os monarcas também gostam de molhar o pincel – se me é permitido o calão.


E assim, atacar o D. Duarte quando o próprio D. Duarte nos mostra, dando evidentes sinais, que ele sim, não os aprendizes de fornicadores, está pouco “à vontade” com o tema, é cobardia da mais pura, mesmo acreditando na longa abstinência do Duque de Bragança e por isso na sua legitimidade para defender os heróis castos da volúpia institucionalizada.


Com mil raios, se vamos confiar numa maioria pura, inocente, que nunca viu a luz, então aí é que estamos mesmo fornicados. À vontade.

Os duros!

por Zé Pedro Silva, em 21.05.10

«O PSD advertiu hoje que o acordo com o Governo "tem um prazo de validade" e que se não for cumprido, o seu partido não terá medo "da ruptura" e assumirá as suas "responsabilidades" para "um caminho alternativo".» - Diário de Notícias



É assim mesmo. Ninguém faz o PSD de parvo.

'Nymphaea thermarum', temos pena

por Zé Pedro Silva, em 20.05.10

A última vez que o nenúfar Nymphaea thermarum viveu na natureza foi há dois anos, no Ruanda, em África. A planta desapareceu do seu habitat natural devido à exploração humana, mas o especialista em cultivo de plantas Carlos Magdalena conseguiu que a minúscula espécie voltasse a nascer no jardim Kew Garden em Londres. - Público



Eu também adoro os nenúfares minúsculos, mas não consigo perceber isto da “exploração humana”.


Qual exploração humana, qual quê!? Na história deste planeta que habitamos, já houve muitas espécies que foram e vieram. Houve até os dinossauros. Terá sido a “exploração humana” a dar cabo destes incríveis bichos?


Coitada da espécie humana, que qualquer também dia vai à vida!? Por isso é que eu tenho os meus créditos todos com o prazo máximo. Nunca se sabe. Há aí tontinhos que compram Toyotas a 48 meses. Um dia acabam de o pagar e pumba, no quadragésimo nono mês um gás dizima isto tudo.


Foi ou não foi estúpido? A 72 meses ainda ganhavam 24 e nem precisavam de pagar seguro de vida porque não havendo vida, acho que os gestores com eme-bi-eis não o iam exigir. E daí não sei. Eles aprendem justamente a explicar que o seguro de vida se aplica mesmo depois do fim do mundo porque o risco de negócio se mantém, sobretudo do lado do cliente, porque as instituições financeiras resistem a tudo, como se sabe (e até porque são geridas por eme-bi-eis).


É isto! Agora fomos nós que lixámos os nenúfares minúsculos! Ó Carlos Magdalena, lá que cultives essas coisas no jardim, está muito bem por nós, ninguém se chateia e até trocemos todos aqui para que não sejas caçado pela bófia. Agora… não digas que foi a exploração humana que deu cabo dos teus pequenos nenúfares. Já ouviste falar no vulcão “eu-já-ir-chaval-ó-club”? Aquilo é a natureza pura e também deu cabo de uma espécie muito querida dos humanos: as passagens aéreas.


Como vês, Magdalena, isto é um encontro de poderes duro e muito exigente. Diz-me lá, a sério: alguma vez achaste que os teus nenúfares tinham hipóteses?


Por falar nisso, a quanto é que fazes o grama de nenúfares? Preço de amigo, pá, que nunca ninguém tinha escrito tanto sobre o teu “business”.

Pobres poliglotas

por Zé Pedro Silva, em 18.05.10

Sobre o falar mal… seja inglês, seja castelhano ou francês, é preciso notar que também aqui somos muito provincianos. E porquê?


Quando um compatriota nosso fala mal estrangeiro, nós zombamos à grande. Nem paramos para pensar que os estrangeiros não falam a ponta de um corno de português ou que quando chegam cá, a este país, a única coisa que dizem é “obrigado” e é a rir. – Obligado, boua noite… hahaha.


Não percebo, por isso, tanta revolta quando é um português a falar mal o inglês ou o castelhano. Eu estou-me perfeitamente nas tintas para o facto de um gajo não falar bem castelhano. Os espanhóis também não falam a ponta de um corno de língua nenhuma e nem parecem querer saber.


Mas os portugueses querem saber tudo muito bem sabidinho para não desagradar aos senhores. É a mentalidade de criado.

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